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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Aumento da escolaridade do brasileiro começa a mudar perfil do eleitor

Se antes era prática comum prometer cestas básicas, emprego ou tratamento médico em troca de votos para conquistar um mandato, com o aumento da escolaridade do eleitor brasileiro essas propostas começam a perder espaço para um voto de mais qualidade. Para especialistas, há um novo eleitor em construção e a melhora no nível educacional pode se transformar em mais consciência política no médio prazo.


Apesar de a maior parte dos eleitores ainda ter baixa escolaridade, houve aumento no número de pessoas com superior completo e incompleto e ensino médio completo e incompleto. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que dos 142,8 milhões de eleitores aptos a votar no pleito de outubro, 5,6% (8 milhões) terminaram a graduação – 2,8 milhões de pessoas a mais que nas eleições de 2010.

O número de pessoas com superior incompleto também subiu em relação a 2010 – aumentou em 1,5 milhão, passando de 2,7% para 3,6%. O número de cidadãos com ensino médio completo aumentou em 5,9 milhões de pessoas, de 13,1% para 16,6%. Já o número de eleitores com ensino médio incompleto teve um incremento de 1,8 milhão, de 18,9% para 19,2%.

Em contrapartida, o número de analfabetos e dos que apenas leem e escrevem (analfabetos funcionais) diminuiu. São cerca de 700 mil analfabetos a menos que na eleição de 2010, passando de 5,8% dos eleitores para 5,1%. No caso dos analfabetos funcionais, são 2,5 milhões a menos no pleito de 2014, de 14,5% do eleitorado para 12%.

Para o cientista político Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral, o índice de desenvolvimento educacional do eleitor é reflexo da evolução dos indicadores de educação da população brasileira. “As pessoas melhoraram a capacidade de buscar e processar informações porque é isso que, basicamente, o nível de educação mais elevada proporciona.”

O Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o nível de escolarização, de um modo geral, tem melhorado no país. No grupo acima de 25 anos, idade considerada suficiente para conclusão da graduação, o número de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 64% em 2000 para 49,3% em 2010. Com ensino médio completo passou de 12,7% para 14,7% e a proporção de pessoas com ensino superior completo passou de 6,8% para 10,8%.

Para Barreto, ainda não é possível dizer que o país já tem um eleitor mais crítico e consciente. “É um eleitor híbrido, que combina a necessidade de propostas novas para ele, de políticas públicas mais universais, com práticas antigas. Era uma pessoa que até ontem estava dentro de um contingente populacional que era muito suscetível a trocas e a propostas clientelistas. É uma pessoa que está migrando de um lugar para outro, mas que ainda está no meio do caminho porque essa é uma mudança de uma geração.”

De acordo com o especialista, com o aumento da escolarização e da renda, fazer campanha em uma região pobre não significará encontrar um eleitor desprovido de capacidade crítica e de informação. “Na periferia, você vai encontrar pessoas cujos filhos estão fazendo ou fizeram faculdade. Uma geração abastece a outra. O filho que fez faculdade é o orgulho da família, vai influenciar quem não fez. Tem um efeito de dispersão desse conhecimento. Isso torna o processo político mais complexo. Abre uma janela de oportunidades para uma nova geração de políticos. Quem interpretar e conduzir bem esse processo vai sair na frente”, disse.

O professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Roberto Kramer também avalia que o eleitorado brasileiro está em fase de transição. Para ele, os dados do TSE comprovam o gradual avanço nas condições de vida e de educação da população. “Um eleitor mais instruído costuma ser mais exigente. Esse eleitor tende a transcender o nível mais básico de expectativas e necessidades, como o alimento e o teto, e passa a querer políticas públicas mais amplas, de educação, saúde e mobilidade urbana de qualidade.”

Na opinião do especialista, os políticos vão se deparar com uma parcela cada vez maior da população que vai cobrar seus direitos. “Esse novo eleitor certamente vai lançar um desafio para os políticos, que é repaginar suas propostas, suas maneiras de abordagem, pois está mais crítico ao confrontar as promessas que são feitas com a possibilidade de concretização.”

Para a coordenadora-geral da organização não governamental (ONG) Ação Educativa, Vera Masagão, à medida que o país mude o perfil educacional da população, a tendência é que o perfil do eleitorado também seja alterado no sentido de um voto mais consciente.

“Pessoas com mais escolaridade se sentem mais empoderadas, sentem menos o político como alguém de quem precisam para ter um favor. Tendem a romper essa visão do clientelismo, daquele pobrezinho que precisa ir lá pedir favor para o político. Aumentam a consciência cidadã de que eu estou exercendo meu direito votando e que o meu dever também não acaba na hora do voto. Tenho que continuar cobrando e é dever desse gestor público cumprir as promessas que fez. Esse caráter da cidadania é reforçado”, disse.

Segundo Vera, ao lado da educação formal, é preciso ampliar a educação cidadã. “Essa é uma educação que se dá principalmente no engajamento político. Então são pessoas participando de partidos, de ONGs, engajadas, acompanhando causas de interesse público e políticas públicas. É dessa forma que a gente vai, de fato, mudar a política, com mais gente participando e exercendo o controle social.”

Fonte: EcoDebate

Zoo descarta sacrifício e volta a expor tigre que atacou menino no PR
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A Prefeitura de Cascavel, no oeste do Paraná, informou que o Zoológico Municipal não sacrificará o tigre Hu, que atacou um menino de 11 anos na última quarta-feira (30). O garoto teve o braço direito dilacerado e amputado.

A administração de Cascavel afirmou em nota nesta segunda-feira (4) que o zoológico não cogitou “em nenhum momento” se desfazer do tigre, transferindo-o para outro local ou optando pelo sacrifício. “Tais especulações são idiotas”, disse o médico veterinário do zoo, Valmor Passos, segundo relato da assessoria de imprensa da prefeitura.

Além de descartar o sacrifício, o zoológico anunciou que voltará a expor o animal ao público a partir desta terça-feira (5). De acordo com a prefeitura, o tigre voltou hoje ao recinto de exposição depois de cinco dias de observação na área de manejo. O zoológico, no entanto, não abre às segundas-feiras. Assim, ele só poderá ser visto pelo público amanhã.

“As condições de saúde do animal são consideradas boas, ele se mostra calmo e se alimenta normalmente”, diz a nota da prefeitura.

Hu tem três anos de idade e é o único tigre do zoo de Cascavel. Ele veio da cidade de Maringá, no norte paranaense, encaminhado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

O boato de que o tigre poderia ser sacrificado levou à criação de um abaixo-assinado na internet. A petição contra o sacrifício já contava com mais de 46 mil assinaturas na tarde desta segunda (4).

A Prefeitura de Cascavel recebeu mais de 10 mil e-mails, inclusive de países como Inglaterra, Estados Unidos e França, pedindo a preservação do animal.

Segundo Marcos do Carmo Rocha, 43, pai do menino atacado, o próprio filho pediu que o tigre não fosse morto. “Sabe o que ele gritou a primeira hora que ele falou que estava sem braço? Não mata o tigre. Ele só pensou no tigre”, afirmou Rocha em entrevista exibida no neste domingo (3) no “Fantástico”, da TV Globo.

O garoto está internado no Hospital Universitário de Cascavel e deve ter alta nesta semana. Seu braço foi amputado até a altura do ombro, e não será possível o uso de prótese.

Investigação – O delegado Denis Zortea Merino, que investiga o caso, confirmou hoje ao portal CGN que o pai ainda será ouvido formalmente no inquérito. “Vamos ouvir o guarda responsável pelo local no dia dos fatos, o veterinário, o diretor do zoológico e fazer o interrogatório formal do pai da criança”.

Em um primeiro contato com o delegado, na semana passada, e na entrevista concedida à TV Globo, Rocha declarou que estava cuidando do filho menor, de três anos, quando o mais velho invadiu a área em que a entrada de visitantes é proibida para se aproximar do tigre e mexer com o animal através da grade.

Ele também afirmou à TV que havia pedido ao filho que não se aproximasse dos felinos.

Outros visitantes do zoológico disseram, porém, que o pai não se importou com o fato de o filho chegar perto dos animais. As testemunhas filmaram o menino tentando alimentar um leão e tocando o tigre.

A polícia tentará colher o depoimento de testemunhas para saber se o pai se omitiu no cuidado do filho. A segurança do zoológico também será investigada.

A Prefeitura de Cascavel disse que o zoológico atende às normas do Ibama. “As grades de segurança são da altura exigida pela legislação e as placas de sinalização estão distribuídas adequadamente. A Guarda Patrimonial fiscaliza o recinto, fazendo rondas. As medidas de segurança são consideradas satisfatórias”, afirmou em nota.

A administração municipal relatou que este foi o primeiro incidente envolvendo um felino e um visitante em 38 anos de funcionamento do zoo e que tratadores nunca foram atacados. A prefeitura também confirmou que três funcionários da vigilância e manutenção do zoo foram intimados a depor no inquérito policial. 

Fonte: UOL

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