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sexta-feira, 11 de abril de 2014

'Nosso modelo econômico é o vilão da crise ambiental'

O enfrentamento das mudanças climáticas é uma luta que a humanidade está travando contra si mesma na busca de um modelo de desenvolvimento sustentável. E, por enquanto, não está se saindo muito bem nisso. "Estamos contra as cordas e atordoados", diz o advogado de Direito Internacional Eduardo Felipe Matias, autor do livro A Humanidade Contra as Cordas (Paz e Terra), lançado nesta terça-feira, 8, em São Paulo. A boa notícia é que não vai ser fácil, mas ainda dá tempo de virar o jogo, diz ele.

A entrevista é de Herton Escobar, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 07-04-2014.

Eis a entrevista.

O título do livro faz uma analogia com uma luta de boxe. Em que estágio estamos dessa luta, e como estamos nos saindo?

A analogia é exatamente essa; estamos contra a cordas e atordoados, especialmente porque fomos nós mesmos que nos colocamos nessa situação complicada. Se você parar para pensar quem é o vilão nessa história, ele é todo o nosso modelo econômico de sociedade. Estamos diretamente inseridos nisso, e não há como fugir (dessa responsabilidade). Há uma inércia muito grande que precisa ser combatida. A tendência é que essa inércia prevaleça e a gente continue a fazer as coisas do mesmo jeito, até porque isso favorece os grupos já dominantes nessas circunstâncias.

Qual é a responsabilidade dos indivíduos nessa luta?

Cada indivíduo é importante como uma parte desse sistema no qual estamos inseridos, seja como eleitores, como consumidores ou simplesmente como cidadãos. Então, nossa participação é fundamental. Nesse ponto eu faço um paralelo entre duas crises: a financeira e a ambiental. Uma conclusão que permeia todo o livro é que o principal problema que vivemos é o dos incentivos equivocados; incentivos de curto prazo, voltados para o lucro imediato. O consumidor tem o papel de pressionar as empresas e também de persuadi-las, porque a partir do momento que ele ganha consciência e começa a privilegiar empresas sustentáveis, ele manda uma mensagem para as outras empresas que aquilo é importante.

E as empresas?

As empresas têm um funil pela frente. Seja pela escassez de recursos seja pela pressão do consumo consciente, as empresas que saírem na frente e passarem primeiro por esse funil da sustentabilidade sairão na frente, com vantagens, enquanto que as passarem por último correrão risco até de perecer.

O senhor vê isso acontecendo já? Essa mudança de atitude em favor da sustentabilidade?

Sim, acho que está acontecendo, mas de forma ainda muito insipiente, se pensarmos no tamanho do problema - que o novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra ser grande. Deveríamos estar muito mais adiantados. A imagem que eu uso no livro é de um círculo virtuoso da sustentabilidade; o objetivo é mostrar quais são os atores e quais são os instrumentos que esses atores têm para tentar reverter essa situação. Não vai haver uma bala de prata e não é um grande ator ou um grande acordo internacional que vai resolver o problema; a gente tem de acionar todos esses atores ao mesmo tempo, agora.

Como o Brasil se encaixa nesse círculo virtuoso? O País está fazendo um bom papel?

Acho que o Brasil está perdendo a oportunidade de se tornar um Estado líder nessa área. Do mesmo jeito que as primeiras empresas que passarem pelo funil da sustentabilidade vão se beneficiar, os Estados também vão. Os países que criam incentivos na direção correta, investem em pesquisa e desenvolvimento, e que entendem essa tendência de sustentabilidade, vão sair na frente. O Brasil tem tudo para ser um país de ponta nessa área, por conta de suas atribuições ambientais e até pelo pioneirismo em certas áreas que, infelizmente, estão sendo deixadas de lado, como a do etanol. Então, vemos que pode ser uma oportunidade perdida.

A atual crise da água em São Paulo tem relação com isso?

Com certeza. No livro, falo dos limites do planeta que não podem ser extrapolados, e o da água é o mais evidente. Nesta segunda, vi uma estatística que o desperdício de água potável no Brasil supera 38%. É um absurdo, que mostra com a gente age de maneira imediatista, como se os recursos fossem infinitos, ignorando completamente a necessidade de preservação a longo prazo.

E o novo relatório do IPCC confirma tudo isso?

Sim, confirma com 95% de certeza que nós somos os culpados (pelas mudanças climáticas), e que as consequências são graves e já começaram a aparecer. Então, está mais claro do que nunca que quem nos colocou contra as cordas fomos nós mesmos, e que para sair delas precisamos mudar nossa atitude nessa luta.

Ainda dá para ganhar a luta?

Dá, mas vai exigir um esforço considerável. Temos de continuar lutando e ganhar a luta, ou seremos nocauteados, mas não podemos ignorar o fato de que o prejuízo causado já foi grande, e por isso há a necessidade de se adaptar a esse mal que já foi causado.da violência e inimigas da cidade".
Brasil é o terceiro país do mundo com mais conflitos ecológicos

A exploração mineral, o desmatamento e a disputa por terras e água estão entre os maiores motivos de conflitos ambientais do mundo, segundo um levantamento internacional divulgado recentemente pela ONG Ejolt(Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade) e coordenado pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Os pesquisadores identificaram 945 casos em 78 países. Empatado com a Nigéria, o Brasil foi o terceiro colocado no ranking, com 58 casos, atrás apenas da Índia (112) e da Colômbia (77).

A reportagem é de Renato Grandelle, publicada pelo jornal O Globo, 08-04-2014.

Os conflitos do país, segundo o Atlas Global de Justiça Ambiental, estão ligados à abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente. São obras, como a construção de hidrelétricas, que dividem ativistas e empreiteiras; e o setor agrícola, cujas plantações invadem unidades de conservação.

— O crescimento da população mundial provocará uma busca cada vez mais intensa por commodities, e o Brasil, que é rico em terra, água, petróleo e minérios, será um alvo — descreve Leah Temper, coordenadora do Atlas. — E este recursos estão em terras ocupadas por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. Estes grupos serão os mais afetados.

Entre os conflitos ecológicos brasileiros estão episódios de grilagem para especulação imobiliária e a disputa por regiões que poderiam receber projetos como barragens hidrelétricas. São instalações que ampliam a geração de energia por uma matriz energética considerada limpa, mas que provocam alto impacto ambiental no local de sua construção.

Falhas na legislação

Apesar do processo de industrialização nacional ter catapultado nas décadas passadas, as exportações do Brasil são altamente dependentes de produtos do setor primário. Em 2012, metade dos produtos comercializados para outras nações vinham do agronegócio — carne, soja, etanol, por exemplo — e outros semiacabados, entre eles alumínio e aço bruto. O potencial econômico do campo leva extrativistas a se aventurarem em reservas indígenas.

Professor de Direito Ambiental da Fundação Getúlio Vargas, Rômulo Sampaio lembra que a exploração de commodities sempre gera disputa de interesses.

— O petróleo, por exemplo, provoca interesses nacionais, conservacionais e do mercado privado — destaca. — No campo, o problema fundiário torna o conflito ainda mais agudo, devido à desigualdade na distribuição de propriedades.

Sampaio atribui os dilemas ambientais e suas consequências sociais a falhas graves na legislação.

— Não há uma discussão sobre como lidar com os conflitos — condena. — Falta uma orientação, uma política pública. O debate só aparece na hora de implementação de cada projeto. Por isso, aumenta o número de ações no Judiciário.

A Fiocruz realiza, desde o ano passado, um catálogo sobre injustiças ambientais no Brasil. O órgão foi uma das fontes do mapeamento da UAB e, em trabalhos independentes, destaca os danos à saúde coletiva provocados pelos conflitos ecológicos. Nas grandes cidades, moradores no entorno de lixões estão sujeitos a doenças respiratórias, dengue e leptospirose.

Já a atuação da indústria em áreas próximas a rios leva à alteração do ciclo reprodutivo da fauna, a doenças cardíacas e à insegurança alimentar.

— Analisamos denúncias de problemas de saúde causados por conflitos ecológicos, como a contaminação de rios por agrotóxicos — revela Marcelo Firpo Porto, professor do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública. — As doenças estão ligadas à degradação dos ecossistemas.

Em seu novo mapeamento, a Fiocruz já identificou 450 casos de conflito ecológico no Brasil.

— Levamos ao mapeamento da UAB os casos mais emblemáticos, relacionados ao comércio internacional — conta. — Mas conhecemos muitas outras ocorrências, de âmbito regional ou nacional.

No Rio, por exemplo, a Zona Oeste registra dois casos que seriam atentados à justiça ambiental. O polo industrial de Santa Cruz já provocou emissões de uma poeira de ferro e carbono, que causa danos ao aparelho respiratório.

Na Barra da Tijuca, moradores de comunidades vizinhas à Vila do Autódromo são ameaçadas de remoção devido à especulação imobiliária. A região receberá instalações para os Jogos Olímpicos. Segundo a Fiocruz, alterações já realizadas pelo assoreamento de recursos hídricos no local pioram a qualidade de vida da população.

Para Sampaio, as comunidades urbanas e rurais têm em comum a falta de mobilização, que permite a sobrevivência de problemas seculares.

— Não existe uma organização social entre as comunidades menos favorecidas, o que prejudica sua representatividade — assinala.

Leah, que está à frente da organização do Atlas, reconhece que o mapeamento ainda tem um longo caminho para percorrer. Nesta primeira edição, o trabalho contou com a adesão de 23 universidades e ONGs de justiça ambiental de 18 países.

‘Dívida ambiental’

O levantamento não chegou a regiões expressivas do planeta, como a China, a Ásia Central e o Oriente Médio.

— Temos muitos lugares em branco no mapa — reconhece. — Mas, agora que ele é público, vamos convidar pesquisadores e ativistas dessas regiões para documentar outros conflitos e expandir o nosso conhecimento.

A coordenadora do Atlas, no entanto, assegura que a iniciativa já confirma um padrão histórico.

— O Hemisfério Sul continua suprindo as nações desenvolvidas com manufaturas de baixo preço e pagam um alto preço ecológico. As nações ricas têm uma “dívida ambiental” — analisa.
Brincando (e lucrando) com a catástrofe climática

"Em 2008, a Shell desenvolveu dois cenários sofisticados de riscos relacionados ao clima. Denominou-os Blueprints [“Perspectivas”] e Scramble [“Escalada Acidentada”]. O primeiro projetava um futuro mais limpo, ao passo que o segundo previa – devido a paralisia dos governos – um futuro de secas, inundações, ondas de calor e supertempestades. Por volta de 2012, os executivos da empresa confidenciaram a Funk: 'Entramos no cenário scramble. É este o tipo de mundo em que viveremos. É ele que nos orienta'. Outro executivo da Shell afirmou: 'Serei um dos que brindará a chegada de um verão sem fim no Alaska'"

A reportagem foi publicada originalmente por Bary Olson e traduzido Antonio Martins para o portal Outras Palavras, 08/4/2014.

Uma manchete recente da Agência Bloomberg alerta: “Lucre com o Aquecimento Global ou fique para trás” Em seu novo livro, Windfall [“Sorte Grande”, ou “Vento a Favor”, em tradução livre] (Nova York, Penguim, 2014), o jornalista veterano Mckenzie Funk relata como viajou pelo mundo por seis anos, para traçar o perfil das “centenas de pessoas que perceberam que a mudança climática iria enriquecê-las”.

Numa pesquisa à parte, Funk realça que “em Wall Street, já não há mais um grande número de pessoas que neguem a mudança climática”. Quase sempre indiferentes às causas do fenômeno, seus entrevistados tomaram a decisão de não investir em tecnologias limpas, por verem em tal gesto perda de dinheiro. Em vez disso, “quanto mais aquecido o mundo, quanto menos habitável ele se tornar, mais forte o vento a favor”…

Em 2008, a Shell desenvolveu dois cenários sofisticados de riscos relacionados ao clima. Denominou-os Blueprints [“Perspectivas”] e Scramble [“Escalada Acidentada”]. O primeiro projetava um futuro mais limpo, ao passo que o segundo previa – devido a paralisia dos governos – um futuro de secas, inundações, ondas de calor e supertempestades. Por volta de 2012, os executivos da empresa confidenciaram a Funk: “Entramos no cenário scramble. É este o tipo de mundo em que viveremos. É ele que nos orienta”. Outro executivo da Shell afirmou: “Serei um dos que brindará a chegada de um verão sem fim no Alaska”…

A mensagem do autor é que, no curto prazo, haverá vencedores e perdedores definitivos, porque a catástrofe ecológica “não é, necessariamente, uma catástrofe financeira pra todos”. E enquanto os leitores deste site poderão evitar, por algum tempo, as piores consequências do aquecimento global, um bilhão de outros seres humanos não serão poupados.

Neste período de transição, a frase “uma maré em alta levanta todos os barcos” será mais que uma metáfora:

> Muitas pessoas veem a água como uma necessidade e um direito humano básico. Mas os consultores de investimentos e seus bem-aventurados clientes enxergam o recurso como “ouro azul”, ou “o petróleo do novo século”, cujo valor como ativo irá superar todas as outras commodities físicas. O dinheiro está correndo para o “hidrocomércio”, inclusive para os fundos financeiros que negociam “direitos sobre a água” e “ativos de água”.

> A Arcadis, uma empresa holandesa de engenharia que oferece proteção contra enchentes afirma que seu faturamento cresceu 26% em 2013. Por 8 bilhões de dólares, eles prometem murar Manhattam de um furacão como o Sandy.

> Os bombeiros privados da seguradora AIG estão a postos para proteger as propriedades dos ricos, nos subúrbios de Los Angeles com novíssimas tecnologias. Enquanto isso, os cidadãos menos abonados verão suas casas reduzidas a cinzas.

> Barney Schaulbe, executivo da Nephia, um enorme fundo de hedge, está convencido de que “um clima mais volátil provoca mais riscos e mais apetites para proteção contra os ricos”. Daí vem, ele explica, a introdução de algo chamado “derivativos do clima”.

> Um investidor com base em Londres etá colocando dinheiro em propriedades rurais na Rússia e em redes globais de supermercado porque as ecas, incêndios, desertificação e enchentes relacionadas à mudança climática irão afetar negativamente as colheitas. E, como diz outro analista, “as pessoas sempre estarão dispostas a pagar para comer”.

> Um gerente de fundos, interessado em empresas de seguros, disse a Funk, confiante, que as enchentes causadas pela mudança climática tornarão este tipo de proteção mais caro. Por isso, “a estação de furacões é, de fato, algo muito positivo”.

> Embora o fato não seja mencionado no livro, o senador norte-americano James Inhofe, do Partido Republicano, quer direcionar ainda mais dinheiro para Wall Street, por meio de “contas de socorro a desastres”. Por meio delas, famílias ricas poderão receber até 5 mil dólares de redução de impostos, para investir na mitigação eventos climáticos extremos. Ampliando os limites de sua audácia política, Inhofe escreveu há pouco O grande boato, um livro segundo o qual o aquecimento global é uma conspiração gigante, criada para estimular as regulações estatais.

> Um mundo mais aquecido significa a expansão de doenças como a dengue, para além das zonas tropicais. A solução? A empresa britânica Oxitec prevê que um remédio patenteado, para conter a doença transmitida pelo mosquito, é uma máquina segura de fazer dinheiro.

> A elevação do nível dos mares faz de Bangladesh uma espécie de “marco zero” para a mudança climática. A resposta da Índica é uma barrira elétrica de 3300 quilômetros, a “cerca da vergonha”, erguida para impedir que cerca de 25 milhões de refugiados climáticos de Bangladesh cruzem a fronteira, quando um quinto de seu país ficar sob as águas.

> Prevejo que Centros de Finanças Ambientais, de nível acadêmico, revejam o enforque atual, ligado à proteção ambiental, para posicionar vantajosamente estudantes dispostos a enxergar as vantagens da crescente crise ecológica.

Curiosamente, Funk procura não julgar as pessoas que entrevista. Prefere vê-las como gente de bem, “em sintonia com seu próprio sistema de crenças”, que agem para preservar seu auto-interesse. Ele concede: “Não podemos esperar que o capitalismo reveja nada disso”. Mas afirma que “não há nada de fundamentalmente errado em tirar proveito do desastre e lamenta que os leitores possam, de modo injusto, transformar os homens de negócio em vilões.

Num sentido estrito, ele está correto. A responsabilidade essencial é do sistema e de sua lógica interna fatalmente fracassada. Qualquer executivo-chefe que introduzisse em suas decisões considerações sobre justiça climática seria rapidamente substituído por alguém mais em sintonia com a pressão para produzir sempre por menos.

Num artigo anterior, caracterizei muitos dos que estão verdadeiramente preocupados como o futuro do planeta como“negacionistas do capitalismo”. Eles ainda não estão dispostos a perceber que a responsabilidade pela degradação ambiental repousa em nosso sistema de crescimento e lucro a qualquer custo. Os defensores do sistema existem dentro e fora dos Estados e nunca serão a solução.

Todos os outros podemos chegar às conclusões óbvias e agir de acordo com elas, dentro da limitada e frágil janela de tempo que ainda existe.
Banco Mundial prevê guerra por comida e água nos próximos anos

As batalhas por alimento e água devem eclodir dentro de cinco a dez anos, devido ao efeitos das mudanças climáticas. A projeção do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, foi feita durante entrevista ao jornal britânicoThe Guardian.

A reportagem foi publicada por Eco Desenvolvimento, 07-04-2014.

Ele pediu que ativistas e cientistas trabalhem em conjunto para criar uma solução para este problema global, e usou o exemplo do HIV para demonstrar como a união de esforços pode resultar em soluções mais rápidas e mais eficazes.

A fim de manter o aquecimento global abaixo do limite acordado internacionalmente, de 2 graus Celsius, Kimobservou que o mundo precisa de um plano para mostrar que está comprometido com a meta.

Ele delineou quatro áreas em que o Banco Mundial poderia ajudar a combater a mudança climática: investir em cidades mais limpas e sustentáveis, encontrar um preço estável para o carbono, reduzir os subsídios aoscombustíveis fósseis e desenvolver uma agricultura mais inteligente e resistente ao clima.

Os comentários de Kim seguem a publicação da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que advertiu que nenhuma nação ficaria intocada peloaquecimento global.

O relatório também alertou para os efeitos que as mudanças climáticas teriam sobre os preços dos alimentos, assim como em muitas outras áreas, como recursos hídricos. A produtividade agrícola pode cair 2% por década até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050.
Aquecimento global e alimentos

"Inicialmente, as empresas podem sentir que estão em um ‘encontro de loucos’ mas, dados os cenários apresentados pelo relatório do IPCC, a não adesão é algo cada vez mais impensável", escreve Dra. Aileen Ionescu-Somers, Ph.D e diretora do Centro de Estudos de Sustentabilidade Corporativa da escola de negócios suíça IMD, em artigo publicado pelo sítio Ideia Sustentável, 08-04-2014.

Eis o artigo.

O tom é sóbrio, e a mensagem, urgente. Em 2007, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)afirmou que ainda era muito cedo para dizer se o aquecimento global afetaria a produção de alimentos. Em 31 de março de 2014, o IPCC declarou provas contundentes de que a produção é, sim, afetada.

De todo modo, a pressão sobre o sistema alimentício foi aumentando ao longo de todos esses anos devido a outros fatores que, combinados, prejudicam muito os limitados recursos do planeta: a pobreza, o crescimento populacional, dietas baseadas em carne e laticínios adotadas por países emergentes, práticas agrícolas não sustentáveis e a concorrência por espaços de terra e água entre produtores de alimentos e de energia. Acrescente o aquecimento global nessa equação e você tem – perdoe o trocadilho – “uma tempestade perfeita”. E não é uma mera tempestade num copo d’água pelo seguinte motivo.

Inevitavelmente, algumas regiões do mundo se tornarão hotspots, incapazes de se adaptar às altas temperaturas e à seca, impedindo a produção de alimentos. Isto significa um menor rendimento de culturas, como de trigo e milho, para alimentar as pessoas e, com o tempo, todos os cultivos serão afetados. Um planeta mais quente irá provocar o aumento do preço dos alimentos por volta de 3% a 84% até 2050.

Os avanços da “Revolução Verde” na tecnologia agrícola e o crescimento populacional de 10% por década desde os anos 70 irão começar a diminuir. Isso não é bom para o atual índice de 1 bilhão de pessoas no mundo que passam fome e, pior ainda, para aquelas prestes a fazer parte dessa estatística.

Líderes empresariais precisam discutir e resolver questões críticas. Como garantir a sobrevivência e crescimento de suas empresas e, ao mesmo tempo, conservar o capital natural e melhorar as condições de vida das pessoas?Questões ambientais afetam a igualdade social e o bem-estar econômico. Questões sociais afetam a administração de terras e recursos naturais e esgotam o tecido econômico das comunidades e países.

Para um abastecimento alimentar seguro e crescente, a agricultura deve ser cultivada e fornecida de forma sustentável. Isso significa que é necessária uma verdadeira transformação nas cadeias de valor das empresas e uma abordagem radicalmente diferente da que é adotada hoje para o abastecimento de commodities agrícolas. Quando se trata de nosso sistema alimentício, as necessidades dos cidadãos e das comunidades são tão importantes quanto a dos acionistas.

Entendemos que seja complexo e desafiador o diálogo entre diversos acionistas e, consequentemente, o desenvolvimento de um entendimento comum. Inicialmente, as empresas podem sentir que estão em um ‘encontro de loucos’ mas, dados os cenários apresentados pelo relatório do IPCC, a não adesão é algo cada vez mais impensável.

Fonte: SGeral

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