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terça-feira, 17 de maio de 2016

Cidade em SP tem nível de poluição próximo ao de metrópoles da China

Santa Gertrudes (SP) tem níveis de poluição bem acima dos limites definidos pela Organização Pan-Americana da Saúde. Concentração elevada de poluentes pode aumentar em até 15% riscos de mortalidade associados às partículas na atmosfera.

OPAS alerta que 80% dos moradores de áreas urbanas de todo o mundo estão expostos a quantidades pouco seguras de poluição.


Mais de 80% dos moradores de áreas urbanas onde a qualidade do ar é monitorada estão expostos a níveis de poluição que excedem os limites seguros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência da ONU calcula que 98% das cidades em países de baixa e média renda com mais de 100 mil habitantes não atendem aos seus parâmetros.

Na atualização do banco de dados sobre poluição da agência da ONU publicada nesta quinta-feira (12), cidades brasileiras do estado de São Paulo aparecem entre os centros urbanos que registraram concentrações perigosas de poluentes – próximas a de metrópoles da China.

A OPAS alerta que a poluição atmosférica é o maior risco ambiental para a saúde – causando, por ano, mais de 3 milhões de mortes prematuras em todo o mundo.

Cubatão, na região metropolitana da baixada santista, e Santa Gertrudes registraram uma taxa anual de pequenas partículas em suspensão (PM10 em micrograma por metro cúbico) calculada em 69 e 95, respectivamente, de acordo com dados de 2014.

Os valores estão próximos ou bem acima do teto de 70 µg/m3 definido pela OMS. Este parâmetro de alerta da agência da ONU está associado a uma elevação de 15% do risco de mortalidade em longo prazo por conta da poluição do ar.

A poluição em Santa Gertrude se aproxima dos padrões verificados em cidades chinesas, como Shanghai (84 µg/m3) e Beijing (108 µg/m3). A localidade paulista abriga cerca de 25 mil habitantes, enquanto as duas metrópoles chinesas possuem populações que somam dezenas de milhões.

As concentrações de partículas finas (PM25 nas mesmas unidades) nas duas cidades de São Paulo também registraram índices preocupantes: 44 para Santa Gertrudes e 31 para Cubatão. O valor-limite da OMS é 35 µg/m3.

As PM10 e PM25 incluem poluentes como sulfato, nitratos e carbono negro, que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, causando enormes riscos para a saúde humana. Os índices anuais ideais dessas partículas são de 10 µg/m3 para as PM25 e 20 µg/m3 para as PM10.

Nos dois últimos anos, o banco de dados – que agora abrange 3 mil cidades em 103 países – quase dobrou, com mais cidades medindo os níveis de poluição do ar e reconhecendo os impactos associados à saúde. De 2008 a 2013, a OMS avaliou que o nível de poluição urbana atmosférica global aumentou 8%, apesar das melhorias em algumas regiões.

A maioria dos dados vem de cidades com população de 50 mil habitantes ou mais. No entanto, aproximadamente 25% dos dados vêm de áreas urbanas menores, de até 20 mil habitantes.

Segundo a agência da ONU, há uma distribuição desigual da concentração de poluentes no mundo. Os níveis mais altos foram detectados em países de baixa e média renda no Mediterrâneo Oriental e no Sudeste Asiático, com níveis médios anuais, muitas vezes, superiores a de cinco a dez vez vezes os limites da OMS. Cidades do Oeste do Pacífico também apresentaram taxas elevadas de poluição do ar.

Em países de alta renda 56% das cidades com mais de 100 mil habitantes não seguem as diretrizes da OMS. O índice sobre para 98% quando considerados centros urbanos em nações de renda inferior.

Fonte: EcoDebate

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