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domingo, 4 de novembro de 2012

Água Virtual: Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano

Contêineres saem diariamente de portos na costa brasileira abarrotados de carne bovina, soja, açúcar, café, entre outros produtos agrícolas exportados para o mundo. Mas dentro deles há um insumo invisível, cujo valor ultrapassa cálculos estritamente econômicos. Ao longo do ano, o Brasil envia ao Exterior cerca de 112 trilhões de litros de água doce, segundo dados da Unesco – o equivalente a quase 45 milhões de piscinas olímpicas ou mais de 17 mil lagoas do tamanho da Rodrigo de Freitas. Tantos litros são o total dos recursos hídricos necessários para produzir essas commodities. E colocam o País como o quarto maior exportador de “água virtual”, atrás apenas de Estados Unidos (314 trilhões litros/ano), China (143 trilhões litros/ano) e Índia (125 trilhões litros/ano).

A exportação desse recurso, ainda que indiretamente, tende a crescer num cenário de escassez global, pressionando o país a pensar em políticas públicas voltadas à gestão hídrica. A posição do Brasil no alto do ranking não se deve tanto ao desperdício da água ou à falta de produtividade nas atividades agropecuárias do país, mas principalmente a um fenômeno global de escassez dos recursos hídricos. Num momento em que países como Malta e Kuwait têm 92% e 90%, respectivamente, de “água virtual” importada em seus produtos, o Brasil, com disponibilidade hídrica e territorial, tende a ganhar relevância. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2007 e 2010, as commodities avançaram de 41% para 51% no total de produtos vendidos pelo País ao exterior.

As Nações Unidas (ONU) estimam que, até 2025, cerca de dois terços da população mundial estarão carentes de recursos hídricos, sendo que cerca de 1,8 bilhão enfrentarão severa escassez de água. Na metade do século, quando já seremos 9 bilhões de habitantes do mundo, 7 bilhões enfrentarão a falta do recurso em 60 países. A água, portanto, já é motivo de conflitos em várias regiões do mundo.

“A alocação dos recursos hídricos, além de ambiental, é uma questão econômica, porque quando a água é escassa é preciso destiná-la para onde haverá maiores benefícios para a sociedade. Mas sendo a água um bem público, o mercado não é o único determinante. A água deve ser usada para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou para plantações de commodities para exportação? Isso é uma escolha política”, aponta Arjen Hoekstra, criador do conceito de “pegada hídrica” e autor de diversos estudos sobre água virtual numa parceria entre Unesco e a Universidade de Twente.

Recursos hídricos sem preço – Um dos principais parceiros comerciais do Brasil, a China possui 6% da água doce do planeta e já sofre com uma escassez do recurso, aliada a uma redução das terras agricultáveis – desde 1997, o país já perdeu 6% de sua área cultivável devido à erosão e urbanização. No Brasil, o cenário é outro: o País dispõe 40% de terras aráveis, abriga 12% da água doce do planeta e recebe chuvas abundantes durante o ano em mais de 90% do território – ainda que numa distribuição hídrica desigual, com um semiárido de água escassa.

“O Brasil não tem dependência de irrigação, precisa apenas administrar a água da chuva. Não há também a questão populacional, com uma competição entre agricultura e cidades. E enquanto na China há 250 mil unidades agrícolas, no Brasil são apenas 5 mil”, enumera Marcos Jank, professor da Esalq-USP e especialista em agronegócio.

A crescente demanda por alimentos de um país que pretende crescer 7,5% este ano provocou uma disparada nos preços das commodities brasileiras. Em 2011, a soja, principal produto exportado a Pequim, teve o preço elevado em 31,6%. A China também foi o principal destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 44,3 bilhões no ano passado.

“A tendência de queda dos preços das commodities foi revertida nesta última década com a escassez de água e degradação dos solos mundialmente. E a China foi a principal responsável por essa uma mudança no padrão de comércio”, afirma Jank. “O Brasil tem tudo para aproveitar isso, mas hoje a agricultura brasileira está se tornando um negócio de alto custo devido às taxas de câmbio, juros altos e problemas de infraestrutura. São problemas domésticos que estão tirando a possibilidade de usar melhor o boom asiático a nosso favor”.

A soja brasileira exportada sustenta, sob a forma de ração, boa parte do rebanho bovino da China, que tem aumentado exponencialmente seu consumo de carne. Segundo projeção da “Economist”, o consumo de carne bovina na China entre 1985 e 2009 demandou em recursos hídricos o equivalente ao uso anual de água em toda a Europa.

Água sustentável – A pegada hídrica tem ajudado a mudar o entendimento de que a água é algo finito e gratuito. O desafio agora, segundo especialistas, é melhorar a precisão dos números para, assim, adotar o conceito no comércio formal.

“Atualmente, ninguém paga o preço total pelo consumo de água. A escassez e a poluição precisam ser incluídas no preço das commodities. Isso criaria um incentivo para consumir e poluir menos. Mas as legislações também podem ser melhoradas e em alguns produtos pode ser útil incluir o uso de água sustentável no rótulo”, sugere Hoekstra.

A Austrália, sexto maior exportador de água virtual (89 trilhões de litros por ano), segue um modelo de distribuição de recursos hídricos inovador. Foi o primeiro país a instaurar um sistema de comércio da água em 1982: o governo define uma parcela a ser usada pelos agricultores, que podem vender parte dessas licenças de uso que acreditam estarem excedentes. As transações pelos direitos de uso da água no país movimentaram US$ 1,5 bilhão entre 2010 e 2011, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Água em dezembro passado. Hoje, o sistema passa por uma reforma para reduzir distorções de mercado e dar mais transparência às negociações.

Críticos afirmam que o modelo de privatização dos recursos hídricos deixa os agricultores sujeitos às flutuações de mercado. O australiano Mike Young, do Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Adelaide e autor do capítulo sobre água do estudo ONU para a Rio+20, acredita que este sistema é capaz de mensurar de forma eficiente o recurso e garantir a sua preservação.

“Assim como a Austrália, o Brasil tem muita água, portanto está em vantagem em termos de usar este recurso de modo inteligente para produzir a maior quantidade de bens possível. O futuro do manejo da água está na alocação deste recurso e não em tentar quantificar precisamente quanta água está incluída nas commodities exportadas”, defende Young. “De fato, precisamos encontrar meios mais eficientes de usar a água, mas não é preciso ficar preocupado com quanta água é usada em cada produção se o governo estabelece um sistema de alocação. É preciso entender que o comércio cria grandes oportunidades de negócios”.

No Brasil, a cobrança pelo uso da água na irrigação de plantações funciona através de um sistema de outorgas, dada por órgãos gestores estaduais ou pela Agência Nacional de Águas, quando o recurso hídrico é de domínio da União. O sistema, vigente desde 1997, ainda enfrenta desafios, já que a fiscalização do uso da água no setor agrícola é mais difícil do que em áreas urbanas e industriais, mais concentradas territorialmente.

“O controle dos recursos naturais vai se tornar mais complexo no século XXI porque o uso se tornará mais competitivo. O Brasil ainda tem uma área de expansão agrícola, então o país precisa se planejar para as próximas décadas de modo que o crescimento da área irrigada seja sustentável”, prevê Mônica Porto, engenheira ambiental da Politécnica da USP. “Não há nada de errado em o Brasil exportar água através das commodities se há essa disponibilidade hídrica. A forma como isso é gerenciado internamente é o que importa, através do controle do uso e do aumento de produtividade”.

Escolhas políticas – A escassez de água em alguns países, de fato, pode levar a escolhas políticas para restringir a exportação de alimentos. O governo de Israel, por exemplo, desencoraja a exportação de laranjas – tradicionalmente cultivadas com um sistema de irrigação pesado -, para evitar que grandes quantidades de água virtual sejam exportadas para diferentes partes do mundo.

Mesmo no Brasil, abundante de recursos hídricos, precisa levar em conta o uso de água nas culturas diante de uma distribuição desigual em seu território. Menos povoada, a Região Amazônica concentra a maior parte da água superficial do País, enquanto a populosa Região Sudeste tem disponível 6% do total da água doce. No semiárido nordestino, os rios são pobres e temporários, o que acaba criando uma pluviosidade baixa.

“A pegada hídrica tem que ter relação com o local onde é produzida a cultura agrícola. Produzir uma pecuária leiteira no Agreste Nordestino vai demandar muito mais água do que fazer o mesmo no Centro-Oeste, onde a pluviosidade é muito maior”, afirma o engenheiro ambiental Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado da WWF Brasil. “Mas além do viés da localização é preciso ter em conta a própria produção, buscando gastar cada vez menos água bruta para fabricar o mesmo produto”.

A otimização pode acontecer através de técnicas de irrigação mais eficientes, como o uso de gotejamento em vez de jatos d’água; o melhoramento de sementes para o plantio em regiões com menos disponibilidade de água; e desenvolvimento de técnicas de contenção da água da chuva. Estima-se que o setor agrícola já contribua atualmente com 92% do consumo total de água no País.

Apesar de a produtividade agrícola no Brasil ter apresentado grandes avanços – com um crescimento de 3,6 % ao ano, segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011-, especialistas afirmam que é preciso melhorar o diálogo com o setor. A conturbada discussão do Código Florestal no Congresso dá indícios deste desafio.

“Ainda não avançamos o suficiente na discussão entre o setor ambiental e agrícola para que se possa ter um entendimento comum de que um necessita do outro. Precisamos produzir, mas para realmente tirar proveito da exportação de commodities precisamos entender a água como um insumo de produção. O Brasil quer ter no futuro a seca de um Centro-Oeste americano ou preservar este recurso no aspecto de insumo para produção? Essa é uma pergunta que veio para ficar e que vai se tornar cada vez mais frequente daqui para frente”, aposta Becker.
 
Fonte Ambiente Brasil

Estreito. Nova hidrelétrica afeta vida de moradores

A construção da hidrelétrica de Estreito (MA), inaugurada neste mês pela presidente Dilma Rousseff, forçou ex-moradores de áreas afetadas pela barragem a viver em acampamentos sem eletricidade ou em assentamentos com racionamento de água.

Os problemas começaram há cerca de dois anos, quando a usina estava em obras e os moradores tiveram de se retirar. A hidrelétrica, no rio Tocantins, afeta 12 municípios na divisa entre o Maranhão e o Tocantins.

A reportagem é de Aguirre Talento e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 28-10-2012.

O principal é Estreito, sede da usina. Lá, a população teme que, no período chuvoso a ser iniciado em dezembro, o rio provoque enchentes por causa da barragem. Na zona rural, a erosão causada pela barragem à beira do rio já derrubou plantações.

O Ceste (Consórcio Estreito Energia), responsável pela hidrelétrica, diz que 2.000 famílias afetadas foram removidas e indenizadas. Parte delas, segundo o Ceste, foi reassentada em outros locais.

Há outras 900 famílias, porém, que reivindicam indenização. Elas não receberam nada porque não eram donas das terras onde moravam ou não tinham documentos que provavam a posse das áreas.

Para pressionar o governo federal a indenizá-las, montaram acampamentos provisórios, onde vivem sem eletricidade, perto da usina.

Segundo o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), há cerca de 400 famílias em acampamentos nas cidades de Babaçulândia, Barra do Ouro e Filadélfia (no Tocantins) e Carolina (MA).

FORRO E LAMPARINA

Em Babaçulândia, o acampamento foi montado à beira do rio Tocantins. As casas são de palha e de madeira e as famílias vivem da agricultura. Plantam feijão, milho, mandioca e tomate. O passatempo é forró no rádio de pilha. “Luz é na base da lamparina”, diz Gilberto de Araújo, 38.

Ele morava numa casa no mesmo terreno da sogra, com a mulher e dois filhos. Viviam da agricultura e tiveram de sair por causa da barragem – o local foi alagado. “Eu plantava muito, rendia mais de R$ 2.000 por mês”, diz. Só a dona da terra foi indenizada, e Gilberto ficou sem casa.

O MAB pede ao governo federal a legalização dos acampamentos hoje existentes.

Mesmo os reassentados têm problemas. Em Babaçulândia, o abastecimento de água é feito por carros-pipa enviados de segunda a sábado pelo consórcio. “Domingo a gente vai tomar banho no rio com medo de que a água da casa acabe”, afirma o agricultor Agnaldo Barros, 38.

Consórcio diz que remanejou mais de 500 famílias

O Ceste (Consórcio Estreito Energia) afirma que aprovou a indenização de 70% das famílias que solicitaram a inclusão no plano de remanejamento de afetados pela hidrelétrica de Estreito.

Segundo o consórcio, até mesmo famílias que não eram proprietárias das terras onde moravam foram indenizadas.

Em nota, diz que “foram remanejadas mais de 500 famílias não proprietárias”.

Já o governo federal afirma que existem cerca de 900 famílias no entorno da hidrelétrica que reivindicam indenização por terem sido impactadas e que será realizada “em breve” uma reunião para discutir a situação.

Sobre o abastecimento de água, o Ceste informa que a água captada no poço artesiano apresentou características salobras, e que providenciou a instalação de filtros para melhorar suas condições. Os moradores, porém, dizem que a qualidade da água continua ruim.

O Ceste afirma aguardar um posicionamento do Ibama para saber se interrompe o fornecimento de água por meio dos caminhões-pipa.

(Ecodebate, 29/10/2012) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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Fonte: Ecodebate

Polícia apreende mais de 1 tonelada de carvão em reserva ambiental

A Polícia Ambiental apreendeu 1,6 tonelada de carvão feito a partir de madeira nativa da Mata Atlântica, em Juquiá, no Vale do Ribeira. Cinco pessoas foram detidas e vão responder pelo crime em liberdade.

Os policiais chegaram ao local durante uma operação para combater a caça de animais silvestres. Em uma mata do bairro Paiol, as equipes descobriram madeiras e uma grande área desmatada. Boa parte dela já havia virado carvão.

Os fornos para a transformação da madeira nativa em carvão são feitos com barro, de forma improvisada, e estavam escondidos no meio da mata. Um deles foi encontrado ainda em atividade pelos policiais.

O tenente Robson Alessandro Barbosa, da Polícia Militar, explica como funciona o processo clandestino. “Ele é fabricado, retirado com trator e levado para um armazenamento clandestino. E, posteriormente, é transportado para grandes cidades em caminhões furgão como uma forma de dificultar a fiscalização ambiental.”

As cinco pessoas que trabalhavam no local foram levadas para a delegacia, onde assinaram um documento e vão responder em liberdade. Além do carvão, distribuídos em 170 sacos prontos para venda e carregados para transporte, além de uma arma sem registro foram apreendidos pela polícia.

O tenente da PM ainda explica que o ato configura crime de atividade potencialmente poluidora. “O fato de cozinhar o carvão sem autorização, e o transporte de carvão sem a devida licença também é crime ambiental”, afirma. 

Fonte: G1

Brasil participa da construção de superobservatório astronômico

O Brasil e outros 26 países se uniram para construir um superobservatório de raios gama -a radiação mais poderosa já conhecida. Ela está intimamente ligada a alguns dos mais misteriosos e violentos eventos do Universo e, por isso, seu estudo é considerado estratégico.

Batizado de CTA (Cherenkov Telescope Array), o futuro observatório tem o objetivo pouco modesto de investigar as engrenagens de fenômenos como a matéria escura e os buracos negros.

Os temas a serem estudados, considerados “quentes” na astronomia e na astrofísica, têm potencial para turbinar a participação brasileira em artigos internacionais.

O plano final do CTA é ter dois centros em operação: um em cada hemisfério. A instalação da parte sul do conjunto é a prioridade.

Em vez de um grande e único telescópio, o observatório terá por volta de cem dispositivos menores, espalhados em uma área de quase 10 km².

“Esse arranjo dá muita flexibilidade para as observações. É possível voltar todos os telescópios para um único ponto e obter informações detalhadas ou, simplesmente, conseguir uma espécie de panorama do céu”, diz Vitor de Souza Filho, astrônomo do Instituto de Física da USP de São Carlos e chefe da participação brasileira.

Ao colidirem com as camadas mais altas da atmosfera, os raios gama provocam uma espécie de “chuva” que pode ser captada pelos telescópios.

A partir do estudo dessas partículas, os cientistas conseguirão fazer o caminho inverso e descobrir informações sobre a luz original.

“Não estamos buscando um resultado específico. O objetivo é fazer ciência básica, abrir uma nova porta de investigações. A curiosidade humana nunca decepcionou”, diz Souza Filho.

‘Open source’ – Ao contrário de outros centros, em que os dados coletados ficam restritos ao pesquisador que os solicitou, no CTA as verificações estarão abertas a todos os membros.

“Mais grupos de pesquisa vão ter acesso a isso, e mais material vai ser produzido. A coisa vai ser bem ‘colaborativa’ “, diz o astrônomo.

O local de construção ainda não foi definido. Dois países estão na briga: Argentina e Namíbia. As duas nações têm regiões com clima seco que facilita a observação. A escolha será feita no ano que vem. O início das operações está previsto para 2015.

Se os “hermanos” forem escolhidos, o Brasil será a opção natural para o fornecimento de equipamentos. Segundo a equipe brasileira, empresas nacionais já conseguem viabilizar a maioria dos componentes envolvidos.

O financiamento no país é feito em conjunto pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Colaborações - Com limitações financeiras e climáticas para ter centros astronômicos só seus, o Brasil investe em colaborações nos grandes projetos internacionais.

O país assinou acordo para se tornar o primeiro membro não europeu do ESO (Observatório Europeu do Sul), que tem os maiores telescópios ópticos de solo do mundo.

Outro grande projeto é o DES (Dark Energy Survey), que desenvolveu a câmera digital mais poderosa do mundo para estudar a energia escura.

O país também tem uma colaboração com a Espanha, o Observatório Astronômico de Javalambre, em obras, para investigar a matéria escura. 
 
Fonte: Giuliana Miranda/ Folha.com

Cultivo de soja em áreas recém-desmatadas da Amazônia cresce 57%

O Ministério do Meio Ambiente e representantes de setores da sociedade civil anunciaram nesta quinta-feira (26) os resultados do último ano (período 2011/12) da chamada moratória da soja, um acordo com produtores para evitar o desmatamento da Amazônia para a produção dessa commodity.

O monitoramento das áreas desmatadas nos estados de MT, PA e RO apontou um aumento de 57% das plantações de soja em áreas desmatadas depois de 2006. Na safra passada (2010/2011), haviam sido detectados 11.698 hectares (116,6 km²) plantados, contra 18.410 hectares (184,1 km²) deste ano. O aumento entre o dado deste ano e o do anterior, no entanto, foi menor que entre 2009/2010 e 2010/2011, quando chegou a 85%.

Durante o anúncio desta quinta, a moratória foi renovada por mais um ano. Pelo acordo, as empresas de agronegócio se comprometem a não comprar, a soja que tenha origem em áreas desmatadas desde 2006.

Carlo Lovatelli, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias do óleos vegetais (Abiove) afirma que, apesar do aumento, a soja não está entre os principais causadores do desmatamento na Amazônia, mas é um fator que merece sempre atenção. “Ela não é o principal motivo do desmatamento, mesmo assim, nos incomodamos com o aumento,” afirmou.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a moratória demonstrou que é possível aumentar a produção de soja, sem degradar a floresta. “Em cinco anos, tivemos a menor taxa de desmatamento da Amazônia e a maior produção de soja. O que precisamos agora é eliminar dessa base aqueles que não querem cumprir a lei”, disse.

A ministra também frisou a importância da criação do Cadastro Ambiental Rural, que permitirá conhecer quantos e quais são as propriedades rurais no Brasil. “Com ele poderemos ter o controle de todas as propriedades, levando ao aperfeiçoamento da gestão da informação de produção de alimentos no Brasil,” afirmou. 

Fonte: Globo Natureza

Mais de 40 baleias encalham e morrem em ilha no Oceano Índico

Mais de 40 baleias-piloto-de-nadadeira-curta (Globicephala macrorhynchus) encalharam e morreram em uma praia nas Ilhas Andaman, na Baía de Bengala, no Oceano Índico.

O incidente foi presenciado por pescadores no domingo (21), mas o Departamento de Meio Ambiente e Florestas das Ilhas Andaman e Nicobar divulgou a foto abaixo na quinta-feira (25).

Os animais medem entre 4 e 6 metros de comprimento e pesam cerca de quatro toneladas.

As autoridades locais nunca haviam relatado um encalhe em massa como esse, que seria um fenômeno natural que ocorre quando as baleias ficam desorientadas e se tornam incapazes de voltar a nadar em águas profundas. 

Fonte: Globo Natureza

Uma tonelada de peixes mortos aparece em praias do litoral sul de São Paulo

A Polícia Ambiental do Estado de São Paulo procura os responsáveis pela embarcação da qual se descartou cerca de uma tonelada de peixes mortos encontrados, nesta quinta-feira (25), em praias de Peruíbe (135 km de São Paulo). Retroescavadeiras e caminhões da prefeitura ainda recolhem os restos, e o mau cheiro persiste em parte da orla.

O gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) marinha do Litoral Centro, Marcos Campolim, afirma se tratar de pescado não aproveitado por causa de seu baixo valor comercial. Vinculada à Fundação Florestal paulista, a APA é a maior unidade de conservação marinha do país, com área de quase 4.500 km².

Os peixes teriam sido apanhados a cerca de três quilômetros da costa e levados à praia por correntes marítimas. O biólogo Thiago Guimarães, do Aquário Municipal de Peruíbe, relata terem sido encontradas na areia espécies como corvina, pescada e roncador.

Campolim cita duas hipóteses para o descarte: a de que o pescado tenha sido recolhido em redes de arrasto para camarões ou tenha ficado preso em redes de malha deixadas na água para retirada posterior. A Polícia Ambiental está tentando fotografar as embarcações para transmitir seu nome e seu tamanho ao Ministério da Pesca e Aquicultura, responsável pelo registro dos barcos.

Os proprietários dos pesqueiros podem ser autuados por crime ambiental, pagar multas, ter o barco apreendido, e o registro para atividades de pesca, cassado. “O descarte é alto, sim. No arrasto de malha [em que se deixam redes a certa profundidade para capturar animais marinhos], peixes são recolhidos e ocupam espaço no porão dos barcos até que se pesquem outros, maiores e com mais valor comercial”, afirma o gestor da APA.

Distância maior – Para reduzir o risco de pesca de peixes menores e nem sempre em idade suficiente para reprodução, a Fundação Florestal estuda ampliar as distâncias mínimas da costa para a pesca do camarão. Hoje, ela é de 200 metros para embarcações de pequeno porte e de 1,5 milha náutica (quase 2,8 km) para barcos industriais (geralmente, acima de dez metros de comprimento).

Outro plano consiste em um “programa de pesca responsável” capaz de abranger toda a cadeia produtiva de pescados. Uma ação experimental pode começar neste ano em Itanhaém (106 km de São Paulo), e, em 2013, ser adotada em outras sete cidades da Baixada Santista.

Campolim adverte que os peixes mortos não devem ser tocados (para se evitarem infecções) nem consumidos. A localização de animais marinhos nas praias da região deve ser comunicada à Polícia Ambiental (telefone 13-3358-3158), à APA (13-3261-3445) ou ao escritório do Ibama (órgão federal) em Santos (13-3227-5775).


Fonte: Rafael Motta/ UOL

Usina de Fukushima ainda pode estar vazando radiação no mar, diz estudo

A empresa Tokyo Electric Power Co., que opera a usina nuclear japonesa de Fukushima, atingida por um terremoto e um tsuami em março do ano passado, anunciou nesta sexta-feira (26) que não pode descartar a possibilidade de que ainda possa haver vazamento de radiação no mar.

Um forte terremoto, seguido por um tsunami, provocou colapsos na usina, causando vazamento de radiação e a contaminação de alimentos e água, o que forçou uma retirada em massa dos moradores da região. Em dezembro, governo japonês declarou que o desastre estava sob controle.

A declaração da empresa veio após a publicação de um artigo na revista americana “Science” que afirma que altos níveis de radiação em peixes fisgados perto da cidade indicam que radiação continua vazando da usina nuclear Fukushima Daiichi, ao norte de Tóquio.

Quando a Tokyo Electric, conhecida como Tepco, foi questionada se confirmaria que a usina não está mais vazando radiação no mar, uma porta-voz disse: “A Tepco não pode dizer tal coisa, mas confirmamos que os níveis de radiação estão diminuindo tanto na água do mar quanto no leito marinho ao redor da usina”.

O cientista sênior e autor do artigo Ken Buesseler, do Woods Hole Oceanographic Institution dos Estados Unidos, disse que a pouca mudança nos níveis de césio radioativo encontrados em peixes ao redor de Fukushima sugere um vazamento contínuo.

“O fato de que muitos peixes estão contaminados com césio 134 e 137 ainda hoje implica que esse material radioativo ainda esteja sendo liberado para a cadeia alimentar”, disse Buesseler.

A pesca próximo de Fukushima é proibida, exceto para teste de algumas espécies, como certos tipos de polvo e lulas, que são exportados apenas quando são considerados seguros.

Fonte: G1

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