Colaboradores

Tecnologia do Blogger.

Siga-nos por Email

Seguidores

Arquivo do blog

Pesquisar neste blog

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O sonho americano da Belsul

Empresa gaúcha de químicos e petroquímicos inaugura escritório em Nova York de olho no mercado de gás de xisto – e nas facilidades de se fazer negócio por lá

Por Pedro Pereira
Com 21 anos de atuação, a Belsul mantém-se atenta às oportunidades do mercado. A empresa especializada na comercialização de derivados químicos e petroquímicos, com sede em Porto Alegre (RS), abriu no final de julho um escritório em Nova York, nos Estados Unidos, com a intenção de aproveitar o aquecimento do mercado do país. 

“A economia americana está em recuperação rápida. Sem falar na revolução pelo shale gás: esse gás está representando uma mudança fundamental na produção de manufaturados e derivados petroquímicos”, avalia Sergio Correa (foto), diretor da Belsul.

Segundo Correa, a grande oferta de gás de xisto vem tornando mais barata a energia e, o que mais interessa à empresa, derrubando os preços também das matérias primas para as indústrias químicas e petroquímicas. “Gás nos EUA custa em torno de um quarto do gás brasileiro e a energia elétrica está mais barata que na China. Queremos de alguma maneira participar disso nos fortalecendo com geração de faturamento fora do país”, justifica.

A estratégia de operar lá fora se impôs naturalmente como decorrência de diversos fatores. Primeiro, a empresa tem interesse em intensificar vendas de exportação – e isso, segundo Correa,  necessariamente passa por não ficar restrito à disponibilidade da indústria brasileira. Segundo, a Belsul definiu que era importante buscar alternativas de compor parcerias com fornecedores externos e uma porta no mercado americano, o maior do mundo, se mostrou fundamental para isto.

Pesou, ainda, a condição de trabalho que os Estados Unidos oferecem como país vocacionado para funcionar como um hub de distribuição – o que aqui no Brasil está muito complicado. “A legislação brasileira não prevê ou não facilita as operações de reexportação e nos Estados Unidos é bastante possível. Os custos de internação aqui são altos e, lá, bastante baixos”, compara Correa.

O investimento no escritório americano ainda não está concluído, mas deve ficar em torno de US$ 2 milhões. 

Atualmente, 90% do faturamento da empresa ainda é fruto das negociações feitas no Brasil. Portanto a Belsul está começando aos poucos a empreitada em terras distantes. O aporte inicial para a instalação da subsidiária foi basicamente direcionado à contratação e treinamento da equipe que fará exportação Brasil - Estados Unidos, de terceiros até os Estados Unidos e deve começar em breve a trazer mercadoria daquele país para a América do Sul.

Em busca de competitividade

Correa é taxativo ao afirmar que a competitividade da Belsul está baixa. Muito baixa. “Não por causa da moeda ou questão cambial. Basicamente são os problemas que se tem ao levar produtos até o porto e do porto aos mercados consumidores. Questões tributária e logística, que são os principais gargalos, na minha opinião”, protesta. Segundo ele, a estratégia brasileira tem sido bloquear produtos do exterior com barreiras e impostos, o que gera uma contrapartida, que é dificultar a inserção de produtos brasileiros no mercado global porque a maior parte da produção industrial demanda importar e isto se torna caro.

Este ano, a Belsul projeta vendas ao redor de US$ 100 milhões. A participação do escritório americano ainda não deve ser tão significativa, mas a tendência é que passe a ocupar um lugar cada vez maior no balanço da empresa. “Estou otimista. Há o cuidado de operar com os locais, uma cultura de negócios diferente”, relata Correa. Ele destaca a diferença entre os órgãos de fiscalização que operam lá e aqui. Enquanto os brasileiros são lentos, demorados e impõem dificuldades de tempo e custo que oneram a operação, os americanos podem se inscrever dentro do órgão competente, definir uma conta em banco para pagar o tributo equivalente (que fica em média entre 3% e 6,5% sobre o volume importado, contra 14% por aqui) e no dia seguinte a conta é cobrada do contribuinte. “É uma coisa interessante que salta aos olhos, me deixa bastante impressionado”, reconhece.

Embora não tenha uma marca conhecida do grande público, a Belsul participa de indústrias bastante presentes no cotidiano, como a automobilística. Entre os produtos que contam com matéria prima fornecida pela empresa, seja na própria composição, seja na embalagem, estão calçados, alimentos e eletrônica, entre outros. 

Fonte: Revista Amanhã

0 comentários:

Postar um comentário

Eco & Ação

Postagens populares

Parceiros