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terça-feira, 16 de agosto de 2016

A transposição do rio São Francisco, artigo de Aroldo Cangussu

Considerado um dos maiores projetos do governo Lula e estimado em quatro bilhões de reais, a transposição do Rio São Francisco para alimentar os rios secos do nordeste setentrional já custou mais de 12 bilhões e ainda falta muito para ser concluído. Tanto é que o atual governo interino ainda pretende gastar mais dez bilhões de reais na obra.


Este projeto tem a intenção de integrar o Rio São Francisco a rios temporários do semiárido nordestino atendendo a uma população de 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Ele consta de dois eixos, o Norte, saindo de Cabrobó, com 260 km de canais e o Leste, com captação em Floresta, com 217 km de canais.

Como existe uma grande controvérsia sobre a capacidade do rio de gerar água suficiente para o sucesso do empreendimento, o governo Temer resolveu lançar mais um plano de revitalização do Velho Chico, denominado, criativamente, como “Novo Chico”.

O programa pretende concluir as obras de saneamento na bacia do Rio São Francisco, desassorear o leito principal e dos afluentes, recuperar mananciais, entre outras diversas ações que nós já conhecemos bem. A quantia de dez bilhões de reais será distribuída nas ações ao longo do tempo até 2026.

É tudo muito difícil aqui no Brasil (sei que em outros países também acontece, mas como estamos aqui…), as obras públicas nunca terminam no prazo e sempre – sempre – custam muuuito mais do que foi orçado. Essa obra de transposição, por exemplo, era para ser concluída em 2012 e agora, depois de dez anos de iniciada, o governo gastou mais de 12 bilhões e nenhuma parte dos serviços está pronta.

Existe – como sempre – suspeita de corrupção e desvios de dinheiro, tanto é que está na mira da Lava Jato. Nessa “indústria da seca” para levar água aos moradores do semiárido, existem 194 obras previstas, mas 74 ainda nem começaram ou, se começaram, estão paradas. Dos 54 projetos concluídos, a maioria não atingiu o objetivo de levar água aos sedentos nordestinos.

Esses projetos imaginados e implantados pelo governo costumam não dar certo devido à falta de participação de setores da sociedade que entendem o problema e poderiam apontar soluções, principalmente através dos comitês de bacia hidrográfica, que conta com a composição da sociedade civil organizada.

Gostaria de salientar que a condição atual do rio é péssima com baixa vazão e qualidade da água em condições horríveis. Basta dizer que as cidades ribeirinhas – como Januária, por exemplo – não bebem a água do Rio São Francisco, preferem consumir água de poço!

* Aroldo Cangussu, Colaborador do EcoDebate, é engenheiro e ex-secretário de meio ambiente de Janaúba e diretor da ARC EMPREENDIMENTOS AMBIENTAIS LTDA.

Fonte: EcoDebate

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