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quarta-feira, 5 de março de 2014

Hortas salvadorenhas abrem uma saída para a pobreza

A horticultura floresce no departamento de Cuscatlán, no centro do país, o menor de El Salvador, graças a um programa nacional para promover a agricultura familiar e tirar da pobreza centenas de milhares de pessoas. Em seu terreno de um hectare e meio, quatro irmãos da família Ramírez plantavam apenas milho, e sem muita técnica. Hoje vendem hortaliças e frutas para a rede varejista Walmart.


Sua determinação foi fundamental para aproveitar o Plano de Agricultura Familiar (PAF), que o governo iniciou em fevereiro de 2011, para apoiar mais de 300 mil produtores na melhoria de suas colheitas e de sua renda, e também na luta contra a fome. Os técnicos do governo treinaram os Ramírez em horticultura e na criação e gerenciamento de uma cooperativa. Assim, aprenderam a construir estufas para controlar pragas e chuvas e também técnicas de irrigação por gotejamento.

Em 2013 foi criada a Associação Cooperativa de Produção Agropecuária Horticultores de Cuscatlán, que tem 18 sócios e é uma das que suprem supermercados nacionais e transnacionais. No cantão de Santa Lucía, município de El Carmen, a Cooperativa produz tomate, pimenta, abóbora, chuchu, batata, banana e goiaba. A produção foi melhorando e também a renda das famílias.

“Gosto de trabalhar na terra que é nossa, em lugar de estar em uma empresa maquiadora ganhando quase nada”, disse à IPS a mulher de Francisco Ramírez, Andrea Beltrán, enquanto classificava os alimentos para em seguida empacotá-los. Seu marido percorria as fileiras de tomateiros, seguido por seus três filhos, observando a cor de cada fruto para determinar seu grau de amadurecimento.

Essa política do governo do esquerdista moderado Maurício Funes conta com apoio de vários órgãos regionais e internacionais, pois faz parte de uma estratégia mais ampla de luta contra a pobreza, que registrou alguns êxitos neste país de 6,3 milhões de habitantes.

A Cooperativa realiza três entregas semanais de alimentos para os supermercados que a rede norte-americana Walmart possui em San Salvador, e gera vendas mensais no valor de US$ 12.500. Os associados compartilham as estufas e o sistema de irrigação, e cada um produz por sua conta, entregando a colheita a um centro armazenamento, que vende e distribui para os mercados.

Quanto mais um sócio produz mais ele ganha, e isso diferencia a Associação de uma cooperativa tradicional, na qual toda a renda vai para um fundo comum que é distribuído igualmente entre seus membros. “Começamos nisso em quatro irmãos, depois esse esforço familiar foi crescendo”, contou Francisco Ramírez, que conseguiu se formar engenheiro agrônomo.

O PAF é dirigido a dois grandes setores, os camponeses muito pobres que plantam apenas para sua subsistência, e outros agricultores também pobres, mas que introduziram alguma melhoria e têm certa capacidade para vender excedentes, um coletivo de 60 mil produtores. Os Ramírez estão entre eles: gente do campo pobre, mas com um terreninho que lhes permite produzir e pagar, no caso de Francisco, um curso na Universidade de El Salvador, que é quase gratuito.

A Associação conta com outra vantagem: o Centro de Armazenamento e Serviços (CAS), onde também chega a produção de outras cooperativas da região e que realiza controles de qualidade e higiene antes de enviar os produtos para os pontos de venda final. Segundo o Ministério da Agricultura, o país conta com 35 CAS que, com financiamento do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), beneficiaram 45 mil produtores até o final de 2013.

Lorena Guadalupe Fabián associou-se à Cooperativa há dois anos, sem nenhum custo. Antes, sua vida era comprar os produtos e revendê-los em mercados de rua. “Saía para trabalhar às três da madrugada e ia até sete da noite, mas com o PAF minha vida mudou”, explicou à IPS. Ela recebeu capacitações “que me serviram muito”. E agora cultiva a terra, mas também participa do controle de qualidade e recebe e despacha produtos.

“Não sou apenas uma sócia, também tenho um emprego”, afirmou Lorena, ressaltando, entusiasmada, que “só ontem vendemos para o Walmart duas mil pimentas”. Outro beneficiado é José Arnoldo. Ele trabalha cuidando da semeadura e da colheita, tem um emprego fixo e se converteu em especialista no tratamento da produção, especialmente no uso de agroquímicos.

A Cooperativa está a poucos passos de fornecer para a maior cadeia de supermercados de El Salvador, a Súper Selectos. Também negocia com a Alba Alimentos, filial da Alba Petróleos, um projeto que nasceu da união entre prefeituras administradas pela governante e ex-insurgente Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), e com o consórcio estatal Petróleos da Venezuela Sociedade Anônima (PDVSA) e que está sendo ampliado para outros itens.

“Agora temos vontade de continuar crescendo muito mais”, comemorou Francisco Ramírez.

Os números da pobreza em El Salvador

* A pobreza afeta 34,5% das famílias.

* A indigência afeta 8,94% das famílias.

* 43,3% das famílias de zonas rurais são pobres.

* Em 2009, 37,8% das famílias eram pobres e 12% eram indigentes.

Fonte: Pesquisa de Família de Propósitos Múltiplos do Ministério da Economia de El Salvador – maio de 2013.

Fonte: Envolverde

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