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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O risco da perfuração de poços artesianos, artigo de Dirceu D’Alkmin Telles

A escassez de chuvas acabou por despertar a busca por fontes alternativas de água. Em meio a algumas iniciativas louváveis, surgem outras que causam preocupação. É o caso da grande maioria dos poços artesianos que são perfurados atualmente.


Mesmo com a fiscalização do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), a maioria absoluta dos poços perfurados é clandestina e opera de forma inadequada, o que pode contaminar aquíferos, particularmente quando são desativados. Em Ribeirão Preto, conforme o Plano de Saneamento Básico do município, há 82 poços nessas condições que afetam o Aquífero Guarani, reservatório subterrâneo com capacidade de 37 milhões de quilômetros cúbicos de água que ocupa áreas de Uruguai, Argentina Paraguai e, principalmente, Brasil.

Poços clandestinos também expõe a população a graves problemas de saúde. Sem prévia análise técnica, corre-se o risco de se utilizar água proveniente de aquíferos de solos contaminados. Esse tipo de comprometimento é o principal limitador de empreendimentos imobiliários no Estado de São Paulo. A descontaminação é trabalhosa, demorada e inviável economicamente.

A exploração excessiva compromete os níveis dos aquíferos. No caso Aquífero Guarani, o Programa Estratégico elaborado por pesquisadores dos quatro países em 2009, aponta a perda de capacidade como resultado da extração em níveis superiores à recarga e propõe a restrição à perfuração de poços.

Ainda assim, a alternativa se populariza entre condomínios. Boa parte da capital paulista situa-se sobre o Aquífero São Paulo, que ocupa cerca de 1.000 km² que abrangem ainda Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes e outras cidades. Sua vazão recomendada é de 2,8 litros por segundo, podendo chegar a 11 litros por segundo. No caso de um condomínio que possua 100 apartamentos, cada um habitado por cinco pessoas, o consumo giraria por volta de 100 mil litros diários.

A água de reúso pode atender a fins menos exigentes quanto à qualidade e, dessa forma, reduzir o consumo da água tratada, que deve ter como destino usos mais nobres. Um projeto nesse sentido deve priorizar o tratamento de água que já foi usada. É comum também comum se considerar como reuso o aproveitamento de águas de chuva que são acumuladas em cisternas. Um projeto de reúso de água deve considerar, primeiramente, a qualidade da água a ser reusada e a qualidade exigida pelo futuro aproveitamento. Esta questão deverá definir a metodologia (processos de tratamento) a ser aplicada no tratamento e o seu custo.

Dirceu D’Alkmin Telles é vice-presidente do conselho curador da Fundação de Apoio à Tecnologia (Fundação FAT). É doutor em Engenharia Hidráulica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: EcoDebate

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