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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Índice de fumantes no Brasil cai 20% em seis anos, diz estudo da Unifesp

O consumo de tabaco caiu 20% no Brasil nos últimos seis anos, de acordo com o segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado nesta quarta-feira (11) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


Em 2012, 15,6% da população brasileira declarou ser fumante, enquanto o índice do primeiro levantamento, feito em 2006, era de 19,3%. A queda foi maior entre os adolescentes (45%), de 6,2% em 2006 para 3,4% e, 2012.

Embora o número de fumantes tenha diminuído, a pesquisa também mostra que entre os que continuaram consumindo tabaco, o hábito se intensificou. A média de consumo diário de cigarros em 2006 era de 12,9 para 14,1 em 2012.

O estudo estima que o país tinha 20 milhões de fumantes em 2012. A redução entre a população adulta foi de 19%. Em 2006, 20,8% dos adultos afirmaram fumar. Em 2012, foram 16,9%.

Os homens continuam fumando mais do que as mulheres. Mas o número de homens que deixou de fumar foi maior em 2012 (22%) do que a diminuição do tabagismo entre as mulheres (13%). A dependência química entre as mulheres é maior do que entre os homens, explica Clarice Madruga, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo. “Existe uma questão biológica. Os hormônios sexuais nas mulheres atrapalham o tratamento e qualquer dependência se manifesta de forma mais severa no gênero feminino”.

O Lenad também detectou que o fumo diminuiu em todas as classes sociais, com exceção da classe A. Entre a parcela mais rica da sociedade, o consumo de tabaco aumentou 110% e quase dobrou o índice de 2006. Para Clarice, isso mostra que o acesso ao cigarro é fator mais influente para o hábito do fumo do que o conhecimento sobre seus efeitos. “O dinheiro para comprar tabaco acaba sendo mais importante do que o conhecimento. Isso é um motivo para pensar em aumentar o preço com impostos, porque pode ser mais eficaz do que campanhas”, diz.

Entre as regiões do país, o Sul apresenta maior parcela de fumantes de sua população (20,2%), embora também tenha sido a região em que ocorreu maior diminuição (23%) em relação aos índices de 2006. Em seguida estão as regiões Sudeste (17,7%), Centro-Oeste (17%), Norte (14,4%) e Nordeste (14,2%).

Menores de idade – Os dados mostram que mais da metade dos menores de idade no Brasil (62%) diz não encontrar nenhuma dificuldade para comprar cigarros. 55% dos menores compram em bares e 15% em lojas e shoppings.

A idade média de experimentação de cigarros foi de 16.2 anos em 2012, variando pouco da média de 15.9 anos de 2006. A idade média de começo de uso regular é de 17.4 anos. “Se sabe que quanto mais precocemente o uso de substancias psicotrópicas, maior a chance de desenvolver dependência. O cérebro só termina de se formar completamente aos 24 anos. Então qualquer uso de psicotrópicas vai aumentar a chance de dependência e de desenvolvimento de doenças”, afirma Clarice.

Motivação para parar de fumar – Mais da metade dos fumantes (67,8%) relatam ser difícil ou muito difícil passar um dia sem fumar. 63% afirmam que já tentaram largar o vício, mas não conseguiram. Outro indicador de dependência apontado pelo estudo mostra que 1 a cada 10 fumantes afirmam fumar o primeiro cigarro em menos de 5 minutos depois de acordar.

De acordo com o Lenad, 90% dos fumantes dizem que estão dispostos a parar de fumar. No entanto, os pesquisadores consideram diferentes escalas de motivação. “Embora 90% diz que gostaria, só 7% deles realmente tem planos parar parar. Imaginamos que o restante são pessoas que tem dependência mais severa e nem mais planejam parar de fumar”, afirma Clarice.

Em relação à procura por tratamento para parar de fumar, o Lenad mostrou que apenas 7,3% dos fumantes já procurou ajuda profissional e que entre os ex-fumantes o índice foi menor, de 5,4%. No entanto, 21% dos fumantes acreditam que fumar não é tão prejudicial para a saúde quanto dizem.

Propaganda e prevenção – Em relação às advertências impressas nos maços de cigarros, o estudo mostra que de alguma maneira elas impactam uma parcela entre os fumantes. Entre os entrevistados, 18% dizem que cobrem a figura, 17% afirma tirá-la de vista, 11% colocam os cigarros em outros pacotes e 7% declara não comprar maços específicos.

O estudo também mostra que a maioria da população brasileira apoia a lei que restringe a publicidade de cigarro em pontos de venda, como padarias e restaurantes. Entre os não fumantes, o índice de aprovação é de 88%, enquanto entre os fumantes é de 77%. O póximo passo, para Clarice, é regulamentar a publicidade de tabaco na internet.

Ana Cacília Marques, pesquisadora que também participou do levantamento, adverte que o público jovem deve receber mais atenção quanto à questão de propaganda. “O dependente já tem a marca que fuma, então para ele a questão da propaganda não é tão grande. O tabagismo é considerado hoje uma doença pediátrica, seja pelo fumo passivo ou início precoce”, afirma.

O Lenad coletou dados por três meses em 149 municípios e escutou 4.607 brasileiros. Eles responderam questionário com mais de 800 perguntas, que pretenderam avaliar o padrão de uso do tabaco e os problemas associados a ele. “O Lenad é o segundo maior levantamento epidemiológico brasileiro e portanto a nossa única chance de mudar as políticas. Se não, não se consegue redirecionar prevenção, nem assistência e nem controle da oferta (de tabaco)”, afirma Ana Cecília.

Meta do governo – Em agosto, uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde também revelou a queda de 20% no índice de fumantes em seis anos. Os números, no entanto, eram um pouco diferentes dos apontados na pesquisa do Lenad. Na ocasião, a pesquisa mostrou que 12% da população adulta brasileira fumava em 2012. Em 2006, o índice era de 15%. A meta do governo é que, até 2022, o país chegue a 9%.

Outras dependências – A Unifesp já havia divulgado outros dados sobre o consumo de drogas no Brasil levantados pelo Lenad. Em agosto de 2012, a pesquisa apontou que cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no país. Em setembro do mesmo ano, pesquisadores da universidade constataram que o Brasil era o segundo consumidor mundial de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos, e que mais de 6 milhões de brasileiros já experimentaram cocaína ou derivados ao longo da vida.

Em abril deste ano, outro estudo apontou aumento de 20% (em comparação ao Lenad de 2006) na quantidade de pessoas que consomem álcool frequentemente, sendo que o crescimento foi maior entre as mulheres: 39% das entrevistadas admitiam beber uma vez por semana ou mais (seis anos atrás este índice era de 29%).

No começo deste mês, a Unifesp também divulgou que pelo menos 28 milhões de brasileiros têm algum familiar dependente químico, sendo que a maioria dos pacientes em tratamento para dependência química eram homens e consumia mais de uma droga. 

Fonte: G1

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