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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Crise energética e meio ambiente, artigo de Roberto Naime

A crise energética talvez possa ser resumida de outra forma também, utilizando os parâmetros apresentados por Miller (1965) (apud BRAGA et al, 2002):


Os primitivos seres humanos em padrão de vida ainda nômade, tinham um consumo médio de 2.000 quilocalorias por dia, obtidos através do consumo de alimentos, no caso caça, pesca e extrativismo;

Os primeiros grupos de caçadores, nômades ou gregários aumentaram este consumo para cerca de 5.000 kcal/dia, incluídos o consumo de alimentos e os demais gastos energéticos;

Os primeiros agricultores, já certamente gregários, usando o fogo (queima de madeira) para cozimento e aquecimento e utilizando ainda tração animal para o plantio, elevaram o consumo de calorias para em torno de 12.000 kcal/dia, considerando o consumo de energia através da alimentação para sustento dos indivíduos e consumo geral de energia para as atividades coletivas;

Na Revolução Industrial, no século XIX, a madeira e os combustíveis fósseis foram empregados para movimentar máquinas e locomotivas e para converter minério em metais e fundir areia em vidro. Nações como Inglaterra e Estados Unidos elevam o consumo médio de calorias para cerca de 60.000 kcal/dia considerando a quantidade de alimentos e o consumo de energia para as demais atividades coletivas em sociedade;

Atualmente o consumo “per capita” mundial diário de energia, contando alimentação e necessidades sociais coletivas é de cerca de 125.000 kcal/dia, mas é totalmente mal distribuídos e com desequilíbrios insuportáveis entre os países.

Desde a revolução industrial, os desequilíbrios só cresceram. A Índia por exemplo, responsável por cerca de 15% da população mundial, consome apenas 1,5% da energia do planeta.

Existem hoje no mundo duas correntes que defendem estratégias opostas para enfrentar a crise energética. Uma delas segue a linha de conduta mais tradicional e recebe a denominação de “trajetória severa” ou “modelo do mundo em crescimento”.

E a outra é chamada de “trajetória branda” ou “modelo de crescimento sustentável” (Miller, 1965) (apud BRAGA et al, 2002):

os defensores da linha do mundo em crescimento enfatizam a necessidade de incentivar os suprimentos de energias não-renováveis; defendem também o aumento da oferta através de grandes usinas termoelétricas e nucleares, além da aposta que no futuro o incremento nas tecnologias de fissão e fusão nuclear (reatores Breeder), em longo prazo seriam capazes de satisfazer as necessidades;

os defensores da linha do crescimento sustentável argumentam que o caminho mais rápido, eficiente e barato para prover a energia necessária para o futuro, é uma combinação do aumento da eficiência no uso de energia, diminuição da utilização de recursos energéticos não-renováveis, eliminação de usinas nucleares, pois consideram esta tecnologia antieconômica, insegura e desnecessária e por fim o aumento do emprego de fontes renováveis, principalmente fontes solares diretas e indiretas.

As abordagens indicam que a questão dos recursos energéticos, bem como dos recursos hídricos, tendem a se agravar muito no futuro.

Miller (1965) (apud BRAGA et al, 2002) assevera que “a primeira decisão a tomar refere-se a quanto de energia se quer obter e qual a qualidade exigida. Necessita-se calor a baixa temperatura, de calor a alta temperatura, de eletricidade, de combustível para transporte? Isso envolve decidir o tipo e a qualidade de energia requerida para melhor desempenho em face de uma ou várias necessidades. Feito isso, deve-se determinar qual fonte pode atender a essas necessidades, a mínimo custo e menor impacto ambiental. Ao analisar a possibilidade de aproveitamento de uma fonte de energia devemos responder as seguintes perguntas:

Qual o potencial de aproveitamento da fonte, a curto, médio e longo prazo?

Qual o rendimento esperado?

Qual o custo de desenvolvimento, construção e operação?

Quais são os impactos sociais, de segurança (militar e econômica) e como estes fatores podem ser atenuados?

As respostas adequadas a estas questões são fundamentais para estabelecer a viabilidade dos aproveitamentos energéticos.

Seria desnecessário enfatizar, mas os maiores desafios tecnológicos deste milênio passam pela solução da questão energética e dos recursos hídricos.

Os inúmeros exemplos não terminariam. Obviamente uma introdução às questões da Percepção Ambiental e das diretrizes para compreender a questão ambiental, não tem a pretensão de trazer respostas fechadas ou prontas para as grandes questões da humanidade.

Queremos apenas trazer o conhecimento do tema, e alguns dados relevantes e motivar a participação e a conscientização de todos na formulação das ideias que possam representar passos decisivos nos avanços da humanidade e na busca da felicidade e das condições dignas de vida para a maioria das populações.

Referência:

BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J. G. L.; BARROS de, M. T. L.; SPENCER, M.; PORTO, M.; NUCCI, N.; JULIANO, N.; EIGER, S. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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