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terça-feira, 19 de abril de 2016

Agrobiodiversidade, artigo de Roberto Naime

A agrobiodiversidade é um termo amplo que inclui todos os componentes da biodiversidade que têm relevância para a agricultura e alimentação, bem como todos os componentes da biodiversidade que constituem os agroecossistemas.

São as variedades e a variabilidade de animais, plantas e de microrganismos, nos níveis genético e de espécies. E dos ecossistemas nos quais se inserem e que são necessários para sustentar as funções dos agroecossistemas, suas estruturas e processos.

Num conceito mais sintético, a agrobiodiversidade pode ser compreendida como a parcela da biodiversidade utilizada pelo homem na agricultura, ou em práticas correlatas, e na natureza, de forma domesticada ou semi-domesticada.

A agrobiodiversidade é o conjunto de espécies da biodiversidade utilizada pelas comunidades locais, povos indígenas e agricultores familiares. Estas diferentes comunidades conservam, manejam e utilizam os diferentes componentes da agrobiodiversidade.

Agrobiodiversidade (agrobiodiversity) tem como sinônimo biodiversidade agrícola ou “agricultural biodiversity”.

O conceito de agrobiodiversidade reflete as dinâmicas e complexas relações entre as sociedades humanas, as plantas cultivadas e os ambientes em que convivem, repercutindo sobre as políticas de conservação dos ecossistemas cultivados, de promoção da segurança alimentar e nutricional das populações humanas, de inclusão social e de desenvolvimento local sustentável.

A biodiversidade ou diversidade biológica é a diversidade de formas de vida engloba três dimensões de variabilidade. A diversidade de espécies, a diversidade genética que é a variabilidade dentro do conjunto de indivíduos da mesma espécie e a diversidade ecológica, que se refere aos diferentes ecossistemas e paisagens.

Isso ocorre também em relação à agrobiodiversidade, que inclui a diversidade de espécies de plantas cultivadas, como o milho, o arroz, a abóbora, o tomate e outras, a diversidade genética como variedades diferentes de milho, feijão e outros e a diversidade de ecosssistemas agrícolas ou cultivados como os sistemas agrícolas tradicionais de queima e pousio, também chamados de coivara ou itinerantes, os sistemas agroflorestais, os cultivos em terraços e em terrenos inundados e outros.

Os agroecossistemas são áreas de paisagem natural transformadas pelo homem com o fim de produzir alimento, fibras e outras matérias-primas. Uma das características dos agroecossistemas é a predominância de espécies de interesse humano e uma organização espacial que estrutura e facilita o trabalho de produção, segundo Kátia Marzall.

Em alguns casos, o desaparecimento de uma variedade pode não levar necessariamente à perda da diversidade genética, já que os seus genes podem existir também em outras variedades.
Mas as variedades representam uma combinação única de genes, com valor, funcionalidade e utilidade única. Estima-se ainda que a perda de uma planta pode causar o desaparecimento de quarenta tipos de animal e inseto, que dela dependem para sobreviver, além de combinações genéticas e moléculas únicas na natureza.

É isto que transgênicos colocam em risco. Por meros interesses financistas. Mas não se deseja pautar a crítica nesta dimensão. Lucro é a base do sistema social e não se deseja praticar este questionamento.

A autopoiese sistêmica dominante necessita ser alterada. Pois hoje só o consumismo garante a manutenção dos círculos virtuosos da sociedade. Aumento de consumo gera maiores tributos, maior capacidade de intervenção estatal, maior lucratividade organizacional e manutenção das taxas de geração de ocupação e renda. O consumismo precisa ser substituído pela idéia de satisfazer as necessidades dentro de ciclos.

Um outro mundo é possível, mesmo dentro da livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nenhum manifesto é contra a livre-iniciativa. Que sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é determinante para garantir a vida.

Referências:

KLOPPENBURG, J. & KLEINMAN, D. “Plant germplasm controversy: analyzing empirically the distribution of the world´s plant genetic resources” BioScience. Washington: American Institute of Biological Sciences, v. 37, nº 3, p.190-198, 19

MARZALL, K. “Fatores geradores da agrobiodiversidade – Influências socioculturais” Revista Brasileira de Agroecologia, Porto Alegre: Associação Brasileira de Agroecologia, v. 2, n. 1, p. 237-240, fev. 2007.

http://www.mma.gov.br/biodiversidade/conservacao-e-promocao-do-uso-da-diversidade-genetica/agrobiodiversidade

http://uc.socioambiental.org/agrobiodiversidade/o-que-é-agrobiodiversidade

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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