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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Deus não tem religião e ‘Cristo não veio para criar cristãos’, artigo de Gilmar Passos

No planeta há várias religiões, cada religião tem seu próprio sistema de orientação doutrinária. Por elas se distribuem milhões de pessoas. Cada pessoa que adere a determinada religião recebe orientações teóricas e práticas para se manter nela. Embora isso seja verdade não se descarta a pretensão de pessoas que optam a não pertencer a um grupo religioso especifico, outros que acreditam que o importante é absorver um pouco de cada uma delas e outras que não querem fazer parte de nenhuma delas.


Há religiões que abrigam uma pequena quantidade por existirem em lugares tribais de pequeno porte. Todavia, há aquelas que aglomeram milhões de adeptos por se situarem num conjunto cultural global no planeta. É certo que todas as religiões não são uniformes e as que apresentam maiores divisões são aquelas de grande escala. Quanto maior a religião, mas ela apresenta suas várias divisões.

As divisões se forem levadas em consideração num raciocínio integrado favorecem a unidade, tanto de cada religião quanto das religiões em si. Este modo de raciocínio ainda não prevalece, por isso vemos as religiões se esfacelarem. Isso porque o que se estar em jogo não é o sentido sagrado do profundo da vida, mas o lucro e a ambição de prepotência, aquilo que a Bíblia chama de pecado original.

Dentro da historia, vários reis e imperadores se consideraram um deus, chegando ao absurdo de manipularem as pessoas que estavam em seus territórios de domínio. Isso encheu os pulmões deles pela ganância de poder econômico e bélico, instrumentalizando pessoas e violentando-as.

O Império Romano é o que mais de exemplar se apresenta aos ocidentais. Nele apareceram imperadores que absorveram para si toda autoridade divina. Calígula é um exemplo desse absurdo. Nos tempos atuais, isso estar voltando com outra aparência.

Como atualmente não temos pessoas com grande potência como nos grandes impérios do passado, temos pessoas que se multiplicam em várias partes do planeta. Essas pessoas disseminam arrogância, ganância de poder e crueldade. Quando algumas delas conseguem um poder de escalão na sociedade demonstram suas loucuras, as consequências são guerras entre países. Na mesma linha segue aquelas que mesmo sem alcançar poder social promovem nas esquinas, praças ou lugarejos brigas e discórdias entre as pessoas. Tudo isso não é briga de deus, é briga por que querer ser deus. Certamente querem ser o Deus que nenhuma religião em sã razão considera existir.

Deus não tem religião, não segue os padrões impostos pelas religiões e pelos não religiosos. Ele não se enquadra em nada que o ser humano possa estabelecer. Mas, quem é Deus? Certamente Ele está na força escondida na profundidade da vida humana. Podemos encontrá-lo quando na quisermos mais procurá-lo. Deus é tudo aquilo que o ser humano não pode definir.

O cristianismo conhece Deus a partir de Jesus Cristo, mas Jesus não definiu Deus, nem fez grandes discursos ou propagandas sobre Ele. O que Cristo fez foi pregar um mundo de unidade na diversidade, sem fome, ódio ou guerra, um mundo de justiça e paz. Podemos acrescentar que o mundo pregado por ele é de inteligência e sabedoria humana.

O erro histórico do cristianismo foi entender e criar a prática de fazer cristãos, coisa que Jesus não quis. “Cristo não veio para criar cristãos”, colocação inteligente e sábia do teólogo Leonardo Boff numa de suas entrevistas. Quando nós cristãos entendermos que o primordial de Jesus Cristo é o Reinado de Deus e não criar cristãos seremos libertadores como nosso Mestre.

Com isso entendemos que o cristianismo tem em sua raiz o primeiro passo para paz religiosa e para o mundo secular. Se cada cristão, seja ele católico ou não, entender o sentido real do Reinado de Deus fará grandes milagres, coisa que esses doentes com a Bíblia na mão gritando trazer a cura das doenças e só aumentam a sua conta bancária não conseguem fazer.

Gilmar Passos é Administrador Paroquial da Paróquia Santa Rita de Cássia da Diocese de Estância (SE) e tem uma formação cristã ampla. Estudou Filosofia no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, Aracaju-SE e Teologia no Seminário Diocesano Rainha das Missões. Obteve a validação do Curso de Teologia pelo MEC na Faculdade Católica de Fortaleza. Atualmente cursa Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior no Instituto de Ciências Humanas João Paulo II (IJOPA). É membro da Academia Estanciana de Letras (AEL), em Estância/SE. Passos é autor de dois livros: Identidade cristã no século XXI (2012) e Miopia humana e mensagem cristã: uma leitura de fé em tempos de crise (2013), ambos publicado pela Fonte Editorial.

Fonte: EcoDebate

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