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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Especísmo e ecocídio: a extinção dos Guepardos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O guepardo selvagem é considerado o animal terrestre mais rápido do mundo. Evoluiu na África durante a época Miocena (de 26 milhões a 7,5 milhões de anos), antes de migrarem para a Ásia. Sobreviveu às diversas transformações do clima no planeta, mas os cientistas dizem que pode desaparecer até 2030, não resistindo às condições impostas pelo Antropoceno.


No começo do século XX, a população mundial de guepardos era de 100 mil indivíduos, distribuídos entre África, Oriente Médio, Irã e outros países asiáticos. Hoje restam apenas 10.000 em liberdade na África e uma centena no Irã. Se nada for feito, calcula-se que em 2030 o guepardo selvagem desaparecerá.

Este felino caçador, que pode alcançar os 120 km/h, está em perigo de extinção particularmente porque é o único mamífero com dificuldades para se adaptar à vida em um parque natural protegido, onde sofre com a competição com outros animais. O guepardo tem dificuldade para se adaptar à vida nos parques porque fica inferiorizado por predadores maiores ou que atuam em bando.

Como explicou à AFP a doutora Laurie Marker, do CCF (Fundo de Proteção do Guepardo, na sigla em inglês) com sede na Namíbia: “O principal obstáculo para a sobrevivência da espécie na natureza é a redução e a fragmentação de seu habitat, assim como os conflitos com o ser humano”.

Ao contrário de outras espécies ameaçadas, como elefantes e rinocerontes, o guepardo não é tão ameaçado por caçadores ilegais, mas está menos preparado para viver em um mundo onde os territórios selvagens diminuem ano após ano. Como é o mais frágil dos predadores, ele perde sistematicamente os confrontos com leões ou leopardos, mais pesados e fortes. Além disto, outros felinos e as hienas costumam roubar suas caças.

Com isso, este velocista, pesando cerca de 50 quilos, precisa de grandes espaços abertos com uma reduzida população de outros carnívoros. Estima-se que na África 90% dos guepardos vivam fora das áreas naturais administradas pelos governos, o que os deixa à mercê de tiros dos fazendeiros, que usam armas de fogo para defender seu gado.

Quanto maiores são as áreas ecúmenas e o impacto das atividades antrópicas no mundo, mais reduzidas ficam as áreas selvagens. Para salvar os guepardos, os elefantes, os rinocerontes, os orangotangos, etc, será preciso aumentar as áreas anecúmenas e reselvagerizar os territórios naturais, ampliando os territórios voltados para a conservação da biodiversidade.

A necessidade de reselvagerização fica mais clara quando se vê os estudos publicados em julho de 2014 na Revista Science que mostram taxas alarmantes de ecocídio. A humanidade é responsável pelo risco de espécies não-domesticadas desaparecerem com 1000 vezes mais intensidade do que os processos naturais. Isto acontece em função dos impactos da perda da fauna devido ao empobrecimento da cobertura vegetal, à falta de polinizadores, ao aumento de doenças, à erosão do solo, aos impactos na qualidade da água, etc.

Ou seja, os efeitos são sistêmicos e um dos artigos da revista chama este processo de “Defaunação no Antropoceno”, que nada mais é do que o aprofundamento da discriminação contra as espécies não humanas e a generalização do crime do ecocídio.

Referência:
UOL. Guepardo selvagem corre risco de desaparecer até 2030. 23/04/2013

ALVES, JED. Especísmo e ecocídio: o sumiço das abelhas. EcoDebate, Rio de Janeiro, 18/09/2013

ALVES, JED. Por um mundo mais selvagem! EcoDebate, RJ, 14/08/2013

Saeed Kamali Dehghan. Cheetahs’ Iranian revival cheers conservationists. The Guardian, 23/10/2013

Vanishing fauna. Science. Special Issue, 25 July 2014



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Fonte: EcoDebate

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