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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Terra disponível no planeta não é fator limitante para a produção de bioenergia e alimentos, dizem especialistas

Metas de produção de biocombustíveis, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável podem ser alcançadas simultaneamente, de acordo com o relatório “Reconciling Food Security and Bioenergy: Priorities for Action [Conciliando a Segurança Alimentar e a Bioenergia: Prioridades para Ação]”, divulgado no dia 14 de junho por uma equipe internacional e multidisciplinar de especialistas de 10 instituições de pesquisa em sete países.


O documento identifica medidas baseadas em conhecimento científico para mostrar que a área disponível não é um fator limitante para a produção simultânea de alimentos e bioenergia no mundo.

Entre as recomendações estão a adoção de estratégias para lidar com fatores locais de risco; engajamento de populações locais; estímulo à compatibilidade da coprodução de alimentos e bioenergia; adoção de culturas flexíveis e planejamento para diversificar mercados locais com aproveitamento de resíduos como palha e bagaço de cana, por exemplo.

“É um erro ignorar os custos e benefícios dos biocombustíveis com base em modelos globais ou afirmações generalizadas. É essencial trabalhar com dados confiáveis que não têm sido levados em conta nos debates que envolvem alimentos, biocombustíveis e clima”, disse Keith Kline, do Instituto de Ciência da Mudança do Clima do Laboratório Nacional Oak Ridge (ORNL, da sigla em inglês) e autor principal do relatório publicado na revista Global Change Biology – Bioenergy.

O estudo foi coordenado pelo ORNL, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, e teve participação da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Outras medidas propostas são o apoio à implantação de unidades de produção com uso múltiplo, para aumentar o suprimento de biomassa sustentável; gerenciamento adaptativo dessas unidades; comunicação pública sobre os objetivos, obstáculos e oportunidades da coprodução para lidar com necessidades locais; e a colaboração em programas locais de desenvolvimento.

“Uma parte significativa da energia de um país pode ser fornecida por biomassa ao mesmo tempo em que a produção de alimentos é aumentada”, disse Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e membro da coordenação do Programa BIOEN. “O programa de etanol de cana do Brasil demonstrou, ao longo de 40 anos de monitoramento, aprendizado e adaptação, que é possível conciliar o aumento de incentivos para restauração da terra e serviços ecossistêmicos com o aumento da segurança alimentar e redução da pobreza.”

A indústria do etanol de cana no Brasil é responsável por 4,5 milhões de empregos, melhora condições de subsistência no país e promove a infraestrutura e o desenvolvimento rural.

O zoneamento agroecológico desenvolvido em resposta às preocupações de sustentabilidade de biocombustíveis no Brasil tem influenciado outros setores agrícolas e ajudou a proteger a biodiversidade e as florestas, recursos importantes para a produção sustentável de alimentos em áreas rurais.

De acordo com o relatório, o desenvolvimento de uma economia de base biológica sustentável, conhecida como bioeconomia, é uma parte fundamental das estratégias nacionais para aumentar a segurança energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O relatório também destaca que investimentos em pesquisa e em sistemas que permitam aumentar a segurança alimentar e o abastecimento de energia podem atenuar situações de risco.

Participaram da elaboração do relatório pesquisadores ligados ao Centro de Política Ambiental do Imperial College London, no Reino Unido; Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN); Universidade de Twente, na Holanda; Instituto de Ingeniería Rural (INTA), na Argentina; Stockholm Environment Institute (SEI África), no Quênia; Bureau of Energy Efficiency (BEE Energy), agência ligada ao governo da Índia; e do Banco Mundial, em Washington DC, Estados Unidos.


Fonte: EcoDebate

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