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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Ser humano e ecossistema, artigo de Roberto Naime

Antônio Leal Aidar elabora instigante reflexão no site da revista ecológica sobre as relações do indivíduo humano com o ecossistema.


Se levarmos em conta que ser do ecossistema é fazer parte de seu equilíbrio, então a resposta é negativa.

E isso explica sua importância. Por que, então, o ser humano não faz parte do ecossistema. Deveria fazer e já fez quando era um indivíduo menos complexo. Mas hoje causa desequilíbrios e destruição.

Por isso se sabe que apenas leis e normas não vão resolver os problemas, embora sejam relevantes. A civilização humana determinará nova autopoiese sistêmica, na acepção livre da concepção de Niklas Luhmann e Ulrich Beck.

Contemplando a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio. Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.

E graças a ação humana, o planeta está pedindo socorro. Parece que quando o ser humano surgiu no planeta sua condição era a de hominídeo irracional e, portanto ele estava integrado ao ecossistema, fazia parte dele como qualquer outro mamífero.

Mas a partir do domínio da inteligência, criou uma concepção de dominar a natureza. E deste determinado momento, esse hominídeo foi modificado, ganhando cada vez mais a condição de raciocinar, e isto mudou completamente a história.

Quem fez essa mudança e porquê, talvez nunca se saiba de verdade. Mas esse fato criou uma espécie nova, em condições de subjugar todas as outras e interferir de forma contundente na natureza a ponto de quebrar seu equilíbrio.

Estamos no planeta Terra, mas não fazemos parte dele, de sua natureza.

Wolf Paul da Universidade de Frankfurt contesta com sobrados argumentos os caminhos que tem tomado o direito ambiental e o próprio convívio com a natureza. Ele denomina de irresponsabilidade organizada esta situação e identifica que o direito tem se prestado para tornar o Direito Ambiental meramente simbólico.

Ele manifesta que o pensamento jurídico precisa evoluir do antropocentrismo para o ecocentrismo.

Não se pode mais conviver com uma simbologia que produz pérolas, ao ficar discutindo se lobos marinhos, leões-marinhos e focas, afetados por despejos de resíduos no mar do norte, tem personalidade jurídica ou não, se devem ou não ser classificados como coisas pelos pandecistas.

E além de recusar a ação, condenando os responsáveis pela atitude, atribuir o pagamento de custas aos demandantes entendidos como lobos marinhos, leões marinhos e focas.

O ser humano está cavando a própria sepultura, porque na verdade não é totalmente racional. O que nos falta em racionalidade gera a falsa sensação de controle sobre nossas vidas.

Alguma coisa está para mudar. Isto é o que se chama autopoiese dentro de uma acepção livre do que é o delicado equilíbrio estabelecido no que se denomina sistema social. Mas está no ar, que algo vai mudar e essa mudança colocará a civilização humana em nova trajetória.

Não vai ser fácil descer do pedestal que a civilização humana antropocêntrica construiu.

A verdade libertará todas as nossas vítimas. Mas vamos perder o comando e dividir com cada ser vivo. E será a única forma de sobrevivência do ser humano.

Referência:


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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