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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Alguns corais já estão prontos para encarar o aquecimento global

Estudo divulgado na revista americana Science pode representar alívio para oceanógrafos e climatologistas. Uma equipe da Universidade do Texas, em parceria com a Universidade de Oregon, descobriu que alguns corais da espécie Acropora millepora, localizados em áreas quentes da Grande Barreira de Corais, na Austrália, já apresentam variações genéticas que os tornam resistentes a águas mais quentes.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam os corais presentes em áreas mais quentes da Grande Barreira dos Corais, na Austrália, com outros situados em uma região quase 500 quilômetros ao sul. Eles acabaram descobrindo que larvas descendentes de corais do norte, cuja água é 2 graus mais quente, tinham dez vezes mais chance de sobreviver a maiores temperaturas, se comparadas às do sul.

Depois de identificar a diferença na resistência das duas, os pesquisadores analisaram o genoma das larvas e descobriram variações genéticas que estariam relacionadas a essa tolerância ao calor. Além disso, descobriram que mesmo quando os corais resistentes cruzam com os do sul, eles conseguem transmitir os genes resistentes.

Apesar de os pesquisadores terem focado o trabalho em apenas uma espécie, eles destacam que é grande a possibilidade de que outros corais tenham desenvolvido o mesmo mecanismo. “É muito provável que a variação genética será estruturada de forma similar em muitas, se não na maior parte, de espécies de corais que compartilham a mesma estratégia reprodutiva: liberar gametas na água uma vez por ano, que se dispersam em forma de larva. Mas isso ainda terá de ser confirmado”, disse ao site de VEJA Mikhail Matz, professor de biologia da Universidade do Texas em Austin e um dos autores do estudo.

O artigo ainda aponta que o homem poderia ajudar na preservação dos corais justamente ao espalhar pelos oceanos os que já desenvolveram genes resistentes. Os mares do Caribe e do norte do Oceano Pacífico abrigam corais similares aos estudados que, portanto, poderiam se beneficiar da descoberta.

“Os corais não têm que esperar parar as mutações aparecerem. A larva do coral pode cruzar oceanos naturalmente, mas humanos também conseguem contribuir, realocando corais adultos para acelerar o processo”, disse Matz. Ele destaca, porém, que um coral só poderia ser transferido para outro lugar dentro de seu habitat natural, o que quer dizer que um da Austrália que já tenha desenvolvido os genes não poderia ser levado para o Caribe, porque com ele possivelmente iriam doenças e outras ameaças à população nativa.

Os corais são conhecidos por serem os primeiros seres vivos a sofrerem com (e sinalizarem) os efeitos das mudanças climáticas. O aumento da temperatura das águas faz com que eles percam o tom alaranjado e comecem a ficar esbranquiçados. Isso acontece porque, com as altas temperaturas, os corais expelem as algas que vivem em seu tecido, tornando-se ainda mais vulneráveis.

O cientista Mikhail Matz deixa um recado para aqueles que encaram o artigo como uma solução para o aquecimento global: “Nossa descoberta de maneira nenhuma deve ser encarada como uma pílula mágica que resolverá o problema. Essa variação genética vai nos dar mais tempo, mas eventualmente esse prazo se esgotará quando as temperaturas esquentarem demasiadamente”, disse. “Se quisermos salvar os corais, assim como o resto da biodiversidade do planeta, ainda precisamos desenvolver uma solução para frear de vez o aquecimento global”, acrescenta.

Fonte: Veja.com

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