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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Padarias saudáveis se espalham por São Paulo

Desafio está na compra de matéria-prima em maior escala e na dificuldade da mão de obra

Esqueça aquelas padarias com cara de mercearias. Com o preparo artesanal do pão e a exclusão de produtos com aditivos químicos, as padarias orgânicas estão se espalhando pela cidade de São Paulo. Para quem se interessa pelo setor, os próprios empreendedores afirmam que há espaço para novos negócios. O desafio está na compra de matéria-prima em maior escala e na dificuldade da mão de obra.

A PÃO – Padaria Artesanal Orgânica foi criada em 2007 por Rafael Rosa, que após morar dez anos no exterior, resolveu trazer ao País um conceito muito difundido lá fora. Mas o negócio começou de uma maneira despretensiosa, de fazer algo que o empreendedor não apenas gostava, mas como também consumia. Porém, o conceito agradou tanto o mercado que surgiram oportunidades de expansão. Foi aí que entrou em cena Bruno Rosa, irmão de Rafael.

Egresso do mercado financeiro, Bruno é responsável pelo crescimento do negócio. “Expansão de empresa pequena é sempre um desafio um pouco maior. De uma padaria artesanal pequena é que surge uma padaria que tem estoque, logística, administrativo e financeiro. Experiências todas novas. E aconteceu tudo muito rápido. Demos dez passos para frente e em 2013 resolvemos estancar e dar dois para trás para organizar e voltar a crescer”, conta Bruno Rosa.

Atualmente, a PÃO tem quatro lojas e vai inaugurar mais duas unidades este ano. “O mercado de orgânicos está crescendo, mas a dificuldade de mão de obra, de fornecimento com um pouco mais de escala, é muito grande. O crescimento do mercado não está acompanhando o crescimento do consumo”, pontua Bruno, que não planeja a expansão por franquias, apesar do assédio de interessados.

Já o empreendedor Marcos Carnero, da Miolo, não tem interesse de assumir outra padaria (mas pode ajudar em consultorias). Localizada no pé da Serra da Cantareira, o espaço foi montado gradativamente com objetos reaproveitados e um investimento de aproximadamente R$ 30 mil. Padeiro autodidata, Marcos teve uma padaria em Minas Gerais que não deu certo. Talvez pela localização em uma cidade turística e por sofrer com a sazonalidade.

Carnero então se mudou para São Paulo, a convite de um amigo. O início foi de dificuldades e o padeiro até morou quatro meses no Terminal Rodoviário Tietê. “Fui enfrentando as dificuldades, cada dia tem um colorido diferente. Hoje eu falo meio que poeticamente desse fato, mas não foi fácil”, lembra.

O empreendedor apoia o surgimento de novas padarias orgânicas. “Acho ótimo. Esse mercado está crescendo e quem sou eu para abraçá-lo sozinho? Mas é importante ter pessoas sérias e interessadas”, afirma.

Biopadaria. O casal Ricardo Corrêa e Valéria Rinaldi abriu a Wheat Organics há seis anos, na Vila Leopoldina. Desde a inauguração, o negócio só vende produtos saudáveis com ingredientes orgânicos, mas resolveu reforçar o conceito de biopadaria no ano passado. Ou seja, lá não se vende nada que faz mal para saúde, como cigarros e refrigerantes.

Para contornar o problema com mão de obra, o casal tem uma abordagem mais humanizada com os parceiros e colaboradores. “Isso não deveria ser um diferencial, mas nos destacamos nisso”, diz Corrêa. Atualmente, os sócios estudam o modelo de expansão do negócio: será por parcerias ou franquias. O objetivo é beneficiar mais pessoas com a alimentação saudável.

Fonte: Estadão

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