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terça-feira, 19 de julho de 2016

Economia Verde, artigo de Roberto Naime

DINIZ e BERMANN (2012) asseveram que a ideia de economia verde surgiu recentemente e ganha projeção cada vez mais acentuada. Para entender um pouco melhor, precisamos buscar a gênese do conceito, que se encontra na idéia de desenvolvimento econômico sustentável, também chamada de desenvolvimento sustentável.


A definição clássica de desenvolvimento sustentável, expressa no chamado Relatório Brundtland, é a da evolução que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades” (WORLD COMMISSION…, 1987).

Por trás desse conceito temos a necessidade de repensar o desenvolvimento econômico de uma nova forma, levando em conta a igualdade entre gerações. Até então, o desenvolvimento econômico tinha uma concepção um pouco mais restrita e normalmente considerava os determinantes fundamentais do crescimento econômico sem levar em conta o meio ambiente.

Esses determinantes fundamentais em última instância produziam alterações na acumulação de fatores de produção e na produtividade, que engloba o progresso tecnológico e as alterações na eficiência com que os fatores são empregados, além de influenciar a velocidade de crescimento do país.

DINIZ e BERMANN (2012) manifestam que correntes menos ortodoxas estudavam também problemas de distribuição de renda e outros temas, utilizando uma formalização menos rigorosa. Idéias menos ortodoxas são incorporadas em modelos econômicos, em grande parte pela disseminação de métodos matemáticos mais sofisticados na Economia (KRUGMAN, 1995).

A análise empírica de modelos de crescimento econômico também ganhou novo alento desde que o interesse nos modelos de crescimento econômico foi renovado, em meados da década de 1980.

A relação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente se tornou mais explícita a partir da década de 1970, quando pesquisadores passaram a examinar quais seriam os limites do crescimento em um contexto onde os recursos naturais são finitos.

Na ocasião, diversas previsões preocupantes foram obtidas (MEADOWS et. al., 1972), as quais posteriormente foram relativizadas ao se incorporar na análise uma modelagem mais sofisticada contemplando o progresso tecnológico, a descoberta de novas jazidas e o uso de jazidas que anteriormente não eram economicamente viáveis.

O desenvolvimento sustentável é uma evolução em relação à antiga concepção de desenvolvimento ao incorporar a necessidade de uma igualdade entre gerações.

Essa eliminação da desigualdade entre gerações é um pouco mais ampla que a redução da desigualdade de renda. A desigualdade de renda dentro de um país pode ser reduzida, e os dados mostram que efetivamente isso aconteceu no mundo como um todo desde a primeira metade do século XIX (BOURGUIGNON & MORRISON, 2002).

A desigualdade entre gerações é algo mais amplo, que envolve uma medida de bem-estar, e não simplesmente uma comparação da renda (como em BECKER et al., 2005).

A questão da igualdade entre gerações sob a dimensão da sustentabilidade significa que cada geração deve ter o mesmo bem-estar, ou a mesma igualdade de oportunidades, que as demais.

Em termos do meio ambiente, não deve haver uma deterioração que impeça uma geração de alcançar o mesmo bem-estar que uma geração anterior. Logo, a preservação do meio ambiente surge como uma forma de evitar o aumento da desigualdade entre gerações.

Obviamente ninguém defende a preservação a qualquer custo, mas é necessário que haja critérios que norteiem o uso racional dos recursos naturais de modo sustentável.

A noção de economia verde é mais recente que o conceito de desenvolvimento sustentável. Pode-se definir economia verde como aquela que “resulta em melhoria do bem-estar humano e equidade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica” (UNITED NATIONS…, 2011, p.16).

Uma economia verde possui baixas emissões de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e inclusão social. Os autores dessa linha de pesquisa argumentam que a evidência empírica mostra que não há dilema entre sustentabilidade e crescimento econômico e a transição para uma economia verde pode ser feita tanto por países ricos quanto por países pobres.

A inexistência de um dilema entre sustentabilidade e crescimento econômico pode ser contestada pela evidência empírica que aponta para um dilema nas primeiras etapas do desenvolvimento e depois passa a ocorrer crescimento com redução das emissões de poluentes que é uma regularidade empírica conhecida como Curva Ambiental de Kuznets.

Dentro da dimensão macroeconomia, pode ser pesquisada a relação entre o meio ambiente e o desenvolvimento econômico. DINIZ e BERMANN (2012) assinalam que pode ser avaliada a existência ou não de uma Curva Ambiental de Kuznets para um dado poluente, e se a presença de poluentes interfere na convergência condicional dos países para uma renda “per capita” de equilíbrio e em sua velocidade de incremento.

Referências:

BECKER, G. S. et al. The Quantity and Quality of Life and the Evolution of World Inequality. American Economic Review, v. 95, 2005.

BOURGUIGNON, F.; MORRISON, C. Inequality Among World Citizens: 1820-1992. American Economic Review, v. 92, 2002.

KRUGMAN, P. The Fall and Rise of Development Economics. In: KRUGMAN, P. (Org.) Development, Geography, and Economic Theory. Cambridge, MA: MIT Press, 1995. p.1-29.

MEADOWS, D. H. et al. The limits to growth. New York: Universe Books, 1972.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Towards a green economy: pathways to sustainable development and poverty eradication. S. l.: Unep, 2011.

WORLD COMMISSION ON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT. Our Common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

DINIZ, Eliezer M. e BERMANN, Célio – Economia verde e sustentabilidade Estud. Av. vol. 26 no. 74 São Paulo 2012.



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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