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terça-feira, 28 de junho de 2016

Como atrair jovens para a agricultura

O problema da falta de interesse dos jovens pela agricultura é cada vez mais preocupante. Porém, na Ásia Pacífico,inúmeros especialistas coincidiram em que, se os jovens pudessem sentir a emoção de cuidar de plantas para produzir alimentos e tivessem suas aplicações e seus programas informatizados, seria mais atraente e mais fácil garantir a segurança alimentar.


A possibilidade de atrair jovens e de utilizar a tecnologia foi apresentada por Hoonae Kim, diretor para Ásia Pacífico do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), e NicholaDyer, responsável pelo Programa Global de Agricultura e Segurança Alimentar (GAFSP), dois dos integrantes do painel que participaram do Fórum de Segurança Alimentar, organizado pelo Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA).

O Fórum – realizado entre os dias 22 e 24 deste mês, na sede do BDA, em Manila, capital das Filipinas – reuniu 250 representantes de governos e órgãos intergovernamentais, como instituições de desenvolvimento bilateral e multilateral, setor privado, centros de pesquisa e desenvolvimento, e organizações da sociedade civil.

“Há 700 milhões de jovens na Ásia Pacífico. Se lhes dermos poder, voz e acesso ao crédito se interessarão por todas as áreas relacionadas com a agricultura”, afirmou Kim no Fórum, onde foram compartilhadas ideias sobre como alimentar 3,74 bilhões de pessoas nessa região e ao mesmo tempo cuidar do ambiente.

Dyer afirmou, com base em dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que são perdidos 1,3 bilhão de toneladas de alimentos por ano no mundo, por isso “temos que estudar como incluir o setor privado e a sociedade civil para garantirmos que a falta de políticas recebe a melhor tecnologia que se possa aplicar”.

“Há uma grande necessidade de se apoiar os países que promovem a agricultura climaticamente inteligente, tanto do ponto de vista econômico quanto técnico, como forma de introduzir as novas tecnologias”, acrescentou Dyer.

A Comissão Econômica e Social da Organização das Nações Unidas (ONU) para Ásia Pacífico estimou, em 2014, que a região tinha 750 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, 60% dos jovens do mundo. Uma grande proporção deles vive em áreas desenvolvidas do ponto de vista social e econômico, 78% concluem o ensino secundário e 40% chegam à faculdade.

“Muitos jovens asiáticos optam por emigrar em busca de uma vida melhor e são reticentes quanto a se dedicarem à agricultura, por preferirem as cidades onde a vida é mais conveniente”, diz um informe elaborado em 2015 pela Associação de Agricultores Asiáticos para o Desenvolvimento Rural Sustentável (AFA).

“Nas Filipinas, a maioria das famílias rurais deseja que seus filhos tenham empregos melhor remunerados nas cidades, ou no exterior, pois a agricultura está mais associada à pobreza”, explica o informe Um Futuro Viável: Atraindo os Jovens Para a Agricultura.

O fórum do BDA também se concentrou na difícil situação que atravessam os agricultores, em sua maioria idosos, e cada vez há menos e com poucas esperanças de encontrar um substituto entre as gerações mais jovens, inclusive entre seus próprios filhos. Os agricultores, em especial os que não são proprietários, são pequenos produtores que estão entre os setores mais marginalizados das sociedades.

EstrellaPenunia, secretária-geral da AFA,apontou que é fundamental “considerar os pequenos agricultores como verdadeiros sócios no que diz respeito às tecnologias sustentáveis. Devem receber incentivos e melhores condições de arrendamento”.O professor David Morrison, da Universidade de Murdoch, em Perth, na Austrália, destacou que é hora de se concentrar na contribuição que a tecnologia e os dados podem proporcionar à agricultura.

“A tecnologia é usada para desenvolver dados e estes são uma forma importante de mudar comportamentos. Os dados precisam ser analisados”, afirmou, antes de explicar que os governantes também devem compreendê-los para desenhar políticas baseadas na evidência e com foco nos agricultores e nos consumidores.

O presidente do BDA, TakehikoNakao, ressaltou que a agricultura necessita de melhoras urgentes, como tecnologia para a detecção remota, diversificação de fertilizantes e inseticidas de origem orgânica ou substâncias naturais. Também recordou que o banco começou a conceder empréstimos e assistência ao setor apenas dois anos após sua fundação, em 1966.

O BDA, que comemorará seu 50º aniversário em dezembro deste ano, é propriedade de 67 pessoas, 48 delas originárias dessa região. Em 2015, a ajuda concedida pela instituição chegou a US$ 27,2 bilhões, incluído o financiamento conjunto no valor de US$ 10,7 bilhões. Seu último acordo de associação foi com o Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), com sede em Los Baños, na localidade filipina de Laguna.

Nakao e o diretor-geral do IRRI, Matthew Morell, assinaram durante o fórum um acordo para fomentar a segurança alimentar na Ásia Pacífico, aumentando a colaboração na difusão de pesquisas e outros conhecimentos sobre o papel das tecnologias que contribuem para a produção de alimentos para todos.

O acordo obriga as duas instituições a realizarem consultas anuais para revisar e garantir a correspondência entre as atividades de colaboração, bem como desenvolver um programa de trabalho conjunto que difundirá o uso da agricultura climaticamente inteligente e as tecnologias que permitem a economia de água para aumentar a produtividade e impulsionar a resiliência dos sistemas de cultivo de arroz, além de minimizar a pegada de carbono em sua produção.

Outro acordo importante do BDA em matéria agrícola foi com o Camboja, em 2013, uma iniciativa de agricultura climaticamente inteligente chamada Programa de Comercialização de Arroz Resistente ao Clima, que inclui a geração de sementes melhor adaptadas ao clima desse país.

O BDA comprometeu US$ 2 bilhões por ano para cobrir a demanda de alimentos nutritivos, seguros e a preço acessível na Ásia Pacífico, com a perspectiva de um futuro apoio aos recursos agrícolas e naturais para apoiar o investimento em tecnologias inovadoras de alto nível.

Para 2025, a instituição observa que viverão 4,4 bilhões de pessoas na Ásia Pacífico,que, como o resto da Ásia, também registrará um aumento de população e de migrantes do campo para as cidades, e que a tendência levará à melhora das opções nutritivas e de alimentação, ao mesmo tempo em que enfrentará um ambiente mutante de temperaturas mais elevadas e mais desastres naturais que prejudicarão a produção agrícola.

Nakao também disse que a Ásia sofrerá o impacto da mudança climática e o risco de desastres naturais em seu esforço para concretizar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.Por fim, a instituição indicou que as perdas de cultivos representam 30% da colheita na Ásia Pacífico – perde-se 42% de frutas e verduras e até 30% em grãos entre o campo e o mercado por falta de infraestrutura adequada, desde estradas, água, energia, armazéns no mercado e sistemas de transporte.

Fonte: Envolverde

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