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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Um ‘oásis verde’ floresce no lixo de uma favela do carioca

Com a ajuda de voluntários, Mauro Quintanilha trabalhou na limpeza, durante uma década, de um aterro de lixo em sua favela carioca, com a ideia de transformá-lo em um “parque ecológico”. Sua iniciativa, um tanto louca, acaba de ganhar um dos prêmios de urbanismo mais famosos do mundo.


Em 2005, “no início, pensavam que eu estava louco, as pessoas zombavam de mim. Eram 16 toneladas de lixo acumuladas durante 25 anos pelos habitantes da parte mais alta do Vidigal”, disse em entrevista à AFP Mauro, um músico percussionista de 55 anos.

Agora, a favela e seus 25.000 habitantes desfrutam de uma vista de tirar o fôlego, do alto de um penhasco sobre o mar e próximo de um dos bairros mais ricos da cidade.

Como a maioria das favelas do Rio, há pouco tempo o Vidigal não contava com serviços públicos, o que levou a anos sem recolhimento do lixo. A montanha de dejetos caía em cascata pela ladeira até a elegante avenida Niemeyer, às bordas do Oceano Atlântico.

“Eu era o habitante que vivia mais próximo do lixo. Havia de tudo: colchões, refrigeradores, pneus e até cadáveres de cães, o odor de putrefação era insuportável e isso me deprimia, então decidir agir”, explica Quintanilha.

O Parque Ecológico Sitiê ou “oásis verde”, como foi batizado por seus criadores, é hoje um refúgio na vida frenética da comunidade, onde se pode contemplar pássaros, borboletas e pequenos macacos, caminhar ou correr. Inclui uma horta que já produziu 700 quilos de verduras, plantas aromáticas e frutas distribuídas para os habitantes.

“No início, as pessoas continuavam vindo aqui para jogar seu lixo durante a noite. Pouco a pouco as educamos dando plantas da horta. A transformação alcançou não só o lugar, e sim os habitantes”, comemora Quintanilha, presidente do Sitiê.

Graças às plantas doadas pelo Jardim Botânico do Rio, o percussionista projetou a paisagem “de maneira intuitiva”.

Tudo o que era recuperável ou reciclável do lixo foi utilizado. Assentos sanitários coloridos e diferentes formas servem de vasos para plantas ornamentais. A partir de rodas de bicicletas, Quintanilha construiu mesas. As garrafas de plástico serviram para estrados e poltronas vendidos a baixo preço.

Para chegar ao oásis, é preciso subir uma escada estreita com velhos pneus cheios de escombros saindo da rua principal do Vidigal, por onde correm vários mototáxis.

O caminho servia de rota de fuga para os traficantes até a “pacificação” da favela em 2011, e se transformou em um mirante de onde se desfruta de uma bela vista das praias de Ipanema e do Leblon.

Pouco conhecida dos próprios cariocas, a iniciativa de Quintanilha deu uma guinada em 2012 durante a cúpula da ONU para o Desenvolvimento Sustentável Rio+20 e a visita de delegações estrangeiras.

O mais determinante foi a chegada na favela de um arquiteto brasileiro que acabava de finalizar seus estudos em Harvard, Pedro Henrique de Cristo, de 32 anos.

“Vi que os habitantes deste lugar fizeram uma revolução. As pessoas que vivem em favelas são incríveis, mas o espaço é desumano e deve ser melhorado. Enquanto os governos e a sociedade civil do ‘asfalto’ não entenderem isso, a integração social tão desejada não terá lugar”, diz Pedro, diretor e arquiteto do Sitiê.

“Quando chegamos, o parque tinha 1.100 m2 e em dois anos e meio o ampliamos para 8.500 m2″, diz o jovem arquiteto, casado com Caroline Shannon, de 29 anos, também arquiteta graduada em Harvard e que participou do projeto.

Colocando em prática seus conhecimentos e aproveitando o “momento olímpico” e sua onda de investimentos, o casal e Quintanilha sonham em construir até 2016 o Instituto Sitiê de Meio Ambiente, Arte e Tecnologia, um projeto estimado em um milhão de dólares, aprovado pela prefeitura do Rio, mas financiado inteiramente pela iniciativa privada.

Se conseguirem o dinheiro, o instituto contará com um centro de inovação tecnológica, uma biblioteca, salas para cursos de arte e música e até um restaurante que vai utilizar os ingredientes da horta. O projeto aborda também o tratamento do lixo e o controle de deslizamentos de terra.

“O importante é criar espaços públicos com educação, democracia e recreação, principalmente para as crianças, como antídoto para a violência”, explica Pedro.

O parque e o projeto do Instituto Sitiê receberam no final de abril o prêmio SEED Award 2015 em Detroit, Estados Unidos, um dos mais famosos do mundo em arquitetura, urbanismo e design, na presença de Quintanilha e de Pedro.

E já existe quem queira levar a ideia ao exterior. “Acabamos de saber que vamos para Cidade do Cabo, na África do Sul, para fazer o projeto conceitual de um parque urbano”, comemora o arquiteto.

“Se todos fizessem o que Quintanilha fez em outras favelas, seria maravilhoso. Transformar um lixão em um parque, que diferença!”, diz admirada Ivonete Tavares, moradora do Vidigal de 50 anos. 

Fonte: Terra

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