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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

As agonias dos rios Mudo e Guajiru, RN, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho

A histórica Lagoa de Extremoz tem cerca de 4 quilômetros quadrados de extensão e participa com 70% da água necessária para o abastecimento da região Norte de Natal. A complementação restante da água é obtida através de poços.


A Lagoa de Extremoz recebe contribuições de águas subterrâneas do aquífero Barreiras e, especialmente, de águas superficiais dos rios do Mudo e Guajiru. Essas correntes, ao longo de seus 25 km de extensão, são perenes apenas à jusante, aproximadamente a 5 km da área de descarga na lagoa (Castro & Duarte, 2000).

Com o crescimento urbano acelerado, a partir principalmente da década de 80, a qualidade da água disponível para a população de Natal está se deteriorando, evidenciado por muitas pesquisas que indicam à contaminação da água, e sendo mais mais evidente para nitrato. As atividades urbanas e industriais associadas ao uso de sistemas de saneamento com disposição local de efluentes (fossas e sumidouros) constituem fontes potenciais de contaminação dos recursos hídricos (Castro & Duarte, 2000; Righetto & Rocha, 2005; Nóbrega et al. 2008; Cabral et al., 2009; Rodrigues et al, 2009). Medeiros Filho (2016) comenta que o desastre da contaminação por nitrato das águas superficiais e subterrâneas na Grande Natal é um caso exemplar de um grande sinistro ambiental que avança constante e silenciosamente e sem expectativa clara de solução.

Além dessa bem evidenciada degradação hidroquímica, o Sistema Extremoz tem sido penalizado pela acelerada expansão urbana ao longo dos trajetos dos rios do Mudo e Guajiru e, entre outras coisas, o desmatamento das margens dos rios e o significativo e crescente assoreamento dos seus cursos de água. Uma consequência imediata, já percebida tecnicamente e visualmente, é a diminuição da vazão dos dois rios e queda na carga de água despejada na Lagoa.

Quem visita os vales dos tributários da Lagoa de Extremoz presencia diversos imagens desoladoras de deterioração ambiental. O Mudo e o Guajiru vêm sofrendo constantes e crescentes agonias que podem conduzir à morte. A preservação dessas importantes, porém frágeis bens naturais seria uma prática lógica e obrigatória de qualquer gerenciamento político. E como disse o Papa Francisco: “A nossa casa comum está sendo saqueada, devastada, impunemente. A covardia em defendê-la é uma falta grave”.

Referências Bibliográficas

Cabral, N. T.; Righetto, A. M.; Queiroz, M. A. 2009. Comportamento do nitrato em poços do aquífero Dunas / Barreiras nas explotações Dunas e Planalto, Natal, RN, Brasil. Eng Sanit Ambient | v.14 n.3 | jul/set 2009 | 299-306.

Castro, V.L.L.; Duarte, M.A.C. 2000. Desenvolvimento Urbano e Industrial no Curso Inferior da bacia do Rio Doce e os Efeitos Impactantes no Sistema Aquífero-Lacustre Extremoz-RN: Análise Preliminar. 1 st Joint World Congress on Groundwater.

Faustino, A.B.; Silva, S.M.P., 2015. Caracterização geomorfométrica da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (RN), utilizando dados Topodata e recursos de geoprocessamento. Anais XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto – SBSR, João Pessoa-PB, Brasil, 25 a 29 de abril de 2015, INPE.

Medeiros Filho, C.A. 2016. Desastres lentos e graduais. Portal EcoDebate, 08/08/2016

Nóbrega, M. M. S.; Araújo, A. L. C.; Santos, J. P. Avaliação das concentrações de nitrato nas águas minerais produzidas na região da Grande Natal. Revista Holos. Vol. 3. 2008. 4-25 p.

Righetto, A.M.; Rocha, M. Exploração sustentada do aqüífero Dunas/Barreiras na Cidade de Natal, RN. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, v. 10, n. 2, p. 27-38, 2005.

Rodrigues, M; Pereira, R.; Mayer, A.; Magalhães, D. R. M.; Fernandes Jr., J. R. A atual situação da contaminação por nitrato nos poços da cidade de Natal/RN: o caso das águas minerais. IV
Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica. Belém – Pa. 2009.

Carlos Augusto de Medeiros Filho, geoquímico, graduado na faculdade de geologia da UFRN e com mestrado na UFPA. Trabalha há mais de 30 anos em Pesquisa Mineral.

Fonte: EcoDebate

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