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sexta-feira, 15 de março de 2013

A Fonte da Felicidade










Ana Echevenguá

“A felicidade é um estado de consciência que já existe dentro de nós, mas fica muitas vezes encoberto por todos os tipos de distrações. Assim como um lindo nascer do Sol pode ser encoberto pelas nuvens, nossa felicidade interior é encoberta por preocupações diárias”. - A Fonte da Felicidade Duradoura, de Deepak Chopra.


Ontem, conversava sobre depressão. E um amigo me disse: - “Não tenho tempo pra depressão! Estou sempre ocupado. Não tenho medo de fazer o que eu gosto, como canta a Rita Lee!”.

Quantas pessoas podem, atualmente, dizer que não estão longe do sintomas da depressão, uma epidemia silenciosa que assola o mundo? Vivemos cercados de medos (muitas vezes infundados): do dia de amanhã, do fim do mês, da morte, das enfermidades, das perdas, da violência que grassa nas ruas e dentro de casa...

E, muitas vezes, para fugir desse mal, ingerimos medicamento pra dormir, pra acordar, pra reduzir o apetite, pra estar atento aos estudos e trabalho, para sermos felizes... com ou sem indicação médica.

Mas, talvez as pílulas medicamentosas não sejam suficientes para angariarmos saúde, bem-estar, felicidade, ... é preciso algo mais!

Estou lendo o livro “A Fonte da Felicidade Duradoura”. Deepak Chopra – que, na hora da leitura, parece estar sentado ao meu lado, conversando - explana que, embora a felicidade seja a meta principal do ser humano, este a busca por vias indiretas. Acha que somente será feliz após a aquisição de alguns bens, de poder, de relacionamentos amorosos estáveis...

Daí, Chopra ‘contou-me’ que descobriu algo interessante: “Quando a felicidade se torna nossa meta principal, em vez de secundária, conquistamos com facilidade tudo o que desejamos”.

E onde está essa tal de felicidade? Dentro de nós, em algum cantinho do nosso corpo e/ou do nosso espírito.

Jesus nos deixou um recado de máxima importância: “Vós sois deuses.” Não inventei isso: está na Bíblia Sagrada.

Ora, se somos deuses, portadores de uma centelha divina, somos também portadores da chave da nossa felicidade. E da nossa cura.

Este final de semana chuvoso pode ser o momento certo de uma conversa íntima conosco.  De curtirmos nossa companhia. E de entrarmos em contato com nossa fonte interna de alegria e de felicidade.

Descubra a sua felicidade: retire as nuvens que a escondem!

Ana Echevenguá, advogada, OAB/SC 17.413, e-mail: ana@ecoeacao.com.br

“Estou com Depressão!”





Ana Echevenguá



“... A conquista da saúde integral é a meta ambicionada pela criatura humana. Conseguir a harmonia entre o equilíbrio orgânico, o emocional e o psíquico, num quadro geral de bem-estar, constitui um grande desafio para a inteligência humana que, milenarmente, vem recorrendo às mais variadas quão complexas experiências, que têm resultado em admiráveis e valiosas conquistas. Desse labor específico aliado a outros da ciência apoiada à tecnologia, relativamente ao meio ambiente, aos fatores destrutivos, a vida humana atinge hoje os mais elevados índices de longevidade de todos os tempos. O homem tem conseguido banir da Terra enfermidades que dizimavam, no passado, povos inteiros, em permanente ameaça de extinção do gênero humano...” - Divaldo Pereira Franco - Momentos de Saúde - pelo Espírito Joanna de Ângelis


Conversávamos sobre depressão. Aí, alguém disse: “hoje, é mais aceitável dizer que sou portadora de HIV do que dizer ‘eu estou com depressão’. As pessoas simplesmente se afastam; ou ficam dando conselhos que não servem pra nada: você tem que superar isso, tem que reagir, ...”.

Traduzindo: Com-Depressão = Sem-Saúde e Sem-Amigos.

Sabemos que, nesse caso, ‘superar’, ‘reagir’  não é fácil. O efeito incapacitante da Depressão provoca desânimo, tristeza, autoflagelação, perda do apetite sexual, falta de energia para qualquer atividade... inclusive, higiene pessoal.

"O maior problema com a depressão é o desconhecimento. O indivíduo deprimido está doente, sofre muito, mas sua falta de interesse pela vida costuma ser vista como preguiça ou falta de caráter", explica a psicóloga Sílvia Ivancko. E que, embora se trate de um distúrbio químico, a depressão sempre tem, em sua raiz, motivos psicológicos.

Bom, eu não sabia que, desde 2009, a Depressão é mais comum do que AIDS ou o câncer. Uma epidemia silenciosa, segundo o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS – Organização Mundial de Saúde -, “porque a depressão está sendo cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo”.

Já é considerado o mal do século 21. A Depressão foi apontada, durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental*, pela OMS como o 5º. maior problema de saúde pública. E, até 2020, deverá estar em 2º. lugar; perdendo somente para o câncer e as das doenças cardiovasculares. Os números – de 2009 – assustam**:

- 340 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo mundo (no Brasil, são 17 milhões de pessoas);

- causa 850 mil suicídios por ano, no mundo.


O ônus da depressão

Um estudo realizado nos EUA estimou que a Depressão acarreta um custo anual de cerca de US$ 83 bilhões, incluindo perda de produtividade, custos diretos e relacionados ao suicídio***.

Segundo a OMS, a depressão será a doença que mais gerará custos socioeconômicos para o Estado, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. Já é a quarta causa global de incapacidade para o trabalho e deve se tornar a segunda até o ano de 2021.

Mas tem alguma coisa errada aí: o crescimento desenfreado desse mal não combina com um mundo que investe maciçamente na longevidade. Quem está apostando na ‘longa vida para os deprimidos’????

Aí, eu me pergunto: os números apresentados pela OMS levam à investimentos na busca da cura da doença ou ao engordamento dos cofres da indústria farmoquímica?

O que fazer?

1. Se Depressão tem cura, não tenha medo de admitir que está com deprimido. É importante lembrar que a saúde é – primeiramente - uma conquista interior. O doente precisa querer a cura. Como bem diz o grande médico (clínico geral) Américo Canhoto: “Saúde ou doença: a escolha é sua!” ****

2. Busque ajuda. O portador de Depressão merece o mesmo cuidado médico e social que é dispensado aos portadores das tantas outras doenças.

Afinal, sempre que há interesse, a medicina e outras ciências contribuem para a nossa Saúde que, nos termos da OMS, é o “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”.

terça-feira, 12 de março de 2013

Projeto Bem Crescer










Ana Echevenguá




“As estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham para que cada um possa encontrar a sua?” do livro O Pequeno Príncipe.



Cheguei em casa com cheiro de bebês nas roupas, nos braços... quem já pegou bebê no colo sabe do que falo. É um cheirinho tão bom!

Estava no CECAL – Centro Espírita Caminho da Luz*. Participando do Projeto Bem Crescer, destinado especificamente a crianças - na faixa etária de 0 a 3 anos -, acompanhadas de suas mães. A maior parte destas é adolescente; e mora nas imediações do Rio Papaquara (Canasvieiras, Florianópolis, Brasil). Numa região de alagamentos constantes, onde o tráfico de drogas e a reciclagem de lixo são opções de fonte de renda.

Ajudar mães e bebês é uma via de duas mãos. Os voluntários que atuam no projeto são os maiores beneficiados. É um aprendizado constante. Um compartilhar de experiências. Ajuda mútua na qual todos se tornam  responsáveis por quem cativam.

O Projeto está em fase inicial. Sem verbas, como todo projeto brasileiro bem intencionado e conduzido por pessoas eticamente corretas. Daí, no cotidiano, a gente vai percebendo que faltam tesourinhas de cortar unhas, creme pra assaduras, carrinhos de bebês...

Mas, isso não é problema. O importante é que há várias pessoas engajadas, atuando de forma voluntária. E que as mães já inscritas - agentes fundamentais no desenvolvimento da criança - sentem-se realmente acolhidas e estão abertas ao aprendizado nas oficinas de capacitação e nos fóruns de orientação.

A nossa Constituição Federal - artigo 227 - assegura à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida e à saúde, entre tantos outros. E garante que o Estado, a sociedade e a família tem o dever “de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Se o Estado não faz, vamos tentar contribuir para que esta regra saia do papel, na medida do nosso possível.

A imagem acima pode ser traduzida, segundo os fundamentos do Projeto, como “um abraço amoroso entre uma mulher e um bebê – representando o sublime intercâmbio de sentimentos entre a mãe e seu filho, que deve ser estimulado”.

O nome do projeto reporta-nos ao “bem crescer” do bebê, da mãe e de todos os voluntários envolvidos nas ações que viabilizam a realização do mesmo.

Participe, portanto, deste Bem Crescer. Informe-se a respeito. É uma oportunidade gratuita e agradabilíssima de crescimento e de evolução pessoal.

* - Rua Fernandes Francisco Coutinho, 144, Canasvieiras, Florianópolis, SC, Brasil.

Ana Echevenguá, advogada, OAB/SC 17.413, participante voluntária do Projeto Bem Crescer.


terça-feira, 5 de março de 2013

Investimentos Brasileiros em Água, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)


O ano de 2013, postado pela ONU como aquele da “cooperação pela água”, é um teste para a veracidade da política hídrica brasileira. O país das águas – somos o país de tantas coisas – tem mesmo sua prioridade no abastecimento humano e na dessedentação dos animais, como define a lei brasileira de recursos hídricos 9.433/97?

O ‘lixo’ que ninguém vê, artigo de Nara França


‘Tá’ legal, já entendi essa historinha toda de “colocar o lixo no lixo”. Agora, podemos e devemos mesmo separar o lixo orgânico do reciclável. Fazendo isso, praticamos o contraponto às indústrias que produzem cada vez mais embalagens desnecessárias, atendendo pedidos das empresas que querem maior clientela consumindo – primeiro, com os olhos – os produtos.

Até aí, tudo certo – já entendi mesmo. Quanto a isso, acho que faço a minha parte – a parte que devo à natureza que me acolhe. Sempre vejo os catadores de papéis, pelas ruas, e lamento que não sejam valorizados, reconhecidos como verdadeiros ambientalistas. Ainda por cima, são muito mal pagos, pelo imensurável serviço que prestam ao meio ambiente futuro, passado, presente.

O lixo que a gente produz, inadvertida e cada vez mais comumente, eu sei aonde deve parar. Você também sabe. ‘Tá’ certo que nosso Brasil ainda peca, pela falta de saneamento básico. Por isso, ainda há tantos lixões por aí, por aqui, em todo lugar. Mas a gente sabe que, se cada qual fizer a parte que lhe cabe – dando destino certo ao lixo -, os lixões a céu aberto (ou fechado) acabam, por falta de lixo extraviado.

Até aí, entendido (acho). Mas onde vai parar tanto lixo que a gente produz em pensamentos, ideias, sentimentos ruins, intenções?… Ah, aposto que você nunca pensou nisso – nem eu. Mas – pronto! – ‘tô’ pensando agora.

É sério. Aonde vai parar tanto lixo que a gente cria, pensa, imagina, deseja, e depois deixa de desejar?… Aonde vai parar todo esse lixo, gente, que deve ser maior que qualquer lixão que possa existir no planeta?…

Cá entre nós, se uma pessoa só já pensa tanta asneira negativa, imagine meia dúzia, dúzia e meia – milhares, milhões, zilhões… É lixo pra caramba!… Aonde vai parar tudo isso?… Ser humano não saberia criar saneamento básico, pra dar destino correto, pra toda essa sujeira… Algumas criaturas costumam guardar dentro de si – sei lá onde – esse lixo todo… Mas acho que chega um dia que o ‘depósito’ arrebenta, estoura, por que não há tanto espaço pra tamanho lixo.

Pense comigo (ou não): se todos nós pensamos mais que falamos, ou agimos, manifestamos, e se, no meio de tanto ‘entulho’, há muito lixo, onde fica tudo isso, hein?… Quando é uma poeirinha inocente, a gente trata logo de esconder debaixo do tapete. Mas, diante de tanto lixo (mental, espiritual, ou sei lá mais o quê), aonde isso tudo vai parar?…
Alguns dizem que somatizamos (esse lixo), e acabamos contraindo doenças… Mas, mesmo assim, se isso ocorre, a doença deve ‘gastar’ cadinho da energia desse lixo todo dos nossos pensamentos, intenções, desejos, sentimentos, mas não deve ‘queimar’ todo esse lixo. É muita coisa, gente – sejamos honestos (sei lá com quem).

Lixo é sempre lixo – ainda que, há algum tempo, a humanidade esteja reciclando, e até confeccionando arte e utilidades com o que é retirado da lixeira. Tudo bem. O trabalho é admirável. Que a gente aprenda reciclar o que pode ser reciclado dos nossos pensamentos, intenções, sentimentos e desejos. Maravilha!… Mas e o resto? – insisto em questionar.

Onde vai parar o grande lixo de cada um de nós?… Neste caso, não há jeito de a gente pedir auxílio de ambientalistas, nem de catadores de papel, ou lixeiros. É por nossa conta. Não tem jeito.

Nara França é jornalista gaúcha, tendo sempre trabalhado em redação de jornal, e hoje atuando em entidades sindicais e movimentos sociais, no sul do Brasil. Também, mantém o blog http://ironia-cronica.blogspot.com.br/

Fonte: EcoDebate

‘Coquetel’ de agrotóxicos ingerido no consumo de frutas e verduras pode causar Alzheimer e Parkinson


Comer cinco frutas e legumes por dia é bom para a saúde. Não tão bom é o “coquetel” de pesticidas ingerido no processo: a mistura dessas substâncias químicas pode multiplicar seus efeitos tóxicos em proporções tão surpreendentes quanto preocupantes, segundo os resultados de um estudo preliminar [A Preliminary Investigation into the Impact of a Pesticide Combination on Human Neuronal and Glial Cell Lines In Vitro] publicado na revista científica “PloS One”. Matéria [L'inquiétant effet cocktail des pesticides sur nos cellules] de Grégoire Allix, Le Monde, no UOL Notícias.

Os testes toxicológicos sistemáticos conduzidos dentro do regulamento europeu Reach visam às substâncias uma por uma. “Sabe-se muito pouco sobre seus efeitos combinados, sendo que somos literalmente cercados por combinações de venenos”, explica o principal autor do estudo, o toxicólogo Michael Coleman, da Universidade de Aston, na Inglaterra.

Sua equipe comparou o efeito isolado e o efeito combinado, sobre células de nosso sistema nervoso central, de três fungicidas encontrados com frequência nas prateleiras de hortifrúti: o pirimetanil, o ciprodinil e o fludioxonil.

Resultado: os danos infligidos às células são até vinte ou trinta vezes mais graves quando os pesticidas são associados. “Substâncias que são conhecidas por não afetarem a reprodução humana e o sistema nervoso e não serem cancerígenas, combinadas possuem efeitos inesperados”, resume um dos autores do estudo, o biólogo molecular Claude Reiss, ex-diretor de pesquisa do CNRS e presidente da associação Antidote Europe.

“Observamos o agravamento de três tipos de impactos”, detalha o pesquisador francês: “A viabilidade das células é degradada; as mitocôndrias, que são as ‘baterias’ das células, não conseguem mais alimentá-las com energia, o que desencadeia a apoptose, ou seja, a autodestruição das células; por fim, as células são submetidas a um stress oxidante muito poderoso, possivelmente cancerígeno e que pode levar a efeitos em cascata”.

Entre as possíveis consequências de tais agressões sobre as células, os pesquisadores citam o risco de uma vulnerabilidade crescente a doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer, de Parkinson ou a esclerose múltipla. “Nosso estudo aborda um pequeno número de substâncias, trazendo mais perguntas do que respostas, mas esses efeitos foram evidenciados em doses muito pequenas, concentrações próximas às encontradas em nossos alimentos”, observa o professor Coleman.

O cientista considera urgente popularizar esse tipo de teste, apesar das milhares de combinações possíveis: “Isso permitiria determinar se as misturas são nocivas, para ajudar os agricultores a escolher os produtos que eles utilizam”. O fato de conduzir esses estudos em células humanas e não em ratos, como acontece no procedimento Reach, permitiria diminuir os prazos e os custos, ao mesmo tempo em que fornecem resultados mais confiáveis. “A maior parte das substâncias químicas não são testadas corretamente: não somos ratos de 70 quilos!”, reclama Claude Reiss.

Para o Movimento pelo Direito e pelo Respeito das Gerações Futuras (MDRGF), que cofinanciou o estudo, esses testes são ainda mais necessários pelo fato de que um terço das frutas e legumes fiscalizados pela Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes contém resíduos de vários pesticidas.

“Em 2008, detectamos em um mesmo cacho de uvas os três produtos testados pelo professor Coleman”, lembra François Veillerette, porta-voz do MDRGF. Na época, análises encomendadas pela associação haviam revelado que quase todas as uvas vendidas no grande varejo continham múltiplos pesticidas, totalizando oito substâncias diferentes por cacho, em média.

A associação pede para que a Comissão Europeia “lance sem demora uma estratégia de avaliação global das misturas de produtos químicos” e que “abaixe significativamente os limites máximos de resíduos tolerados nos alimentos, em um cuidado elementar de precaução”.

Tradutor: Lana Lim

A Preliminary Investigation into the Impact of a Pesticide Combination on Human Neuronal and Glial Cell Lines In Vitro
PLoS ONE: Research Article, published 03 Aug 2012 10.1371/journal.pone.0042768

Fonte: EcoDebate

Cemitérios em SP produzem adubo orgânico e adotam 'enterro verde'


A onda de sustentabilidade, propagada já há algum tempo, chegou àquele tema sobre o qual muitos evitam falar: a morte. Um novo sistema em que resíduos orgânicos são transformados em adubo foi implantado em cemitérios, e o procedimento já foi considerado até "case de sucesso" pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Periodicamente, o Grupo Memorial --empresa responsável por cemitérios, crematórios e cinerários-- faz o serviço de exumação de túmulo, para que a família proprietária possa sepultar outra pessoa. Com os ossos realocados, o material excedente é descartado. A partir desse novo procedimento, madeira, tecidos, vegetação e solo são reaproveitados na produção do adubo orgânico.

 "Como não se pode jogar esse material em qualquer lugar, gastávamos cerca de R$ 10 mil por mês com caçambas adequadas", afirma Victoria Zuffo, gerente de operações do grupo. Depois da compra de um triturador específico e da consultoria de um técnico de segurança, o procedimento diminuiu os custos da empresa. Teve até um churrasco para os funcionários, no fim do ano, pago com a economia.

Além do reaproveitamento dos resíduos de exumação, os cemitérios do grupo --Memorial Parque Paulista (Embu das Artes) e Jardim Vale da Paz (Diadema)-- também têm alguns projetos com a prefeitura, como a troca de vasos plásticos deteriorados por mudas de árvores, ou então a venda de metais de urnas para reciclagem.

"ENTERRO VERDE"

Uma tendência colocada em prática na hora da morte é o "enterro verde", com modelos biodegradáveis de caixões --madeira, papel reciclado ou vime-- ou então túmulos longe da cidade e de cemitérios.

A cremação, método antigo e alternativo ao uso do caixão, ganhou uma opção sustentável também. O Grupo Memorial, por exemplo, adotou urnas biodegradáveis para armazenar as cinzas. Dentro, é colocada terra e plantada uma muda de árvore, para que, quando a planta crescer, o recipiente se rompa e a árvore se torne um referencial à família.

Marco Túlio Fumis, CEO do Grupo, conta que encontrou dificuldade em encontrar empresas que produzissem as urnas, além da resistência interna. "Teve todo um processo de engajamento dos funcionários. Eles foram motivados a pensar na sustentabilidade, a sair do comodismo."

Fonte: Folha de São Paulo

Grupo busca micróbios na Antártida que purifiquem esgotos urbanos

A Antártida é muito mais que geleiras, pinguins e baleias. Nem todos sabem, mas em seu subsolo há uma rica flora microbiana que pode servir para fins tão úteis quanto transformar os esgotos das cidades em canais de água limpa.

A pesquisadora francesa Léa Cabrol, uma jovem doutora de 29 anos que trabalha na Universidade Católica de Valparaíso, está realizando um trabalho de campo no continente mais inóspito do planeta.

Seu objetivo é contribuir para resolver um dos principais problemas das grandes cidades, fazer com que a água suja saia limpa e, de quebra, gerar gás metano para uso industrial.

A pesquisa, chamada 'Seleção e Identificação de Consórcios Microbianos com Atividade Metanogênica e Acidogênica a Baixa Temperatura para Aplicação à Digestão Anaeróbica Siprofílica', impressiona já pelo nome. Mas Léa explica o projeto de maneira sucinta e didática: "Estamos desenvolvendo o tratamento de águas residuais com bactérias".

"É um processo muito interessante, o problema é que funciona a 37 graus, enquanto a temperatura das águas residuais nas cidades europeias ou no sul do Chile, por exemplo, é muito mais baixa. O processo de aquecimento significa um custo enorme", comenta.

Acompanhada de seu assistente, o chileno Daniel Valenzuela, Léa colhe amostras de sedimentos depositados sob uma fina camada de gelo, na Ilha Rei George, onde chegou a 49ª Expedição Antártica Chilena nos últimos dias.

"Buscamos essas bactérias em fontes naturais, onde a temperatura sempre se mantém baixa. Esse tipo de microorganismo foi encontrado em algumas regiões do Ártico e na Rússia, mas não na Antártida", explica. "A ideia é buscar sedimentos em zonas úmidas com uma camada superior de gelo ou neve que facilite a digestão anaeróbica, porque as bactérias que produzem metano não funcionam na presença de oxigênio", acrescenta.

Consórcio de bactérias

Segundo a doutora francesa, que está há um ano e meio trabalhando no Chile, "descobrir bactérias dessa natureza em um meio como o antártico permitiria tratar as águas residuais de áreas frias do mundo, onde a temperatura média é de dez graus". Mas, além disso, aponta seu assistente, as bactérias devem metabolizar a matéria orgânica dos esgotos em alta velocidade, porque o volume de líquido a tratar é muito grande e o processo não pode desacelerar.

Ao contrário de outros cientistas que participam da Expedição Antártica Chilena, essa equipe de pesquisa não procura apenas uma espécie de bactéria para isolá-la e cultivá-la no laboratório.

"Nós buscamos um consórcio, uma comunidade microbiana com centenas de espécies diferentes que trabalhem interagindo umas com outras", detalha a doutora Léa, que se mostra otimista sobre os resultados que possa alcançar o trabalho de campo.

"Acredito muito nas amostras que colhemos ontem (na ilha Rei George), porque havia muita matéria orgânica dos leões marinhos e isso é uma fonte de nutrientes para as bactérias. Além disso, nos poços de água se viam borbulhas, e isso indica que está saindo gás da camada de sedimentos", afirma.

Para uma bactéria desse tipo, se alimentar da matéria orgânica que há no solo antártico ou dos resíduos humanos dá exatamente no mesmo, porque envolve os mesmos processos metabólicos.

Apoio do Chile

No projeto da pesquisadora participam a Universidade Católica de Valparaíso e a de Concepción no Chile, a Universidade de Lyon, na França, e a Universidade Técnica da Dinamarca.

Após ser submetida à avaliação de duas comissões de microbiologista, em setembro do ano passado a pesquisa foi incorporada ao programa do Instituto Antártico Chileno (INACH), uma instituição pública que atualmente subsidia 64 projetos.

Até hoje, nenhuma instituição privada financia o estudo dessas microbactérias, mas algumas empresas, como a espanhola Águas Andinas, já mostraram seu interesse em outros projetos vinculados a essa pesquisa.

Após a coleta de amostras em várias partes do território antártico e a realização de análise preliminares, Léa Cabrol e sua equipe da Universidade Católica de Valparaíso terão mais três anos de trabalho em laboratório antes de saber se esses grupos microbianos finalmente servem para o objetivo que buscam.

Caso não sirvam, os cientistas continuarão tentando, "porque na pesquisa científica a questão é saber como é preciso enfrentar coisas que nem sempre funcionam, de aceitar o fracasso e buscar que na próxima vez as coisas saiam melhor", resume Léa.

Fonte: Uol


Pesquisadores fazem esgoto virar adubo





O esgoto doméstico pode se tornar um aliado da agricultura. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão desenvolvendo um adubo, feito com lodo produzido em estações de tratamento de esgoto, que se mostrou mais eficiente que os fertilizantes comerciais. Fruto de parceria da UFF com a prefeitura de Volta Redonda (RJ) e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade, os experimentos vêm sendo conduzidos em uma estação de tratamento do município desde 2011.

Segundo a pesquisadora Fabiana Soares dos Santos, que coordena a equipe de cinco professores da UFF e alunos de iniciação científica, o uso agrícola do lodo é uma boa ideia porque "alia o baixo custo com o impacto ambiental extremamente positivo".

O lodo de esgoto doméstico é o resíduo gerado no tratamento do esgoto sanitário e pode causar sérios problemas ambientais se disposto de forma inadequada. Em vez de ser descartado nos aterros, ele vira matéria-prima para a produção do fertilizante, por ser fonte de matéria orgânica e nutrientes para as plantas.

Mas esse lodo pode conter certas substâncias que, em determinadas concentrações, são nocivas ao meio ambiente e à saúde. Por isso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou em 2006 a Resolução n.º 375, que define quais são os níveis máximos de poluentes que o lodo de esgoto pode ter para ser usado na agricultura.

O fertilizante feito pela equipe da UFF foi criado com base uma mistura desse lodo com resíduos das podas de árvores feitas pela prefeitura. Durante quatro meses, os pesquisadores fizeram a compostagem desses materiais e analisaram se os agentes contaminantes orgânicos, inorgânicos (metais pesados) e biológicos (coliformes, ovos de helmintos, salmonela) estavam adequados aos níveis da resolução.

Concluída essa etapa, iniciaram os experimentos com o cultivo de milho e de aroeira, uma espécie arbórea utilizada em projetos de reflorestamento. Nessa fase, os pesquisadores cultivaram as duas plantas em cinco diferentes tipos de solo: um adubado com o fertilizante desenvolvido por eles, um com o substrato comercial, e os outros três utilizando combinações desses dois adubos em diferentes proporções.

Resultados

A equipe de Fabiana constatou que as plantas se desenvolveram melhor nos tratamentos que continham as proporções mais concentradas do composto de lodo de esgoto. "No caso do milho, a diferença foi bem marcante entre o tratamento com o substrato comercial puro quando comparado com o lodo de esgoto. O lodo teve um efeito significativo no desenvolvimento das plantas."
Agora, eles se debruçam sobre os dados coletados e analisam, em laboratório, os pigmentos e a concentração dos nutrientes nas folhas para comprovar fisiologicamente a diferença que já pode ser constatada só de olhar.

Fonte: A Tarde

Efeito do aquecimento por atividades urbanas é sentido em outras regiões

Cientistas estão descobrindo que as cidades aquecem até 2°C em um raio de mil quilômetros a seu redor
Você não precisa viver em uma cidade – ou mesmo perto de uma – para que as atividades urbanas afetem seu clima, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores usando um modelo computadorizado da atmosfera concluíram que as atividades das áreas urbanas podem aquecer o ar a mais de 1600 quilômetros de distância. Em algumas áreas, esse aumento foi maior do que um grau Celsius (1,8 grau Fahrenheit).

As mudanças de temperatura foram causadas pelo comportamento humano nas cidades, como o aquecimento causado por edifícios e veículos no lugar do calor natural, que é absorvido pelas superfícies pavimentadas. O calor entra na atmosfera diretamente acima das cidades, segundo os cientistas, mas depois é disperso pelos movimentos naturais das corrente globais.

Ao mesmo tempo, no entanto, ao afetar o movimento do ar na atmosfera, o calor dos centros urbanos resulta também em ar mais frio em algumas partes do mundo, incluindo certas partes da Europa.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Estadual da Flórida, da Instituição Scripps de Oceanografia e do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, foi publicado no periódico Nature Climate Change. Ele se baseou em dados climáticos da Organização das Nações Unidas e em vários relatórios publicados sobre o consumo de energia per capita.

O aumento da temperatura pode explicar o motivo de algumas áreas estarem enfrentando invernos mais quentes do que modelos climáticos computadorizados haviam projetado, segundo os pesquisadores. Para melhor representar os efeitos do aquecimento global, cientistas do clima devem considerar a incorporação dos efeitos das zonas urbanas, concluíram eles.
 
Fonte: Portal iG

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