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terça-feira, 8 de março de 2016

Relatório revela possíveis impactos do aquecimento global no Brasil

· Foram analisados diferentes cenários do aquecimento global a 4oC ou mais ao longo de oito décadas (2020-2100);

· Pesquisa realiza projeções de possíveis impactos nos setores de agricultura, saúde, energia e biodiversidade.

A Embaixada Britânica em Brasília e o CEMADEN – Centro de Monitoramento de Alerta de Desastres Naturais / MCTI – Ministério da Ciência e da Tecnologia e Inovação lançaram o relatório Riscos de Mudanças Climática no Brasil e Limites à Adaptação.

O estudo, coordenado no Brasil pelo climatologista Carlos Nobre, revela os principais riscos para o País caso a elevação de temperatura seja superior a 4 oC ou mais. Foram analisados diferentes cenários e projeções do aquecimento global, ao longo de oito décadas (2020-2100), nos setores de agricultura, saúde, energia e biodiversidade. A pesquisa foi realizada por meio de uma minuciosa revisão de literatura e projeções climáticas, incluindo estimativas dos riscos relativos.

O objetivo do trabalho é oferecer informação para formuladores de políticas de gestão de riscos, de maneira a influenciar de forma urgente a formulação de políticas que priorizem a prevenção e a mitigação desses possíveis impactos.

Possíveis Consequências

Vastas regiões do Brasil poderão se tornar perigosas para a população caso o aquecimento global ultrapasse o limite extremo de 4oC em relação à era pré-industrial. Nessas áreas, a temperatura média pode atingir os 30oC – o dobro da média do planeta hoje –, elevando o risco de mortalidade por calor, especialmente entre crianças e idosos. Temperaturas superiores à capacidade de adaptação do organismo humano reduzirão ainda a produtividade em diversas áreas de trabalho.

A agricultura, por exemplo, poderá sofrer quedas de produção. Já que a alta temperatura afeta o desenvolvimento de determinadas culturas e também diminui áreas de cultivos, como é o caso do plantio do arroz e do feijão. O relatório também aponta riscos de savanização de florestas, extinção de espécies, colapsos de energia elétrica, entre outras. Em algumas regiões, o calor e a mudança nas chuvas poderão colaborar para a incidência de doenças.

Possibilidades

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change) no seu 5º Relatório de Avaliação Cientifica (AR5 – Fifth Assessment Report), indica que há uma chance de 40% do aquecimento global ultrapassar o limite de 2oC. Este nível, considerado seguro por especialistas internacionais, foi estabelecido como limite pelo acordo do Clima na COP-21 até 2100. Caso a temperatura seja maior, há grandes riscos de catástrofes mundiais. Porém, como as chances da temperatura ultrapassar os 2oC são relativamente menores em curto prazo, decisores públicos acabam deixando de lado as projeções mais desfavoráveis ao planeta. No Brasil, num cenário de alta emissão de gases de efeito estufa, o país tem probabilidade alta, maior que 70%, de sofrer um aquecimento superior a 4oC antes do fim deste século.

Alguns possíveis impactos com temperaturas igual ou superior a 4oC:

* Risco de queda de produtividade entre 20% e 81% em diversas culturas. Para um cenário mais grave, a soja pode chegar a uma perda de até 81%.

* No período entre 2071 e 2099, os municípios da região Norte, Nordeste, Sudeste e Sul apresentarão condições térmicas ainda mais favoráveis para a disseminação do aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, chikungunya e zika.

* Aumento no percentual de risco de extinção de espécies de até 15,7%.

* Redução nas populações de espécie de abelhas nativas da Mata Atlântica em 2030 e se agravaria até a extinção entre 2050 e 2080.

* Risco de savanização e empobrecimento de florestas nas décadas finais do século.

* Em 2100, a perda de biodiversidade nas costas brasileiras será significativa, gerando impactos sobre a alimentação e economia.

* O déficit no atendimento da demanda elétrica no país se torna praticamente inevitável até 2040.

Fonte: EcoDebate

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