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sábado, 30 de março de 2013

Filhos – um eterno estado interessante







(obs.: escrevi este texto em 2005).


Ana Candida Echevenguá*


                   O professor e psicanalista da infância e adolescência e professor José Ottoni Outeiral, do Rio Grande do Sul, disse que um adolescente contagia os demais membros da casa e todos adolescem junto, aprendendo um pouco sobre si mesmo.

E a gravidez? “Contamina” as pessoas próximas à gestante? Todos comungam desse processo? Com certeza! O grande poeta Luis Gonzaga Junior (Gonzaguinha) explica isso com os seguintes versos: "Grávido, porque será que um homem não pode querer estar, estando sempre ávido por entender em si a semente que ele vê na barriga daquela rapariga que passa em estado interessante. (...) Mãe, como seria ter o filho, saber passo a passo, da geração à alegria do parto".

O contágio vai além da figura paterna. A família e os amigos ficam em festa porque um bebê é sempre bem-vindo. “Uma criança não ameaça ninguém. É só vida, inocência e ternura. Mais que ajudar a outros, ela precisa ser ajudada e acolhida”, segundo o teólogo Leonardo Boff que, no seu artigo “Espírito de Natal” foi agraciado na escolha destas palavras: "Cada vez que nasce uma criança, é prova de que Deus ainda acredita na humanidade. Deus acreditou tanto que quis nascer criança frágil, com os bracinhos enfaixados para não ameaçar ninguém”.

“Se você reparar nos cuidados que uma cadela despende à sua cria, vai visualizar que mesmo angustiada com a possibilidade da perda e o cansaço do parto, ela continuará reunindo potências para salvar os filhotes em perigo. É esse instinto maternal que podemos desenvolver para brigar por sonhos e metas”. Estas palavras são do psicanalista Roberto Shinyashiki, em seu artigo “Ingredientes para o sucesso” no qual ele orienta sobre a canalização das emoções para obter maior produtividade na vida profissional.

Se aguçar o instinto maternal ajuda, até nas relações de trabalho, o que estamos esperando para colocar isso em prática?

Pesquisei sobre o tema porque serei avó no final de maio de 2005. E este estado interessante e inusitado de “voternidade” está me levando a reflexões sobre o futuro. Sérgio Antunes de Freitas, responsável pela página http://www.reforme.com.br/kitnet, em seus momentos filosóficos, disse-me que “a voternidade está para a maternidade, assim como a palavra voterna está para a palavra materna. Tudo lógico e transparente”.

E separando algumas sílabas, ficou assim: vó terna. É assim que me sinto: cheia de ternura e me policiando  para respeitar a maternidade da gestante embora a  vontade primeira seja colocar o bebê debaixo do braço, tão logo nasça, e tomar conta até que ele esteja plenamente capaz para os atos da vida.

                  Assim como Gonzaguinha, estou curiosa e preocupada com a semente que vejo crescer no útero de minha filha.

                  Embora minha alma esteja em festa, perguntas povoam meus dias:

                  - Que mundo recepcionará minha neta Ana Carolina?

                  - A que recursos naturais ela terá acesso se estamos destruindo nosso planeta? Você sabia que uma espécie viva desaparece a cada treze minutos em virtude do estilo de vida depredador e consumista que nos é imposto? O cientista Norman Myers afirma que, no Brasil, extingue-se quatro espécies vivas por dia.
Não sei.

                  Mas, procuro fazer a minha parte: trato o mundo que me cerca como se ele me fosse emprestado; e com a certeza de que preciso devolvê-lo em ótimo estado, para que as futuras gerações possam usufruir da mesma sadia qualidade de vida que usufruo agora.


* Ana Candida Echevenguá, advogada e articulista, especializada em Direito Ambiental e em Direito do Consumidor. Presidente da Academia Livre das Águas e do Instituto Eco&Ação, nos quais desenvolve um trabalho diretamente ligado às questões socioambientais, difundindo e defendendo os direitos do cidadão à sadia qualidade de vida e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. email: ana@ecoeacao.com.br.

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