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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Consumo consciente, Parte 2/4, artigo de Roberto Naime

ALENCASTRO et. al. (2014) que em contraposição surgiu o conceito de Desenvolvimento Sustentável que é “aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.


Este conceito foi sendo legitimado, oficializado e difundido com base na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992.
O desenvolvimento sustentável está relacionado com diversos aspectos das nossas vidas: fatores sociais, consumidor versus consumo, mundo agrícola, conservação da fauna e flora, habitações, cuidados com a saúde, alimentação, sistema de transporte público mais eficaz, e um novo modelo da forma de pensar segundo ALENCASTRO et. al. (2014)

Porém, o mais importante é que os consumidores deverão ter a percepção de que vivemos num mundo globalizado e que a aplicação de hábitos de sustentabilidade deve prioridade na tomada de decisões para o bem de todos. Os consumidores devem ser os primeiros a alterar seus hábitos de consumo, pois, sem a sua participação ou compreensão, a cultura de consumo atual dificilmente se alterará.

A autopoiese sistêmica que domina a formulação comportamental da sociedade civilizada necessita ser alterada. Pois hoje só o consumismo garante a manutenção dos círculos virtuosos da sociedade.

Aumento de consumo gera maiores tributos, maior capacidade de intervenção estatal, maior lucratividade organizacional e manutenção das taxas de geração de ocupação e renda. O consumismo precisa ser substituído pela idéia de satisfazer as necessidades dentro de ciclos.

É uma concepção que vem ganhando força a partir do reconhecimento de que a degradação ambiental é a manifestação da crise das modernas sociedades que se organizaram pelo predomínio do desenvolvimento da razão tecnológica sobre a natureza.

Desta forma, a questão socioambiental problematiza as próprias bases da produção e aponta para a desconstrução do paradigma econômico da modernidade e para a construção de perspectivas mais atraentes, fundadas nos limites da natureza, nos potenciais ecológicos e na produção de sentidos sociais.

São então concebidas as bases do ecodesenvolvimento e a necessidade da postulação de novos modos de produção e estilos de vida mais aderentes às condições e potencialidades ecológicas das diversas regiões, assim como na diversidade étnica e na gestão participativa dos recursos.

Entretanto, o modo de vida contemporâneo é nitidamente insustentável, pois se vive numa sociedade cada vez mais consumista e incentivada por um marketing excessivo. Excesso de consumo também significa geração excessiva de resíduos. Neste sentido, Elmar Altvater (1995, p. 244) descreve: “o homem da sociedade industrial fordista é um ser produtor de lixo em massa, este é seu estilo de vida”.

A obsolescência acelerada e programada dos produtos faz com que ocorra uma renovação demasiada das necessidades de consumo.

Como alcançar o Desenvolvimento Sustentável em um modelo que incentive o hiperconsumo? Para muitos, neste cenário em que o acúmulo de rejeitos é cada vez maior, as técnicas de reciclagem e reutilização são as possíveis soluções para tais problemas.

MONTIBELLER (2004, p.214) chama a atenção para o fato de que a reciclagem de materiais encontra limites de natureza econômica, física e sociológica que impedem o desenvolvimento de todo o seu potencial.

Apenas uma pequena parcela dos rejeitos pode ser reciclada, enquanto grande parte exigirá disposição final em depósitos de lixos. Todavia, mesmo esta parcela potencialmente reciclável pode encontrar grandes resistências no mercado de recicláveis.

A questão da sustentabilidade supera em muito a lógica empresarial, pois exige um novo paradigma produtivo, no qual os valores da diversidade biológica, produtividade ecológica, heterogeneidade cultural, pluralidade política e democracia participativa seriam seus principais alicerces conforme ALENCASTRO et. al. (2014).

Nunca é demais lembrar que a busca pelo crescimento ilimitado do PIB e a expansão da população mundial ocasiona uma implacável corrida por cada vez mais energia e recursos naturais, recursos estes de natureza limitada. Do mesmo modo, é importante destacar que a sustentabilidade dentro da lógica empresarial não concerne somente à questão ambiental.

Entretanto, há várias concepções para a sustentabilidade, a mais conhecida está apoiada nos pilares: econômico, ambiental e social. A maioria dos estudos afirma que sustentabilidade é composta de três dimensões que se relacionam: econômica, ambiental e social. Essas dimensões são também conhecidas como tripple bottom line. (DE OLIVEIRA CLARO, et. al. 2008, p. 290)

Segundo ALMEIDA (2002, apud DE OLIVEIRA CLARO, et. al. 2008), a dimensão ambiental ou ecológica está voltada para o âmbito das organizações para que estas considerem o impacto de suas atividades sobre o meio ambiente na forma de utilização dos recursos naturais, que contribua para a integração da administração ambiental na rotina de trabalho.

LEFF (2001) propõe que a crise ambiental é uma crise de civilização e que não poderia encontrar uma solução apenas por meio da racionalidade instrumental predominante, da incerteza de um mundo economizado e arrastado por um processo incontrolável de produção e consumo.

Sendo assim, um dos grandes desafios que se apresentam ao Desenvolvimento Sustentável é o abandono de um modo de vida que se concretiza no descarte e no consumo excessivo de bens, produtos e serviços.

É necessária a tomada de consciência de que a sociedade de consumo gera grandes pressões sobre o meio ambiente, já que não existe produto que não contenha material proveniente da natureza, portanto a produção depende da exploração dos recursos ambientais e não há descarte de rejeitos que não volte ao planeta.

É obrigatório então, conduzir a discussão para o que pode ser chamado de “consumo consciente”. Ideal mesmo seria patrocinar esta discussão no contexto de nova autopoiese sistêmica para o equilíbrio do arranjo social, dentro de uma concepção livre dos conceitos desenvolvidos pelos sistemistas.

Referência:

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. A dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.114.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

BERTÉ, Rodrigo. Gestão Socioambiental no Brasil: uma análise ecocêntrica. Editora Intersaberes, 2013: Curitiba – PR

DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1995. p. 249.

DE OLIVEIRA CLARO, Priscila Borin; CLARO, Danny Pimentel; AMÂNCIO, Robson. Entendendo o conceito de sustentabilidade nas organizações. Revista de Administração da Universidade de São Paulo, v. 43, n. 4, 2008.

DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação: de como a autonomia das novas tecnologias obriga a rever o mito do progresso. 2.ed. São Paulo: Editora UNESP, 2001.

FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econômico. 2.ed. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1998

GORZ, André. Metamorfoses do trabalho: crítica da razão econômica. São Paulo: Annablume, 2003.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973. p. 24 e 27.

MARÉCHAL, J.P. A economia, o emprego e o meio ambiente: o racional e o razoável. Lisboa: Instituto Piaget, 1993.

MONTIBELLER FILHO, Gilberto. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. Florianópolis: Ed. UFSC, 2004.

PÁDUA, José Augusto de. Valores pós-materialistas e movimentos sociais: o ecologismo como movimento histórico. In: UNGER, Nancy Mangabeira (Org.). Fundamentos filosóficos do pensamento ecológico. São Paulo: Edições Loyola, 1992.

SEM, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ALENCASTRO, Mario Sergio Cunha. EBERSPACHER, Aline Mara Gumz. KRAETZ, Guisela Kraetz. BERTÉ, Rodrigo. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E CONSUMO CONSCIENTE: ALGUMAS
REFLEXÕES Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade. Ed. Especial, vol. 7, n. 3, p. 738 – 752, jul – dez 2014



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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