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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Investimentos em energia: ainda falta ambição

Empresa de Pesquisa Energética e Ministério de Minas e Energia publicam Plano Decenal de Energia até 2023. 70% dos investimentos da próxima década serão em combustíveis fósseis.

O Plano de Expansão Decenal de Energia que prevê os rumos energéticos do país para a próxima década – no caso, entre 2014 e 2023 – e que é atualizado anualmente foi publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). E, como quase sempre, faltou ambição por parte do governo brasileiro: dos R$1,263 trilhões previstos até 2023, 71% irão para os combustíveis fósseis, enquanto as fontes renováveis – como PCHs, eólica, solar e biomassa – ficaram apenas com 9,2% do montante.

“Há um aumento considerável de investimentos nas renováveis quando comparado com os 3% que estavam previstos no plano de 2013, mas o desequilíbrio ainda é grande”, disse Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Um dos principais pontos negativos em relação ao plano apresentado no ano passado é o aumento da previsão do consumo energético na próxima década que passou de 63 GW para 71 GW. Para efeito de comparação, o número representa uma nova usina de Itaipu instalada a cada dois anos. Este crescimento foi muito puxado pela previsão exagerada do PIB médio, entre 4,1% e 4,5%, apesar da experiência recente mostrar que esse crescimento dificilmente será alcançado.

Com as projeções otimistas para a economia, a previsão do aumento da participação das termelétricas fósseis dobrou e ainda inclui a conclusão da usina nuclear de Angra 3 em 2018. Além disso, as hidrelétricas seguem como a fonte que mais vai contribuir com esse crescimento totalizando 31 GW, sendo que 90% desse total será alocada na Amazônia.

Para as fontes renováveis, a energia solar foi incluída pela primeira vez no plano, com uma projeção de 3,5 GW até 2023 quando poderia ser o dobro pela previsão do cenário [R]evolução Energética. As eólicas são as que mais vão crescer, já que a consolidação da indústria contribuiu para uma visão mais otimista em relação aos planos anteriores, que minimizavam o potencial dos ventos no Brasil. Por outro lado, a expansão da biomassa se retraiu para 4 GW, como reflexo das dificuldades ainda enfrentadas para a contratação dessas usinas em leilões.

A redução de consumo de energia em decorrência de ações ou programas de eficiência energética também diminuíram e chegaram ao nível de 5,2%, um patamar baixo se considerarmos o potencial superior a 10% nos setores comercial, industrial e residencial.

“Se por um lado, o novo Plano Decenal de Energia traz finalmente a inclusão da fonte solar, por outro lado, aumenta a participação das termelétricas fósseis e mantém um baixo nível de ambição para medidas de eficiência energética”, concluiu Baitelo.

O relatório está disponível para consulta pública até o próximo dia 5 de outubro. Basta enviar um email para pde2023@mme.gov.br ou pelo endereço PDE 2023 Consulta Pública – SPE/MME – Esplanada dos Ministérios, Bloco “U”, 5o andar, CEP 70065-900, Brasília-DF.”

Fonte: Mercado Ético

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