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terça-feira, 23 de junho de 2015

Controle biológico, artigo de Roberto Naime

É lícito recordar um velho axioma popular: há males que vem para bem. Não ocorre qualquer registro ou manifestação de satisfação com pragas agrícolas que, na medida que prejudicam a produção, são objeto de repulsa.

Mas nota do site do canal rural, acessado em 30/08/2014 intitulada Aplicação da vespinha Trichogramma por meio de aviões será testada no MT é digna de justificar as reflexões que se seguem.

A nota assinala que a lagarta helicoverpa já se disseminou por diferentes culturas no país, destacando e afirmando que a aplicação “de inseticidas não é eficaz no controle da praga”. Então pesquisas descobriram as possibilidades e a alternativa de execução de controles biológicos por intermédio da vespinha Trichogramma. A notícia conclui informando que a Embrapa está desenvolvendo uma tecnologia para que a vespinha seja aplicada por aviões em grandes áreas.

Mas então é necessário que as famosas “moléculas” constituintes de venenos se mostrem totalmente ineficazes para que se estimule e que se desenvolvam formas de controle biológico? Não devia ser assim. Tudo por interesses meramente econômicos. E não é com normatizações legais que inibam a utilização de agrotóxicos que a situação será resolvida. Será por consciência e necessidade de estabelecer condições naturais de pleno equilíbrio e harmonia.

E pode se prever que isto também ocorrerá por interesse econômico local do produtor. Por uma condição de saturação ambiental com as moléculas de venenos, que irá obrigar a uma nova postura que estimule uma mudança de paradigma na produção. Se poderia arguir que a vida não é só economia. Mais não. Que seja só por questões econômicas, as necessidades ambientais se imporão. Se não for mantido e incrementado o equilíbrio ambiental, não subsistirão as boas condições de obtenção de produção agrícola.

Quando se fala em formas adequadas e harmoniosas de produção, que preservem o equilíbrio ambiental, se está sempre querendo que não ocorram saturações impostas pelo desequilíbrio do uso de venenos, e que não se chegue a cataclismas ou à ruptura de situações cotidianas, para a adoção de mecanismos mais equilibrados que garantam a produção.

O argumento é que os venenos aplicados por cima das lavouras não atinge a parte inferior de horti-fruti-granjeiros. Pode ser verdade e deve ser verdade mesmo. Mas será que esta explicação ou argumento importa, diante do que se expõe? Está se demonstrando e arguindo que em certo momento, as condições naturais não mais apresentarão resiliência para absorver os desequilíbrios ambientais impostos.

A vespinha denominada “Trichogramma” é um inseto de tamanho muito reduzido, mas que ao colocar seus ovos dentro dos ovos da lagarta helicoverpa, determina que, ao se completar o ciclo dentro do ovo da lagarta, impeça a eclosão da helicoverpa. Este controle biológico, já era conhecido por muitos produtores rurais e aplicado em culturas pequenas. Agora a Embrapa está desenvolvendo uma tecnologia para “aplicar” a vespinha por meio de aviões, viabilizando a aplicação em grandes áreas.

Outras culturas que sofrem com o ataque de outras pragas, também vão ter suas especificidades pesquisadas e suas realidades solucionadas quando não houver mais possibilidades de soluções com as chamadas “moléculas” que constituem os venenos. Mas até lá a falta de infra-estrutura educacional no país e os interesses econômicos explícitos determinarão o diapasão de toque da banda. Já que a única motivação para as ações é econômica, então será por motivações financeiras geradas, pelos desequilíbrios e saturações provocadas pelas desarmonias ambientais.

Ninguém quer preservar o meio-ambiente apenas para fazer um museu a céu aberto. Se trata de viabilizar em condições de conformidade, as situações que sustentem a vida em plena condição de harmonia ecossistêmica. Estas reflexões fazem perceber que, se isto vai ocorrer em condição prévia de planejamento, com abordagem que garanta segurança alimentar também, ou ocorrerá em clima de ruptura pela saturação e desequilíbrio ambiental, infelizmente pouco importa. Mas acontecerá e ocorrerá em horizonte de vida que é difícil prever.

Merece registro elogioso a participação da Aprosoja de Mato Grosso na viabilização do empreendimento. Esta entidade tem histórico de pioneirismo e atuação consistente que deve ser respeitado e elogiado. Já na condição de integrante da comissão criadora do curso de engenharia ambiental da UNIVAG (Centro Universitário de Várzea Grande), houveram oportunidades de contribuir com a comissão de meio ambiente da entidade e se pode atestar a idoneidade e a liberdade de expressão sempre respeitada, em busca de condições de aprimoramento dos processos, de forma que não impactassem a nenhuma situação, e permitissem as melhores condições de produção.

E não é apenas esta entidade que deve ser louvada. Empreendedores inovadores que já entenderem as concepções aqui explicitadas, comemoram resultados satisfatórios. Em Piracicaba, ou mais exatamente em Charqueada em São Paulo, a empresa Bug Agentes Ambientais já produz comercialmente insetos e ácaros.

Investigação ao site da empresa permite registrar que a companhia americana “Fast Company” dispõe a empresa paulista em trigésimo terceiro lugar numa relação de iniciativas sobre inovação e empreendedorismo. Na época a empresa ficou em posição de destaque, acima de Petrobrás, Embraer e outras. O produto que respondia por metade do faturamento da empresa era a vespa Trichogramma. Ela é cultivada em ovos e, quando nasce, solta na lavoura. Ali vai parasitar outros ovos, de mariposas e borboletas, que são as principais pragas – quando em fase de lagarta – das grandes culturas brasileiras.

Se apenas interesses econômicos são capazes de estimular alterções de paradigmas, que seja assim. Mas não haveria nisso um perigo biológico? Será que o Brasil não vai acabar cheio dessas vespinhas? Bem, os argumentos dos de todos os profissionais envolvidos na pesquisa e aplicação de controle biológico são convincentes. O principal é de que a trichogramma, que sempre existiu na natureza, parasita apenas os ovos das pragas que ajuda a controlar. Logo, ela só poderia se reproduzir descontroladamente se a praga também se tornasse abundante. Acontece que a própria trichogramma evita isso, e os testes para comprovar a tese são feitos há mais de 30 anos nas universidades.

A questão toda, seja envolvendo agrotóxicos, seja envolvendo controles biológicos é buscar respeitar o meio natural e buscar permanentemente equilíbrio e condições de homeostase com os ecossistemas.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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