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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Anuário mapeia iniciativas de produção de biocombustíveis e química renovável

Em setembro deste ano, a empresa brasileira de biotecnologia Granbio deu partida na primeira fábrica brasileira de produção comercial de etanol celulósico – ou de segunda geração, obtido, no caso, a partir da biomassa da cana-de-açúcar. A Bioflex 1, instalada em São Miguel dos Campos (AL), tem capacidade inicial de produção de 82 milhões de litros do biocombustível por ano.


Com investimentos de US$ 190 milhões, a empresa utiliza tecnologia de pré-tratamento da italiana BetaRenewables, enzimas da dinamarquesa Novozymes e leveduras da holandesa DSM, para “quebrar” a estrutura molecular da biomassa – bagaço ou palha da cana – e acessar o açúcar que, por meio da fermentação, produz o etanol.

As informações tecnológicas sobre o empreendimento da Granbio estão entre as de 250 projetos de desenvolvimento de biocombustíveis avançados, produzidos a partir de matérias-primas renováveis, relacionadas no livro World Directory of Advanced Renewable Fuels and Chemicals, editado pela Elabora Consultoria (leia mais em http://agencia.fapesp.br/publicacao_mapeia_os_mais_promissores_projetos_em_quimica_verde_no_mundo/20083/).

A publicação contou com o apoio de instituições públicas e de empresas. Trata-se de um anuário que mapeia iniciativas de produção de biocombustíveis e química renovável implementadas em seis países – Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Holanda, Canadá e Reino Unido.

O objetivo é oferecer a pesquisadores e à indústria um panorama abrangente das principais iniciativas em rotas tecnológicas inovadoras, como a bioquímica, termoquímica, entre outras. “O anuário é uma ferramenta de trabalho”, resumiu João Furtado, diretor da Elabora e presidente da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI).

“Ele é abrangente em todos os aspectos em que as informações são desencontradas e, para a pesquisa, a informação é fundamental”, disse Glaucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Lançado no 2nd Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), em outubro, o compêndio foi debatido na sede da Fundação, em 3 de dezembro, em um encontro que reuniu pesquisadores e representantes de empresas do setor e no qual se avaliaram as perspectivas da biotecnologia no país.

“Podemos aspirar a ser líderes mundiais”, disse Alan Hiltner, vice-presidente da Granbio. Segundo ele, a empresa “produz em escala comercial o combustível mais limpo do mundo em intensidade de carbono, de acordo com o Air Resource Board (ARB), da Califórnia”. Esse cálculo contabiliza as emissões de CO2 desde a coleta da matéria-prima até o transporte e a distribuição do biocombustível.

“O açúcar é o novo petróleo”

De fato, existem “forças a favor” dos combustíveis e químicas verdes, como a crescente preocupação com a sustentabilidade ambiental, destaca o anuário. Os autores ponderam, entretanto, que muitas das novas tecnologias ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento, o que dificulta o acesso a investimentos e torna crítico o papel de incentivos e fomento.

Mesmo para uma empresa como a Granbio, que investiu recursos próprios no desenvolvimento de tecnologia e na construção de uma unidade de produção, há gargalos como, por exemplo, a falta de um ambiente regulatório confiável, conforme apontou o vice-presidente da empresa.

Ele relatou a “enorme dificuldade” que a demora no registro de patentes no Brasil impôs à Granbio na assinatura de contratos com parceiros internacionais. “A implementação de fast-track para o julgamento de patentes em três anos seria uma demonstração estratégica de compromisso”, sublinhou Hiltner.

Hiltner apontou ainda riscos tecnológicos, envolvendo desde os limites biológicos dos microrganismos responsáveis pela degradação do material orgânico – que podem colocar a perder decisões precoces de investimento – até o preço relativo da matéria-prima em relação ao do petróleo. Isso sem falar na dificuldade da empresa de encontrar biomassa disponível – no caso, o bagaço da cana –, já que muitas vezes ela é utilizada para, por exemplo, alimentar caldeiras.

“Precisávamos de 800 mil toneladas/ano de bagaço para converter em energia. E não encontramos. Aprendemos então a converter a palha”, explicou Hiltner. A Granbio desenvolveu um sistema de coleta, armazenamento e processamento de 400 mil toneladas de palha por ano para a Bioflex 1. Assim, parte dessa biomassa que era deixada no campo ou queimada agora é recolhida, enfardada e armazenada para ser transformada em etanol e outros produtos renováveis em escala comercial.

Outro gargalo na produção de etanol celulósico a partir da cana-de-açúcar foi a baixa quantidade de celulose presente nas variedades atuais de cana, desenvolvidas para produzir mais o produto final açúcar nas usinas.

“Resgatamos algumas variedades ancestrais, realizamos cruzamentos, conseguindo desenvolver uma variedade do que se pode chamar de cana-energia”, disse. Trata-se de uma cana mais robusta, com maior teor de fibra e potencial produtivo, ideal para a fabricação de biocombustíveis e bioquímicos de segunda geração.

“As novas tecnologias liberaram o potencial da biomassa. O açúcar é o novo petróleo”, concluiu o vice-presidente, referindo-se à glicose contida no bagaço e na palha da cana e que, submetida à fermentação, pode produzir o biocombustível.

Abordagem integrada

Outro case citado pelo livro, a empresa química Oxiteno, fabricante de tensoativos e produtos químicos especializados, já utiliza 20% de matéria-prima renovável. “E 35% dos produtos que vendemos contêm renováveis, tanto os tensoativos como os solventes e oleoquímicos”, afirmou André Luís Conde da Silva, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Agroquímica.

“E sustentabilidade não diz respeito só a energia renovável. Trabalhamos com produtos biodegradáveis, menos poluentes e que melhorem as condições de saúde e bem-estar das pessoas, por minimizar os efeitos de sua utilização pela população”, acrescentou.

A empresa trabalha com uma “abordagem integrada” de química verde, que inclui cooperação, parceria, investimentos em pesquisa, entre outros. “Fechar um projeto de química verde é mais complicado, já que a competitividade envolve custos e mercado. O desafio vai desde a biomassa disponível até a termodinâmica biológica necessária para extrair uma quantidade razoável de produto”, destacou o diretor de P&D da empresa.

Por essas e por outras dificuldades, alguns dos projetos listados no anuário não conseguiram ultrapassar o chamado “vale da morte”, expressão que descreve um determinado período de maturação de negócio, que vai desde a identificação de uma tecnologia promissora até o momento em que a empresa pode – ou não – obter recursos para o seu desenvolvimento. A próxima edição do anuário, prevista para 2017, incluirá, certamente, novas iniciativas, segundo os organizadores.

“No início, as tecnologias são monstros promissores, mas disformes. Quanto mais rapidamente elas forem difundidas, mais rapidamente os players têm a percepção de alternativas, mais rapidamente a incerteza dá lugar ao conhecimento e a curva de aprendizado é mais rapidamente trilhada”, disse Furtado.

Fonte: Fapesp

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