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quarta-feira, 20 de março de 2013
Segurança hídrica é discutida em seminário da Fiesp sobre o reúso da água
O uso consciente dos recursos hídricos foi discutido na terça-feira (19) durante o Seminário Internacional sobre o Reúso de Água, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Durante o evento, o presidente do Conselho Mundial de Água, Benedito Braga, defendeu o conceito de segurança hídrica que, segundo ele, existe quando todos têm acesso físico e econômico à água em quantidade e qualidades suficiente para atender a demandas humanas, econômicas e ecológicas para que todos tenham uma vida ativa e saudável.
Braga ressaltou que a segurança hídrica se apoia em três pilares: humana, relacionada às necessidades básicas ligadas à higiene, saúde e alimentação. Socioeconômica, que busca fontes confiáveis de água que podem trazer padrões adequados de vida para a maioria da população. E ecológica, quando se preocupa com o retorno adequado da água para se manter o equilíbrio ecológico e a biodiversidade.
“Prover segurança à população é um dos deveres básicos do Estado. O aumento das necessidades sociais econômicas e ambientais dos povos em relação à água passa a ser um componente estrutural dessa segurança. Precisamos garantir o acesso seguro e sustentável à água para todos os indivíduos e setores da economia. Precisamos melhorar a capacidade de produção e garantir o uso múltiplo das águas e reduzir os riscos de catástrofes relacionadas à água”, ressaltou.
Dia Mundial da Água, criado há 20 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), será comemorado na sexta-feira, dia 22 de março. Braga lembrou que o ano de 2013 foi determinado pela ONU como o Ano Internacional da Cooperação da Água.
Fonte: Agência Brasil
Braga ressaltou que a segurança hídrica se apoia em três pilares: humana, relacionada às necessidades básicas ligadas à higiene, saúde e alimentação. Socioeconômica, que busca fontes confiáveis de água que podem trazer padrões adequados de vida para a maioria da população. E ecológica, quando se preocupa com o retorno adequado da água para se manter o equilíbrio ecológico e a biodiversidade.
“Prover segurança à população é um dos deveres básicos do Estado. O aumento das necessidades sociais econômicas e ambientais dos povos em relação à água passa a ser um componente estrutural dessa segurança. Precisamos garantir o acesso seguro e sustentável à água para todos os indivíduos e setores da economia. Precisamos melhorar a capacidade de produção e garantir o uso múltiplo das águas e reduzir os riscos de catástrofes relacionadas à água”, ressaltou.
Dia Mundial da Água, criado há 20 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), será comemorado na sexta-feira, dia 22 de março. Braga lembrou que o ano de 2013 foi determinado pela ONU como o Ano Internacional da Cooperação da Água.
Fonte: Agência Brasil
Apenas 67% dos municípios brasileiros controlam qualidade da água
Em todo o país, apenas 67% das cidades dispõem de mecanismos para fiscalizar e avaliar a qualidade da água, informou nesta terça-feira (19) o diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Netto. Segundo ele, a meta é levar o serviço a 70% dos municípios neste ano. Até 2015, a taxa deve chegar a 75% das cidades do país.
O que caracteriza o controle é a capacidade de cadastrar as fontes de fornecimento de água e gerar dados de controle e vigilância sobre o serviço de abastecimento. Para Netto, esse desafio se tornará cada vez maior conforme a taxa avançar: “Depois que chegarmos aos 80%, avançar 2 pontos percentuais será um desafio maior do que é agora”.
O diretor do Ministério da Saúde participou de um painel sobre saneamento ambiental e promoção da saúde no 4º Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública, promovido esta semana pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Participante da mesma mesa, o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Léo Heller, destacou a necessidade de se ampliar também a qualidade da distribuição de água, diferenciando cobertura de acesso.
“Acesso significa que a pessoa dispõe de um serviço de qualidade, e não apenas da ligação com o sistema de distribuição”, explicou.
Segundo Heller, pelos dados do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), 33% da população brasileira não têm acesso à água nos termos mencionados por ele, seja por não estar conectado a um sistema de distribuição ou por não receber água de qualidade. Cerca de 50% não dispõem de tratamento de esgoto.
O professor defendeu uma abordagem menos tecnocêntrica nos planos de saneamento, com uma visão mais ampla dos problemas dos locais onde os projetos serão implementados: “É preciso que a percepção da população seja captada. Em grandes investimentos de infraestrutura, se perde essa dimensão, o que compromete os esforços públicos.”
Heller elogiou o Plansab, mas afirmou que ele deve moldar o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e não ser moldado por ele: “O PAC prioriza a visão física e perde a visão de política pública. Obra, em si, não é o suficiente. É preciso que seja algo estruturado.”
O doutor em engenharia lamentou ainda que alguns projetos que estão sendo preparados com base no Plansab sejam “arcaicos”: “Não basta planejar. O planejamento tem que modificar as decisões futuras. Muitos dos planejamentos que temos analisado infelizmente não farão isso. Podem cumprir as datas estipuladas, mas não vão alterar a tomada de decisões no futuro”.
Fonte: Agência Brasil
O que caracteriza o controle é a capacidade de cadastrar as fontes de fornecimento de água e gerar dados de controle e vigilância sobre o serviço de abastecimento. Para Netto, esse desafio se tornará cada vez maior conforme a taxa avançar: “Depois que chegarmos aos 80%, avançar 2 pontos percentuais será um desafio maior do que é agora”.
O diretor do Ministério da Saúde participou de um painel sobre saneamento ambiental e promoção da saúde no 4º Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública, promovido esta semana pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Participante da mesma mesa, o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Léo Heller, destacou a necessidade de se ampliar também a qualidade da distribuição de água, diferenciando cobertura de acesso.
“Acesso significa que a pessoa dispõe de um serviço de qualidade, e não apenas da ligação com o sistema de distribuição”, explicou.
Segundo Heller, pelos dados do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), 33% da população brasileira não têm acesso à água nos termos mencionados por ele, seja por não estar conectado a um sistema de distribuição ou por não receber água de qualidade. Cerca de 50% não dispõem de tratamento de esgoto.
O professor defendeu uma abordagem menos tecnocêntrica nos planos de saneamento, com uma visão mais ampla dos problemas dos locais onde os projetos serão implementados: “É preciso que a percepção da população seja captada. Em grandes investimentos de infraestrutura, se perde essa dimensão, o que compromete os esforços públicos.”
Heller elogiou o Plansab, mas afirmou que ele deve moldar o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e não ser moldado por ele: “O PAC prioriza a visão física e perde a visão de política pública. Obra, em si, não é o suficiente. É preciso que seja algo estruturado.”
O doutor em engenharia lamentou ainda que alguns projetos que estão sendo preparados com base no Plansab sejam “arcaicos”: “Não basta planejar. O planejamento tem que modificar as decisões futuras. Muitos dos planejamentos que temos analisado infelizmente não farão isso. Podem cumprir as datas estipuladas, mas não vão alterar a tomada de decisões no futuro”.
Fonte: Agência Brasil
Rio Grande do Sul quer incluir carvão mineral no leilão de energia deste ano
O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse na terça-feira (19) ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que o governo federal poderá considerar a inclusão de usinas térmicas movidas a carvão mineral na formulação das diretrizes para a realização do próximo leilão de energia A-5, marcado para o segundo semestre deste ano. Segundo o MME, o ministro concordou que a geração elétrica a carvão é importante para o desenvolvimento regional, mas ressaltou que o preço desse tipo de energia precisa ser competitivo.
Tarso Genro manifestou o interesse de seu governo incrementar a geração de energia elétrica a carvão, considerando as grandes reservas do mineral na Região Sul do país. Ele ressaltou a importância das usinas termelétricas a carvão para a geração elétrica na base, além de ser uma indústria que pode gerar empregos e dar suporte ao desenvolvimento econômico do estado. O governador gaúcho considerou ainda o fato de que atualmente existem tecnologias que atendem aos requisitos ambientais no uso do carvão mineral como combustível.
Fonte: Agência Brasil
Tarso Genro manifestou o interesse de seu governo incrementar a geração de energia elétrica a carvão, considerando as grandes reservas do mineral na Região Sul do país. Ele ressaltou a importância das usinas termelétricas a carvão para a geração elétrica na base, além de ser uma indústria que pode gerar empregos e dar suporte ao desenvolvimento econômico do estado. O governador gaúcho considerou ainda o fato de que atualmente existem tecnologias que atendem aos requisitos ambientais no uso do carvão mineral como combustível.
Fonte: Agência Brasil
Uso de carros ‘verdes’ pode reduzir poluição nos EUA em 80% até 2050
Automóveis que usam combustíveis alternativos e ecologicamente corretos podem reduzir as emissões de gases-estufa nos Estados Unidos em cerca de 80% até 2050, caso sejam adotados para deslocamentos diários no país, afirma uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18).
O uso destes veículos reduziria em mais de 10% a contaminação que os EUA provocam na atmosfera mundial. Carros particulares e os pequenos caminhões são responsáveis por aproximadamente 17% das emissões de gases-estufa no país, afirma o estudo.
A análise foi divulgada pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA e pela Academia Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês). Os veículos “verdes” custam mais caro do que os veículos tradicionais, fator que pode desestimular os consumidores. Mas os benefícios a longo prazo são maiores que os custos iniciais, aponta o relatório.
O estudo prevê que futuros automóveis e pequenos caminhões vão ser capazes de circular por 42,5 quilômetros com um litro de combustível. Veículos com tecnologias mais eficientes – leves, com design aerodinâmico – poderiam combinar fontes de energia alternativas, como biocombustíveis, eletricidade e hidrogênio, reduzindo também o uso do petróleo em 80% até 2050, segundo o informe.
Sem solução única – Não há uma única solução prevista, mas entre os combustíveis incluídos estão o etanol e o biodiesel, que já são produzidos em grande escala. O gás natural foi descartado, pois suas emissões de gases-estufa são altas demais.
O estudo também destacou “um potencial muito maior” nos combustíveis produzidos a partir de resíduos de madeira, palha de trigo e milho, conhecidos como combustíveis de biomassa lignocelulósica.
“Este combustível é projetado para ser um substituto direto da gasolina e poderia levar a grandes reduções no uso do petróleo e nas emissões de gases de efeito estufa”, afirmaram os cientistas, na pesquisa.
O levantamento examinou os veículos elétricos híbridos, os veículos elétricos “de tomada” e os veículos elétricos a bateria que já estão no mercado, como o Toyota Prius e o Chevrolet Volt, assim como os veículos elétricos a pilha de hidrogênio, como o Mercedes F-Cell, cujo lançamento no mercado está previsto para 2014.
Segundo a pesquisa da Academia Nacional de Ciências, durante ao menos uma década os preços dos veículos permanecerão altos, embora o combustível para fazê-los funcionar seja mais barato e mais ecológico.
Ainda assim, o estudo disse que os benefícios para a sociedade em termos de economia de energia, redução no consumo de petróleo e diminuição das emissões-estufa seriam “muito maiores do que os custos projetados”.
As metas estabelecidas serão “difíceis mas não impossíveis de cumprir”, desde que se orientem por fortes políticas públicas, afirma a pesquisa, financiada pelo setor de energias renováveis do Departamento de Energia dos EUA.
Fonte: G1
O uso destes veículos reduziria em mais de 10% a contaminação que os EUA provocam na atmosfera mundial. Carros particulares e os pequenos caminhões são responsáveis por aproximadamente 17% das emissões de gases-estufa no país, afirma o estudo.
A análise foi divulgada pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA e pela Academia Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês). Os veículos “verdes” custam mais caro do que os veículos tradicionais, fator que pode desestimular os consumidores. Mas os benefícios a longo prazo são maiores que os custos iniciais, aponta o relatório.
O estudo prevê que futuros automóveis e pequenos caminhões vão ser capazes de circular por 42,5 quilômetros com um litro de combustível. Veículos com tecnologias mais eficientes – leves, com design aerodinâmico – poderiam combinar fontes de energia alternativas, como biocombustíveis, eletricidade e hidrogênio, reduzindo também o uso do petróleo em 80% até 2050, segundo o informe.
Sem solução única – Não há uma única solução prevista, mas entre os combustíveis incluídos estão o etanol e o biodiesel, que já são produzidos em grande escala. O gás natural foi descartado, pois suas emissões de gases-estufa são altas demais.
O estudo também destacou “um potencial muito maior” nos combustíveis produzidos a partir de resíduos de madeira, palha de trigo e milho, conhecidos como combustíveis de biomassa lignocelulósica.
“Este combustível é projetado para ser um substituto direto da gasolina e poderia levar a grandes reduções no uso do petróleo e nas emissões de gases de efeito estufa”, afirmaram os cientistas, na pesquisa.
O levantamento examinou os veículos elétricos híbridos, os veículos elétricos “de tomada” e os veículos elétricos a bateria que já estão no mercado, como o Toyota Prius e o Chevrolet Volt, assim como os veículos elétricos a pilha de hidrogênio, como o Mercedes F-Cell, cujo lançamento no mercado está previsto para 2014.
Segundo a pesquisa da Academia Nacional de Ciências, durante ao menos uma década os preços dos veículos permanecerão altos, embora o combustível para fazê-los funcionar seja mais barato e mais ecológico.
Ainda assim, o estudo disse que os benefícios para a sociedade em termos de economia de energia, redução no consumo de petróleo e diminuição das emissões-estufa seriam “muito maiores do que os custos projetados”.
As metas estabelecidas serão “difíceis mas não impossíveis de cumprir”, desde que se orientem por fortes políticas públicas, afirma a pesquisa, financiada pelo setor de energias renováveis do Departamento de Energia dos EUA.
Fonte: G1
Leão-marinho atravessa avenida em Balneário Camboriú/SC
Um leão-marinho saiu da água, passou pela areia da praia e atravessou a avenida na faixa de pedestres. O fato inusitado aconteceu neste sábado (16) em Balneário Camboriú, Santa Catarina. De acordo com a Guarda Municipal, o animal atravessou a avenida Atlântica por volta das 17h10.
A aparição chamou a atenção de turistas e moradores que logo se aglomeraram para ver o animal. Algumas pessoas jogaram água no leão-marinho. Bombeiros foram acionados para dar apoio e a avenida litorânea foi fechada. Por volta das 19h o animal, de cerca de 3 metros de comprimento, retornou a água, aparecendo novamente em três lugares distintos no mar e causando novamente aglomeração de pessoas.
Fonte: Portal iG
A aparição chamou a atenção de turistas e moradores que logo se aglomeraram para ver o animal. Algumas pessoas jogaram água no leão-marinho. Bombeiros foram acionados para dar apoio e a avenida litorânea foi fechada. Por volta das 19h o animal, de cerca de 3 metros de comprimento, retornou a água, aparecendo novamente em três lugares distintos no mar e causando novamente aglomeração de pessoas.
Fonte: Portal iG
Comlurb conclui remoção de 72 t de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio
A Comlurb, empresa responsável pela limpeza pública do Rio de Janeiro, informou neste sábado que concluiu a operação para retirar as 72 toneladas de peixes mortos do espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo a empresa, os índices de oxigênio na água, que chegaram a 4 na quarta-feira, estão abaixo dos níveis 2, o que levou a bandeira vermelha (indicativa de qualidade) a ser retirada.
A Comlurb informou que a operação foi realizada dentro do prazo previsto e que 194 garis, apoiados de quatro embarcações, caminhões e kombis, realizaram a remoção dos peixes. A empresa informa que apenas os garis que atuam na limpeza de rotina da área seguem atuando no local e que estão trabalhando para remover os peixes que ficam presos na vegetação para garantir que não haja mau cheiro.
Segundo a secretaria municipal de Meio Ambiente, a mortandade foi causada pelas chuvas dos últimos dias que teriam levado grande quantidade de matéria orgânica. Esta é a segunda maior mortandade de peixes da história na lagoa. Em 2009, a prefeitura recolheu mais de 100 toneladas no maior desastre ambiental em um dos cartões postais do Rio de Janeiro.
A Comlurb informou que a operação foi realizada dentro do prazo previsto e que 194 garis, apoiados de quatro embarcações, caminhões e kombis, realizaram a remoção dos peixes. A empresa informa que apenas os garis que atuam na limpeza de rotina da área seguem atuando no local e que estão trabalhando para remover os peixes que ficam presos na vegetação para garantir que não haja mau cheiro.
Segundo a secretaria municipal de Meio Ambiente, a mortandade foi causada pelas chuvas dos últimos dias que teriam levado grande quantidade de matéria orgânica. Esta é a segunda maior mortandade de peixes da história na lagoa. Em 2009, a prefeitura recolheu mais de 100 toneladas no maior desastre ambiental em um dos cartões postais do Rio de Janeiro.
Fonte: Terra
UE proíbe venda de cosméticos com ingredientes testados em animais
A União Europeia baniu a venda de novos cosméticos contendo ingredientes testados em animais, com efeito imediato nesta segunda-feira (11).
Os grupos de defesa dos animais comemoraram a medida, mas representantes da indústria, que movimenta cerca de R$80 bilhões, afirmou que a proibição frearia a inovação do setor.
Além disso, embora a proibição vá salvar a medida de milhares de animais como cachorros, coelhos e porcos-da-índia, os efeitos para o consumidor não serão imediatamente notados, porque os produtos que contêm ingredientes que foram testados em animais antes da medida continuarão à venda.
A Comissão Europeia afirmou que a decisão “está alinhada com o que muitos cidadãos europeus acreditam: que o desenvolvimento de produtos cosméticos não precisa ser feito com testes em animais”.
O bloco econômico proíbe testes em animais de cosméticos prontos desde 2004, mas a proibição de testes de ingredientes em animais só foi proposta há quatro anos, mas deixou brechas para alguns procedimentos, após a resistência dos fabricantes.
Os mercados americano e asiático ainda não têm medidas similares.
Grupos como a Humane Society International celebrou a decisão, como um passo para acabar com o sofrimento animal, dizendo que a União Europeia se tornou “o maior mercado mundial de cosméticos livres de crueldade”. Segundo Kathy Guillermo, vice-presidente da divisão de investigação de laboratórios da ONG Peta (sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético de Animais), a proibição progressiva dos testes “abriu caminho para uma nova era de ciência sem animais” na Europa.
Mas representantes do setor alertam que a proibição veio cedo demais, porque ainda não existem alternativas para alguns testes específicos, sem os quais não é possível garantir a segurança de todos os ingredientes.
Mas a Comissão Europeia afirmou que deverá levar o tema com seus parceiros comerciais, como Estados Unidos e China, para promover a universalização da proibição. “A Comissão fara deste tema uma parte integral de sua agenda e cooperação internacional,” disse em comunicado.
Novos cosméticos produzidos fora da Europa contendo ingredientes testados em animais ainda podem ser vendidos na Europa, desde que seus fabricantes consigam provar sua segurança à UE sem usar dados fornecidos por estes testes. E a proibição não valerá para ingredientes considerados farmacêuticos e não cosméticos, por estarem sob leis diferentes.
Fonte: Portal iG
Os grupos de defesa dos animais comemoraram a medida, mas representantes da indústria, que movimenta cerca de R$80 bilhões, afirmou que a proibição frearia a inovação do setor.
Além disso, embora a proibição vá salvar a medida de milhares de animais como cachorros, coelhos e porcos-da-índia, os efeitos para o consumidor não serão imediatamente notados, porque os produtos que contêm ingredientes que foram testados em animais antes da medida continuarão à venda.
A Comissão Europeia afirmou que a decisão “está alinhada com o que muitos cidadãos europeus acreditam: que o desenvolvimento de produtos cosméticos não precisa ser feito com testes em animais”.
O bloco econômico proíbe testes em animais de cosméticos prontos desde 2004, mas a proibição de testes de ingredientes em animais só foi proposta há quatro anos, mas deixou brechas para alguns procedimentos, após a resistência dos fabricantes.
Os mercados americano e asiático ainda não têm medidas similares.
Grupos como a Humane Society International celebrou a decisão, como um passo para acabar com o sofrimento animal, dizendo que a União Europeia se tornou “o maior mercado mundial de cosméticos livres de crueldade”. Segundo Kathy Guillermo, vice-presidente da divisão de investigação de laboratórios da ONG Peta (sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético de Animais), a proibição progressiva dos testes “abriu caminho para uma nova era de ciência sem animais” na Europa.
Mas representantes do setor alertam que a proibição veio cedo demais, porque ainda não existem alternativas para alguns testes específicos, sem os quais não é possível garantir a segurança de todos os ingredientes.
Mas a Comissão Europeia afirmou que deverá levar o tema com seus parceiros comerciais, como Estados Unidos e China, para promover a universalização da proibição. “A Comissão fara deste tema uma parte integral de sua agenda e cooperação internacional,” disse em comunicado.
Novos cosméticos produzidos fora da Europa contendo ingredientes testados em animais ainda podem ser vendidos na Europa, desde que seus fabricantes consigam provar sua segurança à UE sem usar dados fornecidos por estes testes. E a proibição não valerá para ingredientes considerados farmacêuticos e não cosméticos, por estarem sob leis diferentes.
Fonte: Portal iG
terça-feira, 19 de março de 2013
A Alma de Hitchcock
Ana Echevenguá
Adoro cinema. Bons
filmes. Não gosto de assistir à premiação do Oscar porque não entendo a avaliação
que eles fazem da produção cinematográfica. E ontem, assistindo ao filme ‘Hitchcock’,
soube que este não faz parte da lista dos ganhadores desse troféu. O que só
reforça meu ‘não gostar’.
O roteiro
ampare-se no livro "Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho", de Stephen Rebello. A reprodução dos
anos 60 é perfeita. E o enfoque dado às mulheres que trabalharam com Hitchcock é muito
importante. Elas demonstram eficiência nas várias jornadas que desempenham. As atrizes
deixam claro que são atrizes e mães. E que querem dar continuidade a esses
papéis.
Eu nunca ouvira
falar da esposa de Hitch. De sua Alma. Nome perfeito para a mulher que o
acompanha na cama, na cozinha e nos bastidores; que cuida de sua alimentação e
o obriga a atividades físicas; que mantém acesa a chama do amor num casamento
de 30 anos...
Há tantas Almas
espalhadas pelo mundo! Nascemos para produzir grandes obras. Na maior parte das
vezes, em parceria com os parceiros que elegemos.
Helen Mirren já havia feito algo
parecido. Em 2009, interpretou Sofya Andreyevna, esposa de Leon Tolstoi, no
filme “A última estação”. Assim como Alma, Sofya foi grande colaboradora das
obras do marido.
Helen é uma mulher que, na tela,
sem se despir totalmente, evidencia a doçura e o magnetismo da sedução feminina;
a energia sexual que deve permear os relacionamentos amorosos... é inesquecível
uma das cenas eróticas do filme "Red
- Aposentados e Perigosos", em que ela faz amor na grama.
A mulher do século
XXI padece dos mesmos males que experimentou a mulher dos séculos passados. Estamos
em 2013. Segundo dados atuais da ONU –
Organização das Nações Unidas -, sete em cada dez mulheres em todo o mundo foram
vítimas de abusos físicos ou sexuais em algum momento de sua vida (na maioria
dos casos, a violência é doméstica).
Mas, acho que a ONU
não contabilizou a injúria nesses dados, que também é uma forma de violência. Tão
destrutiva que é passível indenização pelos prejuízos que provoca.
Voltando ao Hitchcock! Alma – através da
talentosa Helen Mirren e do diretor Sacha Gervasi – passou seu recado: ao lado (e
não atrás) de um grande homem há sempre uma grande mulher.
Portanto, é um filme
que toda mulher deve assistir, analisar, ... principalmente as “ilustres
desconhecidas”, que contribuem para o sucesso de seus parceiros e/ou cônjuges. E
que – na maior parte das vezes – não são valorizadas.
Ana Echevenguá,
advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente do
Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Água, e-mail:
ana@ecoeacao.com.br.
domingo, 17 de março de 2013
“No”
Ana Echevenguá
“... E o fascismo é fascinante deixa a gente
ignorante e fascinada. É tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá
errada...” - ‘Toda forma de
poder’ de Humberto Gessinger (da banda extinta Engenheiros do Hawai).
O filme ‘No’ é uma boa oportunidade para
pensarmos sobre a verdadeira história da nossa América Latina.
Não é uma megaprodução cinematográfica, com
atores pouco conhecidos... nem sei se concorreu ao Oscar!
O tema é fantástico: como transformar o fim da
ditadura chilena num “produto vendável e atrativo ao consumidor (eleitor)”? Em
1988, Pinochet é obrigado a levar o povo às urnas para decidir – através de um
plebiscito – sobre a continuidade do seu governo ditatorial.
E o povo tem que decidir “Si” ou “No”.
Os pensadores da campanha eleitoral do “No”
apresentam uma proposta insólita para os quinze minutos televisivos da campanha
eleitoral. Primeira oportunidade de manifestação após quinze anos de mordaça.
Sem pieguice, ficou entendido que o mesmo caixa
que colocou Pinochet no poder remunera os marqueteiros que pretendem tirá-lo.
À primeira vista, parece inacreditável que o
eleitor chileno tenha que ser seduzido para adquirir o produto ‘fim da ditadura’.
Mas, uma fala de um dos generais de Pinochet – comendo bergamota no pomar - explica
tudo: “o povo não está interessado nessa
campanha, o povo está dormindo”.
“América Latina, Latina América
Amada América, de sangue e suor.
Amada América, de sangue e suor.
Talvez
um dia o gemido das masmorras
E o suor dos operários e mineiros
Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos
E as cicatrizes de tantos guerrilheiros
Talvez um dia o silêncio dos covardes
Nos desperte da inconsciência deste sono.”
E o suor dos operários e mineiros
Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos
E as cicatrizes de tantos guerrilheiros
Talvez um dia o silêncio dos covardes
Nos desperte da inconsciência deste sono.”
Dante
Ramon Ledesma
Dormindo e cicatrizados. Anestesiados e
oprimidos. Fascinados e inconscientes. Óbvio! Os chilenos já haviam
experimentado as farsas dos plebiscitos fraudulentos de 1978 e de 1980, que
deram legitimidade e prorrogação à ditadura. Este parecia ser mais uma fraude.
Ainda da canção “Toda forma de poder” de
Humberto Gessinger (da banda extinta Engenheiros do Hawai): “Fidel e Pinochet tiram sarro de você que
não faz nada”.
(E, pensando o momento atual brasileiro, o
resultado das eleições de 2012, podemos dizer também que – de igual sorte - estamos
anestesiados e adormecidos... em berço esplêndido. Agora, por exemplo, o que
importa é o futebol da Copa que está por vir).
Afinal, já nos acostumamos à legitimação de inúmeras ilegalidades,
irregularidades, arbitrariedades... tudo para preservar os interesses espúrios dos Detentores do Poder e de seus amigos e apadrinhados. Parece pacífico
que, aqui, o Estado não mais existe para resguardar os
direitos do homem. “A história
se repete, mas a força deixa a história mal contada...”.
Embora eu não veja mais poesia e romantismo
nas eleições – até mesmo as para diretor de escola ou de associação de bairro –
finalizo com os versos de Neruda, escritos em sua juventude, em 1924 (Vinte
Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada). Que me fazem pensar: ao escrevê-los,
pensava na mulher amada ou na liberdade e na justiça, direitos pelos quais
lutaria anos mais tarde?
“Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não te querer eu quero
e de esperar-te quando não te espero
passa o meu coração de frio ao fogo.
Te quero só porque a ti eu te quero,
do ódio sem fim, e odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego. Talvez
consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta historia tão só eu me faleço
e morro de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo”.
sábado, 16 de março de 2013
A luta boliviana pela proteção de seus recursos naturais
(texto produzido em 2005)
Ana Candida
Echevenguá *
A convulsão sócio-política
boliviana1
Bolívia,
a nação mais pobre e uma das mais problematizadas da América do Sul, está vivenciando
uma pré-revolução que pode descambar para uma guerra civil. O fato gerador da atual
crise política e institucional deste país foi a
aprovação da Lei dos Hidrocarbonetos.
As
empresas petrolíferas multinacionais questionaram a nova legislação, ameaçando
deixar o país, em caso de sua aprovação, e provocar milhares de demissões. O
Presidente silenciou e o Congresso promulgou a nova lei
O povo
também mostrou insatisfação porque a lei não supriu as suas exigências, embora
tenha aumentado o controle estatal. Manifestantes
oposicionistas (movimentos camponeses, indígenas e sindicais do país que buscam
a estatização dos hidrocarbonetos - gás e petróleo) foram às ruas defender seus
bens e seus direitos.
Tudo
isso provocou a renúncia do presidente e do vice-presidente. A inviabilidade de
sua substituição pelos chefes de senadores e de deputados levou ao comando do
país o presidente da Corte Suprema, Carlos Rodríguez Velzé, uma medida que
poderá antecipar as eleições presidenciais. Em seu discurso inicial, Rodríguez
mencionou que os hidrocarbonetos são da Bolívia.
Mas
os oposicionistas não estão satisfeitos: pretendem aprovar nova lei que majore
o imposto sobre os resultados das multinacionais para 82% e nacionalizar a reserva de cerca de 50
trilhões de pés cúbicos de gás do país. Evo Morales, deputado e líder dos
camponeses, um dos protagonistas deste movimento, abriu três frentes de
protesto contra a lei:
-
manifestação
pública dos produtores de coca nas ruas de La Paz;
-
emendas
à referida lei que apresentará na qualidade de congressista;
-
enviou
uma comissão a Bruxelas, para denunciar à União Européia, o "saque"
das multinacionais ao país.
Os recursos naturais da
Bolívia e a miséria de seu povo
A
Bolívia possui a segunda maior reserva de gás natural da América Latina (1,5
trilhão de metros cúbicos). A população indígena do país esperava que esta
riqueza melhorasse sua capacidade financeira. Mas, desde 1990, quando ocorreram
as primeiras descobertas do gás, o quadro social piora ano a ano. De acordo com
o último censo de 2001, 63% da população é pobre.
A
precária condição de vida da classe mais pobre e a proteção dos direitos dos
indígenas vem gerando protestos desde o final dos anos 90.
A
repressão ao plantio de coca extinguiu mais de 200 mil postos de trabalho. E a
exploração petrolífera não absorveu esta mão-de-obra ociosa.
A sociedade civil da
Bolívia
Na maioria
dos países sul-americanos é constante o desrespeito aos direitos individuais e
difusos.
A
Bolívia é um exemplo histórico de protestos organizados na busca de mudanças
políticas e contrários a humilhante condição sócio-econômica. O povo boliviano
já é conhecido por suas lutas populares2 com resultados positivos.
Para quem não sabe, este foi o primeiro país sul-americano com uma revolução de
esquerda que buscava a nacionalização das minas e o direito ao voto universal,
em 1952.
Em 2000,
na região de Cochabamba, a população realizou a “guerra da água” para retirar
este bem das mãos da empresa Bechtel. Desde então, os movimentos sociais
bolivianos passaram a influir na formulação e execução das políticas públicas
para a gestão dos recursos hídricos no mundo.
Em
janeiro de 2005, movimentos pró-nacionalistas em El Alto, região metropolitana
de La Paz, promoveram protestos, greves e bloqueios em estradas para ultimar a atividade
da empresa Suez - Águas de Illimani, responsável pela privatização d’água na
Bolívia. Por quê? Por que a empresa não realizou investimentos para ampliar o
serviço de água potável a 200.000 pessoas pobres da cidade; aumentou as tarifas
de conexão de água potável e esgoto para 445 dólares, valor inacessível para
70.000 pessoas excluídas do abastecimento; e pretendia que o Estado boliviano e
a cooperação internacional fornecessem doações e créditos para que ela
cumprisse as metas de expansão necessárias à concessão. Obtiveram a suspensão,
por iniciativa do governo, dos serviços dessa transnacional.
Os
protestos também buscavam a reversão do decreto governamental que majorou os
preços dos combustíveis e a nacionalização dos recursos naturais, especialmente
dos hidrocarbonetos.
Agora,
exigem a nacionalização do seu gás e do seu petróleo. Querem um ‘basta’ à exploração
econômica predatória, à opressão política e à alienação cultural. Este confronto
representa o fortalecimento e a boa organização da sociedade civil.
A crise boliviana e o FMI
Por
trás de discursos inflamados em prol da ALCA e do Mercosul esconde-se a fúria
do capitalismo que acelera a disputa pelo controle de fontes hídricas e
energéticas.
O
Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional são também responsáveis pela
crise boliviana devido à imposição de políticas de privatização ao terceiro
mundo. Politicamente enfraquecidos e
dependentes de financiamento externo, países como a Bolívia não podem
recusar as condições impostas por estes órgãos e aderem a contratos ilegais e
abusivos de adesão com as multinacionais. Assim, os governos garantem a estas
companhias rentabilidade e minimização do risco. Países pobres que buscam
empréstimos sabem que, para obtê-los, devem facilitar a privatização de seus
recursos naturais.
Rodrigo
Rato, diretor-gerente do FMI, disse que a Bolívia é um país "com grandes recursos naturais e com um
grande potencial econômico", mas com sérios problemas de pobreza e para
a sustentabilidade da sua dívida3. Precisa, portanto, de equilíbrio
na exploração de seus recursos naturais. Rato, na última visita que fez à
Bolívia, elogiou a equipe de ex-presidente Carlos Mesa e reiterou os pedidos de
políticas garantidoras de segurança jurídica aos investimentos privados no
setor petrolífero.
Reflexos da crise no Brasil
A crise
boliviana afeta o Brasil: deles importamos mais da metade do gás aqui
consumido, ou seja, 24 milhões de metros cúbicos diários. Todo o gás natural
consumido em Santa Catarina (125 empresas e 30 mil veículos) é boliviano.
A
Petrobras, maior empresa instalada na Bolívia e que representa quase 20% do PIB
do país, possui cerca de 10% das reservas de gás bolivianas, as duas únicas
refinarias do país (uma em Cochabamba e outra em Santa Cruz de la Sierra) e uma
rede com 80 postos de gasolina.
Ainda
que ocorra a nacionalização das empresas de petróleo e de gás na Bolívia, a
Petrobras está protegida por um contrato celebrado entre os governos brasileiro
e boliviano que garante a importação do gás. E este contrato deve ser cumprido,
independentemente dos interesses nacionais e da beligerante situação
político-institucional boliviana.
Conclusão
Resta
saber quanto o mundo depende do gás boliviano. Estatizado, haverá comprador
para este recurso natural? “O presidente
da Petrobrás chega a citar uma frase do economista Roberto Campos, para quem
"recursos minerais debaixo da terra não passam de cadáveres
geológicos".”4
A
manifesta indignação popular da Bolívia, sem necessidade de derramamento de
sangue, é um bom exemplo a ser seguido pelo Brasil que permite passivamente que
seus recursos naturais – bem de uso comum do povo e indispensável à sua sadia
qualidade de vida – sejam entregues à exploração predatória.
“Para alguns consultores, os protestos
populares na Bolíva estão calcados em bravatas. “Eles estão iludidos achando
que vão conseguir rever contratos existentes, mas só estão destruindo a
reputação de ser um fornecedor de gás confiável, construída ao longo de 15
anos”, analisa François Moreau, da consultoria Estratégia & Valor.”
4
Será?
Prefiro pensar que grupos organizados, detentores de informação e de
conhecimento e com consciência de cidadania, estão aptos a exigir respeito aos
seus direitos e garantir a democracia. E que a união desses grupos pode colocar
em prática a sugestão constante no artigo do jurista Fabio Konder Comparato5:
um consórcio de organizações não-governamentais dedicadas ao controle e à
mobilização social para buscar a punição administrativa, civil e penal do
agente público que cometeu crimes na condução da coisa pública ou para criação
de propostas para a realização efetiva
da cidadania.
* Ana Candida Echevenguá,
advogada e articulista, especializada em Direito Ambiental e em Direito do
Consumidor. Presidente da Academia Livre das Águas e do Instituto Eco&Ação,
nos quais desenvolve um trabalho diretamente ligado às questões socioambientais,
difundindo e defendendo os direitos do cidadão à sadia qualidade de vida e ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado. email: ana@ecoeacao.com.br.
Referências:
1 - Entenda as questões controversas que
assolam a nação mais pobre da América do Sul:
Lei de energia - O Congresso
Boliviano aprovou, em 17 de maio de 2005, a Lei de Hidrocarbonetos que majora o
imposto sobre a exploração das riquezas de 16% para 32% às empresas estrangeiras
exploradoras do gás e de petróleo (até então eram exigidos 18% sobre os
direitos de exploração, a título de royalties - retribuição financeira paga
mensalmente pelo franqueado ao franqueador pelo uso contínuo da marca), que
dará maior controle ao Estado boliviano sobre seus combustíveis, e que mantém
os royalties em 18%. Além disso, garante
a propriedade estatal dos hidrocarbonetos na boca do poço e reinstala a estatal
de petróleos para participar, junto às
empresas privadas, da cadeia produtiva e comercial de hidrocarbonetos,
condiciona novas explorações à permissão dos povos indígenas, além de exigir
mudança dos contratos das multinacionais, obrigando as petrolíferas a adotarem
o regime de risco compartilhado e o de produção e de ganhos compartilhados.
Investimento estrangeiro - Doze
empresas estrangeiras, incluindo a PETROBRAS, a espanhola Repsol YPF e a
britânica BG, investiram US$ 3,5 bilhões no gás boliviano desde 1997. Ameaçam
reduzir os investimentos após a vigência da nova lei e querem exigir
judicialmente o cumprimento de seus contratos.
População indígena boliviana - Os índios Aymara, Quechua e Guarani representam 65% dos 9 milhões de habitantes. Sua influência política cresceu nos últimos anos, principalmente depois da derrubada do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003, com protestos sangrentos contra planos de exportar gás através do Chile.
2 - Grupos envolvidos na atual crise:
Favelados de El Alto (onde reside cerca de 750 mil pessoas e que recebe costumeiramente indígenas imigrantes rurais Aymara). O grupo, liderado por Abel Mamani, defende a nacionalização dos setores de gás, o fim da economia de livre mercado e mais direitos políticos para os indígenas. Sua atuação foi fundamental na derrubada do governo de Gonzalo Sanchez de Losada, em outubro de 2003, e na luta contra a concessão de água à francesa Suez.
Plantadores de coca de Chapare (região central da Bolívia) – liderados pelo índio Aymara Evo Morales. Seu partido - MAS - Movimento ao Socialismo representa a segunda força no Congresso e esteve em primeiro lugar nas últimas eleições municipais e liderou as manifestações de rua que levaram o presidente Carlos Mesa à renúncia, pela segunda vez. O grupo defende a convocação de novas eleições, de uma assembléia para redigir nova Constituição que dará aos indígenas maior representação política e é contrário ao uso de armas no conflito de rua. Evo considera "não negociável" a nacionalização do setor de energia, é contra a intervenção americana na Bolívia – em especial, na erradicação da coca.
CSUTCB – Federação dos pequenos agricultores –
o indígena Aymara Felipe Quispe é seu líder desde 1998; defende a formação de
um Estado aymara independente e ataca a "elite branca" boliviana.
Os mineiros - formaram
o sindicato mais militante da América Latina, a espinha dorsal da
confederação dos trabalhadores da Bolívia. Eles lutam contra a possibilidade de
privatização das aposentadorias e usam dinamite em suas manifestações.
Manifestantes de Cochabamba (quarta maior cidade boliviana depois de La Paz, Santa Cruz e El Alto). Ficaram conhecidos internacionalmente em 2000, quando forçaram o governo a anular a concessão do suprimento de água para uma subsidiária da multinacional americana Bechtel. Nesta oportunidade, os usuários urbanos, os agricultores e os plantadores de coca uniram-se aos protestos e fizeram uma das primeiras tentativas bem sucedidas de oposição às privatizações. Atualmente, lideram o movimento pela nacionalização do gás boliviano. E exigem a eleição de uma nova Assembléia Constituinte.
Indígenas e agricultores de Santa Cruz (leste do país) - são uma mistura de imigrantes internos da Bolívia e de indígenas Guaraní, Ayoreo, Chiquitano e Guarayos. Priorizam as disputas por terras. Sua mais importante atuação foi a ocupação de três plataformas de petróleo da British Petroleum no país. Nos atuais protestos, os índios Guarani ocuparam campos de petróleo controlados pela Repsol e BP, forçando-as a reduzir sua produção.
A elite de Santa Cruz (região boliviana mais rica em recursos naturais) - exigem a administração político-econômica autônoma e irrestrita de seus recursos naturais que geram cerca de 30% do Produto Interno da Bolívia, correspondente a 8 bilhões de dólares anuais, sem prévia consulta ao governo central de La Paz. Como representam o setor econômico mais crescente e dinâmico na Bolívia, a rica província de Santa Cruz, junto com as províncias de Tarija, Beni e Pando, pretendem ficar com uma fatia maior da receita gerada pela exploração do gás. São apoiados pelos grandes criadores de gado e agricultores. Os líderes locais pretendem levar adiante o referendo por autonomia em agosto de 2005, com ou sem a aprovação do governo central. As províncias andinas se opõem a esta iniciativa e pedem uma Assembléia Constituinte, que seja eleita até dezembro, para estudar e decidir o caso em 2006.
5 - Fábio Konder Comparato, jurista, doutor
pela Universidade de Paris, professor titular da Faculdade de Direito da USP e
doutor honoris causa da Universidade de Coimbra – artigo intitulado “Organizar
o contra-poder popular” - Folha de São Paulo - 22/02/2004.
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