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quarta-feira, 11 de março de 2015

Votação sobre eucalipto transgênico é adiada

Após protestos de camponeses, CTNBio adia decisão sobre eucalipto geneticamente modificado; milho resistente ao agrotóxico 2,4-D foi aprovado


A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem duas novas variedades de milho transgênico, uma delas resistente ao agrotóxico 2,4-D, conhecido mundialmente por ser um dos ingredientes da arma química Agente Laranja usada na Guerra do Vietnã. A votação da liberação comercial do eucalipto transgênico foi adiada após protestos, e será retomada no próximo mês.

Cerca de 300 camponeses da Via Campesina ocuparam a sala na qual acontecia a reunião da CTNBio, em Brasília, para protestar contra a aprovação das novas espécies de organismos geneticamente modificados. No momento da ocupação, os dois pedidos de liberação comercial de milho transgênico já tinham sido aprovados. A polícia foi chamada, mas não houve confronto. Diante do impasse, a reunião foi cancelada e a decisão sobre o eucalipto transgênico foi adiada para abril.

Mais cedo na manhã de ontem, cerca de mil mulheres do MST (Movimento Sem Terra) dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ocuparam uma fábrica da FuturaGene Brasil / Suzano no município de Itapetininga, em São Paulo. O objetivo da ocupação também era protestar contra a possível liberação da árvore geneticamente modificada.

Veja o vídeo da ocupação:



“O eucalipto transgênico da FuturaGene / Suzano não foi totalmente estudado e seus impactos no meio ambiente são ainda desconhecidos. Camponeses e consumidores estão preocupados e a sociedade está mobilizada para pedir que essa liberação não aconteça”, disse Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de agricultura e alimentação do Greenpeace. “Resta saber se a CTNBio vai ouvir os pedidos da sociedade ou se vai priorizar os interesses de uma única empresa”, completou ela.

Embora o adiamento da decisão sobre o eucalipto transgênico seja uma boa notícia, a aprovação das duas novas variedades de milho é preocupante por seu alto potencial de danos à saúde e ao meio ambiente. Em março de 2014, o Ministério Público pediu a suspensão de diversos tipos de agrotóxicos usados no Brasil, dentre eles o 2,4-D e o glifosato, amplamente usados em culturas transgênicas.

Fonte: Envolverde

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