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terça-feira, 10 de junho de 2014

Estudo relaciona cesariana e não amamentação na primeira hora de vida

“Apesar de vários estudos comprovando ser a amamentação na primeira hora de vida um mecanismo potencial para a promoção da saúde, associado à maior duração do aleitamento materno e à redução das mortes infantis, principalmente nos países de baixa renda, ainda assim, essa prática é pouco desenvolvida.” O alerta é da aluna de doutorado em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Tania Maria Brasil Esteves, que defendeu sua tese em 29/5, sob orientação do pesquisador da Escola Iúri da Costa Leite. Segundo ela, a cesariana foi o fator de risco mais consistente para a não amamentação na primeira hora de vida em vários contextos culturais, uma vez que os estudos encontrados foram realizados na Ásia, África e América do Sul.


Tania Maria acrescenta que indicadores associados a pior nível socioeconômico e menor acesso a serviços de saúde também foram identificados como fatores de risco independente para a amamentação na primeira hora de vida. Em relação à situação das maternidades do Rio de Janeiro, ela disse que estão longe de alcançar o ideal. “As rotinas e práticas hospitalares mostram-se impeditivas dessa ação. O desconhecimento do status sorológico para o HIV também foi identificado como fator de risco independente para a não amamentação na primeira hora. Apesar de existir um programa de prevenção e controle do HIV/Aids, mundialmente reconhecido, os serviços de saúde ainda enfrentam dificuldades no cumprimento de orientações protocolares.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda colocar bebês em contato direto com a mãe logo após o parto por pelo menos uma hora e estimular a mãe a identificar se o bebê está pronto para ser amamentado e oferecer ajuda se necessário. A aluna explica que essa prática é recomendada porque é no período pós-parto que os bebês estão mais aptos ao estabelecimento da amamentação, têm maior resposta ao tato, ao calor e ao odor da mãe, o que favorece a liberação de hormônios responsáveis pela produção e ejeção do leite.

Os efeitos positivos sobre a saúde do recém-nato podem ser mediados tanto pelos componentes do leite materno quanto pelo contato mãe-bebê. O colostro, leite dos primeiros dias, contém fatores que aceleram a maturação da mucosa intestinal, e fatores imunológicos bioativos que conferem proteção imunológica ao lactante, prevenindo a colonização por micro-organismos patogênicos.

Os objetivos do estudo foi sistematizar estudos observacionais sobre os determinantes da amamentação na primeira hora de vida, estimar a prevalência da amamentação na primeira hora de vida e analisar os  fatores associados a essa prática em hospitais com mais de 1000 partos/ano, do Sistema Único de Saúde no município do Rio de Janeiro.

A tese foi desenvolvida em formato de dois artigos. O primeiro constitui-se de revisão sistemática conduzida por meio das bases de dados Medline, Lilacs, Scopus e Web of Science, sendo incluídos estudos que utilizaram modelos de regressão e forneceram medidas de associação ajustada. No segundo artigo, os fatores associados à amamentação na primeira hora de vida por mães de recém-nascidos em alojamento conjunto no município do Rio de Janeiro, em 2009, foram analisados por meio de regressão logística multinível.

No entanto, disse ela, o hospital ser credenciado como amigo da criança foi um fator para a promoção da amamentação na primeira hora de vida, porém pouco se tem avançado no credenciamento de hospitais nos últimos anos. “Pode-se dizer que o trabalho a ser realizado é primordialmente a educação em saúde para a população, e nos hospitais e unidades em saúde em geral é de educação dos profissionais de saúde para que se sintam motivados e seguros para implementar esta ação”, conclui.

Foi publicada a portaria 371 de 07/05/14, que recomenda o contato pele a pele na sala de parto e o estímulo à amamentação na primeira hora de vida, exceto em casos de HIV ou HTLV positivo. Recomenda ainda que os cuidados de rotina do recém-nascido sejam postergados para propiciar esse momento, justificado pelo compromisso firmado pelo Brasil junto à OMS, da redução da mortalidade infantil em 2/3 até 2015.

Sobre  a autora

Tania Maria Brasil Esteves é enfermeira pela Unirio, especialista em aleitamento materno e bancos de leite humano. Atuou durante 22 anos em hospitais na área de neonatologia e sete anos na Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, na aréa técnica de aleitamento materno, como responsável pelos pólos de aleitamento materno das regiões Centro Sul Fluminense, Médio Paraíba e Baixada da Ilha Grande. Hoje, atua na Coordenação de Ensino do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/Ensp), onde coordena o 1º Curso Gratuito da Ensp voltado para os profissionais do SUS. A meta é transformar o CSEGSF/CMS Manguinhos em Unidade Básica Amiga da Amamentação até meados de 2015.

Fonte: EcoDebate

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