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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Como limitar as emissões de carbono e lucrar

Até 4 de setembro, representantes dos signatários da convenção da ONU sobre o clima permanecerão reunidos na cidade alemã na penúltima reunião que antecede a 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas de Paris, que acontecerá em dezembro.

Bonn, 2 de setembro de 2015 ‒ O Observatório do Clima (OC) apresentou nesta quarta-feira, na Alemanha, a proposta pela qual o Brasil pode limitar suas emissões de gases de efeito estufa a 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2030. O documento — chamado de INDC da sociedade civil, lançado em junho em São Paulo (SP) — sugere a neutralidade de carbono no mundo em 2050, reduzindo assim o risco de mudanças climáticas graves.

Representantes dos países que participarão da conferência de Paris estão em Bonn até 4 de setembro, preparando um novo texto base das negociações. Ele ainda é um anteprojeto de acordo, mas que já deve ser mais claro que o anterior, apesar de manter opções abertas para debates.

Sétimo emissor de gases de efeito estufa do mundo, o Brasil ainda tem de apresentar a sua meta de redução de emissões (INDC) para a conferência de Paris. A presidente Dilma Rousseff deu um sinal político positivo em agosto, comprometendo-se com a descarbonização da economia global até o fim deste século.

“A proposta feita pela presidente é um sinal animador, mas nós acreditamos que a descarbonização precisa ser alcançada muito antes”, afirmou Viviane Romeiro, do WRI Brasil (World Resources Institute). A INDC do Observatório do Clima — a primeira já proposta pela sociedade civil — mostra como o Brasil pode fazer a sua contribuição justa, revertendo sua trajetória de emissões atuais e criando empregos e oportunidades econômicas no processo.

Uma equipe de especialistas das organizações integrantes do OC estudou a curva de emissões do Brasil e indicou as políticas e medidas que podem permitir que o país sul-americano atinja a meta justa e ambiciosa de 1 bilhão de toneladas cortando as emissões em três setores-chave da economia: agricultura, mudança no uso da terra e energia. Juntas, essas medidas podem efetuar uma redução de 35% nas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2010 (1.545 GtCO2e, não incluindo florestas em terras indígenas e áreas protegidas).


Entre essas medidas estão o fim do desmatamento até 2030, em consonância com as disposições da Declaração de Nova York sobre Florestas; restauração de pelo menos 14 milhões de hectares de florestas nativas; aumento de energias renováveis não-hidrelétricas na geração de energia de 12% para 40%; vasta expansão do uso de biocombustíveis, alcançando 80 bilhões de litros de produção de etanol; e restauração de 18 milhões de hectares de pastagens degradas. Essas medidas propostas incrementariam tecnologias que já são bem difundidas no Brasil, ou impulsionariam setores nos quais o Brasil tem vantagens competitivas.

“Nós temos alto grau de confiança em que a meta que estamos propondo reflete a contribuição justa do Brasil aos esforços globais, em que ela é cientificamente necessária e economicamente viável”, afirmou Mark Lutes, analista-sênior de clima do WWF.

Segundo Viviane Romeiro, a proposta do OC também deixa uma mensagem para as organizações da sociedade civil dos países desenvolvidos, que têm maior responsabilidade pela crise climática. “A sociedade civil deveria fornecer a base para a INDC ideal para esses países. Vários países já submeteram suas INDCs, mas nós sabemos que o nível de ambição delas ainda não é suficiente para atingir a meta global recomendada pela ciência.”

Sobre o Observatório do Clima

Rede de entidades da sociedade civil que objetiva discutir a questão das mudanças climáticas no contexto brasileiro. Promove encontros com especialistas na área, além de articular os atores sociais para que o governo brasileiro assuma compromissos e crie políticas públicas efetivas em favor da mitigação e da adaptação do Brasil em relação à mudança do clima.

Fonte: Envolverde

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