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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Especialistas condenam dietas restritivas para crianças obesas

Um terço das crianças de 5 a 9 anos está acima do peso. O resultado é que tanto crianças como adolescentes já apresentam doenças típicas de adultos, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.


Especialistas criticaram as dietas restritivas para crianças em seminário sobre obesidade infantil promovido, nesta terça-feira (22), pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

De acordo com a nutricionista Sophie Deram, doutora em obesidade infantil e genética pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, crianças obesas não devem fazer dietas restritivas, com proibição total de certos alimentos.

Ela citou pesquisas que demonstram que quando se orienta alguém a “fechar a boca” para perder peso, os efeitos são o oposto do desejado: “há aumento do apetite, diminuição do metabolismo e a pessoa fica mais obcecada por comida”.

Sophie Deram explicou que as dietas restritivas são aquelas que deixam as pessoas com fome: “O fato de ele sentir fome vai desencadear, no cérebro, um mecanismo de adaptação que vai fazer aumentar o apetite. Quando você está com fome, o corpo quer que você coma. Então ele vai mandar mais sinais de fome. Se você não responde porque você está de dieta, o cérebro vai mandar mais ainda e seu apetite vai ficar maior. Mostraram, em pesquisas, que até quando você para essa dieta, o seu apetite fica maior depois e durante pelo menos um ano.”

O presidente do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Paulo César Alves da Silva, concorda com a nutricionista. “Não gosto nem de usar a palavra dieta. Na verdade, quando a pessoa engorda, ela tem um distúrbio metabólico e ela tem que passar a comer correto para o metabolismo dela. Ela pode usar todos os grupos alimentares, mas com orientação médica ou do nutricionista. Mas fazer dieta restritiva jamais. É um equívoco até porque a criança está em fase de crescimento.”

Cantina da escola
Paulo César da Silva destacou que a alimentação das crianças é normalmente fornecida pelos pais. São eles que compram o que se consome em casa e pagam as despesas nas cantinas das escolas, por exemplo.

Por isso, segundo o endocrinopediatra, é fundamental que os pais sejam conscientizados sobre a necessidade de prover a casa com alimentos saudáveis e de verificarem o que as crianças estão comendo nas escolas.

Obesidade x desnutrição
A Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2008 e 2009 mostrou que, enquanto a desnutrição entre crianças vem diminuindo gradativamente, a obesidade infantil está aumentando. Em 2008, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos tinha excesso de peso.

Também a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, realizada em 2006, mostrou que 7% das crianças menores de 5 anos já apresentavam excesso de peso.

Consequências
A obesidade é uma doença crônica provocada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo das pessoas. Entre as consequências da obesidade infantil, podem-se citar a diabetes do tipo 2, a hipertensão, lesões na pele, alterações psicológicas e a obesidade na vida adulta.

Além disso, em geral, as pessoas obesas vivem menos. Estima-se que a taxa de mortalidade entre os obesos de 25 a 40 anos é 12 vezes maior que a de indivíduos de peso adequado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considera que há uma epidemia de obesidade, por causa do grande número de casos em vários países.

Atividade física
A endocrinologista Maria Edna de Melo destacou que, além de uma alimentação adequada, a atividade física é fundamental para evitar e combater a obesidade. Segundo ela, a educação física nas escolas do Brasil, por exemplo, é muito restrita e isso precisa mudar.

O médico e deputado Alexandre Roso (PSB-RS), que sugeriu a realização do seminário sobre obesidade infantil, afirmou que a forma de combater esse problema é a integração de esforços de toda a sociedade, com envolvimento da família, das escolas, da indústria de alimentos e do governo.

Alexandre Roso destacou ainda que campanhas educativas e a mudança de hábitos são fundamentais para prevenir a doença.

Números
Quase metade da população brasileira (49%) com 20 anos ou mais está com excesso de peso e cerca de 10% da população pode ser considerada obesa. Entre crianças de 5 a 9 anos, um terço está acima do peso. O resultado é que tanto crianças como adolescentes já apresentam doenças típicas de adultos, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

Conheça algumas propostas, em análise na Câmara, que visam combater a obesidade.

Reportagem – Renata Tôrres
Edição – Regina Céli Assumpção

Fonte: EcoDebate

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