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terça-feira, 25 de novembro de 2014

As várzeas, artigo de Roberto Naime

As condições necessárias para o desenvolvimento da vida dependem da existência de alguns fatores básicos que se tornam fatores limitantes, conforme ODUM (Ecologia, Ed. Guanabara, 1980). Estes fatores são a temperatura, que limita a vida e a reprodução de espécies, a presença de água, a presença de ar para impulsionar o metabolismo, presença de alimentos (nutrientes mínimos) que recomponham sistematicamente os tecidos e outros itens relevantes.


Na discussão sobre a aprovação do novo código florestal brasileiro, as várzeas estiveram em grande evidência nas discussões. Não podemos deixar de referir que não é nossa compreensão e nem sentimos que a reformulação imediata da normatização sobre florestas fosse uma demanda emergente da sociedade brasileira neste momento.

A água talvez seja o componente mais indispensável para a vida. Sem água não tem flora, não tem fauna, não tem nada. As várzes são terras úmidas, que são adjacentes e ocorrem em faixas de domínio de rios e drenagens superficiais e em zonas de baixios inundáveis. Frequentemente constituem as denominadas Áreas de Preservação Permanente (conhecidas como APPs).

As terras úmidas são áreas com inundações intermitentes. A vegetação que predomina é diferente daquelas áreas sem inundações. Quando os solos se saturam de água, o acesso ao oxigênio atmosférico fica restrito e os solos se tornam anaeróbicos ou seja, sem a presença de oxigênio. As raízes comuns não podem respirar e a maior parte das plantas não podem viver nestes locais.

Mas existe uma vegetação própria para estas áreas, com plantas muito ricas em água e que são a dieta principal de uma grande quantidade de animais, que vive nas proximidades para poder ter acesso à água e também aos alimentos proporcionados por estas plantas próprias das várzeas. Estas plantas não precisam ter raízes profundas porque a obtenção de água é fácil. Sem a necessidade de raízes profundas, se tornam alimento mais fácil e indispensável para certas espécies animais.

As plantas de zonas úmidas desenvolvem uma adaptação especial ao meio em que vivem. Algumas, como os mangues, levam ar a suas raízes através de tubos especiais; outros, como a borracheira negra, realizam parte de seu processo respiratório em ausência de ar.

Fabricam produtos metabólicos intermediários, não oxidados, que se transporta ao alto dos troncos para serem oxidados. Os ciprestes possuem raízes especiais, chamadas joelhos, que crescem sobre a terra através das quais intercambiam pequenas quantidades de dióxido de carvão e oxigênio.

Muitas várzeas e pântanos conservam a água, em especial aqueles que estão em regiões planas que estejam cercadas por montanhas. Estas áreas recebem principalmente água de chuva para sua manutenção.

As plantas devam transpirar vapor de água dos seus tecidos para o ar, mas algumas árvores de zonas inundadas transpiram menos que outras plantas. Portanto, nos pântanos se perde menos água do que em superfícies abertas de lagos. A adaptação destas plantas ajuda a manter a área úmida e conservar a água.

Estas em geral são zonas de recarga de aquíferos, que fazem as águas superficiais chegarem até os depósitos de água subterrânea, de onde os poços tubulares instalados pelo homem, podem captar água dos reservatórios subterrâneos. Sem várzeas para recarga dos aquíferos subterrâneos, oi poços tubulares podem ficar sem água para captação de acumulações subterrâneas.

A biodiversidade de espécies de plantas nestas áreas é menor que em uma floresta ordinária, mas a variedade de insetos, pássaros e outros animais é muito maior.

No Brasil já houve até programas governamentais destinados a drenar várzeas e permitir o cultivo das terras. Este é um dos maiores erros ecológicos que podem ser cometidos e a drenagem das várzeas é um crime ambiental contra a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas, cujos efeitos são intangíveis, ou seja não podem ser mensurados de forma simples.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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