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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Albânia convoca plebiscito para proibir a importação de lixo

A convocação de um plebiscito por iniciativa popular para proibir a importação de resíduos deixa a Albânia em um dilema: parar de trazer lixo do exterior e assim preservar seu meio ambiente ou continuar com a emergente e lucrativa indústria da reciclagem?
A chamada “Aliança contra a Importação de Lixo” (AKIP), que agrupa associações civis, cidadãos e ativistas, recolheu as 62 mil assinaturas indispensáveis para a organização do plebiscito, marcado para dezembro.

“É a primeira vez que se escuta a voz dos cidadãos. Trata-se de uma nova prática relacionada diretamente com a vida do povo e seu futuro”, afirma em declarações à agência EFE Kozara Kati, ativista dos direitos humanos e membro do grupo fundador da AKIP.

A Albânia importa 25 tipos de resíduos recicláveis – todos eles figuram na Lista Verde da UE -, dos 400 aprovados pelo governo em 2010 mediante a lei que autorizou a importação de lixo.

No entanto, a nefasta gestão do lixo doméstico – que transformou a Albânia em um dos países mais poluídos da Europa – e o temor de que sob a importação de resíduos se esconda um possível tráfico de substâncias tóxicas por parte da máfia, especialmente a italiana, são as duas principais razões apontadas pela AKIP para pedir a proibição da importação de resíduos.

Durante o comunismo, havia na Albânia poucos veículos, a indústria estava atrasada e as poucas sacolas de plástico e garrafas de Coca-Cola que entravam através da fronteira mais hermética da Europa eram conservadas como raras relíquias nas estantes das casas albanesas.

No entanto, essa cultura deixou de existir depois que o país se abriu à economia de livre mercado, em 1991, e, junto ao crescimento do bem-estar e do consumo, aumentou também a quantidade de lixo, que invadiu ruas, pradarias, leitos de rios, encostas de morros e o litoral.

Atualmente, os albaneses produzem 852 mil toneladas de lixo por ano, das quais apenas 10% são recicladas.

Somente a capital Tirana dispõe de despejo de lixo, enquanto as demais cidades o queimam de forma improvisada em campo aberto. Há povoados que nem sequer contam com contêineres públicos.

Mas o lixo, além de ser um problema de saúde pública e de contaminação do meio ambiente, se transformou em fonte de enriquecimento para um número crescente de albaneses e estrangeiros.

Com este objetivo, chegou no ano passado, proveniente do distante Peru, o ex-ministro das Relações Exteriores Augusto Blacker Miller para construir, junto a seus sócios italianos, a primeira grande incineradora de resíduos – no valor de 200 milhões de euros – na cidade sulina de Fier.

Dono da empresa albanesa de gestão de resíduos Apollonia Investments, pesa sobre Miller uma ordem de busca e captura no Peru por participar do golpe do ex-presidente Alberto Fujimori em 1992.

Além disso, dezenas de companhias italianas atuam no setor do tratamento de lixo. De acordo com especialistas, essas empresas podem esconder atividades ilegais.

O maior risco é o tráfico de materiais tóxicos, que estariam entrando no país graças à falta de controle, à pobre infraestrutura, à deficiente preparação dos funcionários e à corrupção dos agentes alfandegários, embora este ponto seja negado pelas autoridades.

“Pela Albânia não passou nenhum resíduo tóxico. A importação é muito estrita e é feita apenas com a permissão do primeiro-ministro”, assegura Vladimir Bezhani, diretor do Ministério do Meio Ambiente.

Mas, segundo a Europol (a Polícia europeia), Albânia, Romênia e Hungria são os principais destinos de resíduos tóxicos enviados da Itália e de outros países do sul da Europa.

Se for aprovada, a cessação da importação de resíduos levará à quebra a nova indústria de reciclagem albanesa, que funciona com matéria-prima importada, já que na Albânia o lixo ainda não é separado por sua origem, sendo descartado em contêineres comuns.

“A reivindicação da AKIP é absurda. Não é essa a solução para nos proteger da máfia do lixo, e sim o aumento do controle e as medidas preventivas”, avalia Vullnet Haka.

Dono de uma das maiores fábricas de reciclagem de polietileno, Haka perderá seu investimento de 15 milhões de euros caso a proibição seja aprovada, enquanto seus 200 operários ficarão sem emprego, assim como os demais três mil trabalhadores dessa indústria.

Fonte: Terra

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