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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Despoluição da Bacia do Guandu é urgente para abastecimento do Rio

O governo do Rio de Janeiro precisa, urgentemente, implantar ações de despoluição de rios ou pelo menos remover os poluentes de rios e riachos nas proximidades da captação do Rio Guandu, como o Rio dos Poços, por exemplo.
Com isso, diminuiria de 110 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 45 m³/s a necessidade de água tirada do sistema para diluir e tratar esgotos, disse à Agência Brasil o professor Marcos Freitas, coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) – unidade do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

Segundo ele, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) precisa de pelo menos 90 m³/s de água para diluir 2 m³/s de esgoto. “Isso é um tiro no pé do Rio de Janeiro, que tem a fragilidade intramuros de uma obra orçada, na década de 1970, em R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões, e que agora deve ficar entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões”, estimou. A obra pode ser feita em seis meses e, embora não trate a poluição do Rio dos Poços, não deixa ele chegar ao local onde é feita a captação de água da Cedae, no Rio Guandu.

Ele admite que a medida traria problemas de salinização dos rios que afetaria algumas indústrias instaladas na região, mas destacou que a prioridade, no momento, é o abastecimento humano. “A gente não tem que pensar em outra coisa que não seja isso este ano. Os demais usos vão ter que esperar”. Como o Rio de Janeiro importa quase tudo que consome, Freitas estima que a economia fluminense, em especial a agricultura não deve sofrer grandes impactos.

Outra providência a ser tomada é em relação às perdas, disse o professor da UFRJ. Segundo ele, 50% dos 45 m³/s de água usados para diluir esgoto viram perdas, das quais 10% equivalem a perdas econômicas causadas por ligações clandestinas, os chamados gatos, e 40% são perdas físicas.

Marcos Freitas reconhece que há um longo caminho para que as perdas atinjam o nível de 6%, registrado no Japão. Ele avaliou que se poderia traçar para 2014 a meta de 30% de perdas, aproximando-se do nível de 20%, praticado no Paraná. “Investir em redução de perdas é importante e a gente tem que conviver com isso porque, do contrário, daqui a pouco a gente vai ser pressionado por São Paulo e demais usuários da Bacia do Paraíba do Sul como perdulários, que estamos usando água boa para diluir esgoto e perdendo parte da água tratada”, advertiu.

Outra parcela importante do problema são os consumidores, com destaque para os residenciais, que constituem “o lado mais delicado da situação”, disse o professor. Não existe, segundo ele, conscientização da população sobre a necessidade de economizar água. Um dos empecilhos para que as pessoas poupem mais água é que a maior parte das moradias do Grande Rio é constituída de prédios nos quais não há medição individual de água. A medição é geral. A hidrometração individualizada é coisa recente nas grandes cidades. Daí, a população ignorar quanto gasta em termos de água.

Se essa conta, que hoje é dividida pelo condomínio, fosse colocada em cada unidade residencial pesaria diretamente no bolso do consumidor que ficaria mais atento às perdas de água. “Aí, os efeitos tarifários seriam mais perceptíveis”, disse o professor da UFRJ. Freitas acrescentou que resolvendo essas três variáveis – poluição, perdas e consumo – “você conseguiria aguentar o ano seco”.

Não havendo nenhum dos três esforços necessários, “a gente pode chegar ao meio do ano já com racionamento no Grande Rio e em parcelas do Rio Paraíba do Sul, como São Fidélis, por exemplo, (no norte do estado), que já está com uma situação delicada”, manifestou. 

Fonte: Agência Brasil

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