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segunda-feira, 13 de abril de 2015

O que a saúde da cidade tem a ver com a sua saúde?

A saúde da cidade é a nossa saúde. Foi esse o lema do Inspira São Paulo, evento realizado na noite desta quinta-feira (9/4) no Museu da Casa Brasileira, como parte da programação da Virada da Saúde, que acontece até o próximo domingo (12/4).
De caráter inspiracional, a proposta da atividade era reunir 12 profissionais de diversas áreas do conhecimento para compartilhar suas histórias de transformação do ambiente urbano, com a intenção de torná-lo mais saudável e sustentável – afinal, 84% dos brasileiros vivem em cidades, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A expansão urbana, a expansão econômica e a vida acelerada facilita que as pessoas adoeçam”, acredita a médica Evangelina Vormittag, fundadora do Instituto Saúde e Sustentabilidade e idealizadora da Virada da Saúde. Ela lembrou que entre as causas mais comuns de mortalidade – para além de doenças crônicas não transmissíveis, como câncer e infarto – estão a violência e os acidentes fatais, “evidentemente decorrentes da rápida urbanização do mundo nos últimos anos”.

Dados mostram como essa realidade tem atingido os paulistanos – principalmente as mulheres. De acordo com a médica, nos últimos quatro anos houve mais internação de mulheres por conta de infarto do que de homens. Para ela, esse dado corrobora o fato de que cerca de 70% dos cidadãos de São Paulo sofrem de stress elevado.

“A poluição do nosso ar está relacionada a três tipos de câncer: pulmonar, de mama e de bexiga. Se não fossem obesas, 40% das mulheres poderiam ter o câncer de mama evitado.”

Para superar esses problemas de saúde, Evangelina enfatiza a importância da mobilidade ativa – seja caminhando ou pedalando – para reduzir o número de infartos, câncer e casos de depressão. A Organização Mundial de Saúde (OMS), aliás, prevê que em 2030 a depressão será a doença mais comum do planeta. “De 1970 a 2000 houve uma perda de 35% da biodiversidade. Restou um conjunto de vazios que não sabemos como proceder”, opina. “A nossa existência significa saúde. A preservação da espécie humana também, e uma vida saudável só é possível numa cidade saudável. Precisamos estimular a mudança de comportamento que traz benefícios para a saúde.”

Para João Figueiró, fundador do Instituto Zero a Seis, uma das soluções para reduzir desigualdades e violência é investir em políticas públicas dedicadas à primeira infância, fator que promoveria a saúde individual e social. Ele cita o prêmio Nobel de Economia de 2000, o estadunidense James Heckman, que defende a tese de que a cada dólar investido nessa etapa da vida há um retorno de nove dólares.

“A cidade, no seu planejamento, não pensa a criança no território. A ágora infantil desapareceu, aquele lugar de compartilhamento e estabelecimento de regras, normas e limites e de aprendizado social. Nossas crianças estão confinadas em espaços fechados e sedentárias, assistindo em média 4h50 de televisão por dia.”

Figueiró ressalta que é nessa fase que se desenvolvem as bases das principais competências humanas. “É o período de mais intensa neuro-construção: aos seis anos, em torno de 90% do cérebro está desenvolvido. Os valores morais e princípios éticos também são estabelecidos nesse período”, afirma.

Matheus sugere ainda uma reflexão em torno do conceito de saúde. “Ser saudável é ir no médico e ver se está tudo bem? Ou ser saudável é sentar numa mesa com quem você ama e ter uma boa conversa durante o jantar?”

O médico patologista Paulo Saldiva arrancou gargalhadas dos presentes quando fez uma analogia das doenças presentes em São Paulo. “A cidade cresce e a estrutura não suporta. Hoje, sofremos de trombose arterial, pois o tráfego está entupido; obesidade, por conta da densidade habitacional; a poluição do ar provoca diarreia, que resulta em nossos rios mortos; sofremos de insuficiência renal e impotência, pois não conseguimos limpar nossas águas; e, por fim, também somos vítima de um declínio cognitivo, pois os dirigentes esquecem rapidamente aquilo que prometeram.”

Ele defende que a saúde não é algo que se cura com vacina, antibiótico e novalgina. “Com o tecido social descontruído, as pessoas estão isoladas em carros, onde existe uma cidade que atrapalha o caminho entre a casa e o trabalho. Essa lógica há de ser desfeita para podermos curtir a cidade e estabelecer relações afetivas e sociais. Afinal, perdemos a riqueza da urbanidade quando nos enclausuramos dentro de nós mesmos.” 

Fonte: Envolverde

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