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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Quase 900 animais em risco de extinção nascem em reserva no PR

Pelo menos 892 animais ameaçados de extinção se reproduziram no Refúgio Biológico Bela Vista, no oeste do Paraná, desde sua construção no final dos anos 70.


O espaço de 1.908 hectares, localizado entre os Parques Nacionais do Iguaçu e da Ilha Grande, foi criado pela Itaipu Binacional para diminuir os impactos da criação da usina de Itaipu na região.

Por lá, veterinários e pesquisadores estimulam a reprodução de espécies quase extintas no Estado como a anta (Tapirus terrestris) e a harpia (Harpia harpyja), conhecida também como gavião real, além de outras como o veado bororó (Mazama nana), papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), jaguatirica (Leopardus pardalis) e jacaré-de-papo amarelo (Caiman latirostris).

Ao todo, 1.017 animais entre mamíferos, aves e répteis são mantidos no refúgio com bioma de Mata Atlântica. Destes, 199 deles em um criadouro e 208 em um zoológico aberto para visitação.

Harpia e anta são as mais ameaçadas – Segundo Vanderlei de Moraes, veterinário da divisão de áreas protegidas de Itaipu Binacional, 70% dos animais que nascem no refúgio sobrevivem, fator importante para a conservação das espécies.

“O primeiro passo para garantir o êxito do trabalho é garantir que os animais selvagens vivam bem em cativeiro. O maior interesse é pela Harpia que já teve 16 filhotes nascidos em cativeiro. A última vez que uma harpia foi vista na natureza paranaense foi em 2005, na região de General Carneiro”, diz.

Para garantir o alto índice de sobrevivência dos filhotes, uma equipe de 30 pessoas composta por veterinários, biólogos e auxiliares técnicos mantêm os bichos bem alimentados, vacinados, com dentista e exames médicos feitos em um hospital veterinário localizado no próprio refúgio.

“Depois é só montar os grupos e os casais reprodutores e a partir dai direcionar para que tenham filhotes. Mas só consideramos o sucesso da reprodução depois que eles ultrapassam os três meses de vida”, diz Moraes.

Desafio é evitar cruzamento entre parentes – Além dos cuidados com a saúde dos animais, outro desafio enfrentado pela equipe é garantir que os filhotes não nasçam por cruzamento entre parentes, o que aumenta a chance de nascerem com doenças.

“A reprodução é lenta, o ambiente muito ameaçado e ainda temos o risco de consanguinidade porque há poucos animais em cativeiro. A saída é ficar formando casais com animais de outros zoológicos para manter a população geneticamente viável”, afirma Moraes.

O refúgio mantém ainda um programa para reinserir espécies na natureza. De 2006 a 2014, já reintegrou 129 animais entre os quais espécies como o gato-maracajá, veado-mateiro, lobo guará e cervo-do-pantanal.

“São experiências de soltura nas quais usamos um rádio transmissor ou rádio colar para monitorá-los à distância. Mas por enquanto só usamos em alguns animais acidentados que foram cuidados no refúgio para perceber se eles tinham se adaptado ao tratamento”. 

Fonte: UOL

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