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terça-feira, 21 de julho de 2015

Derretimento de geleira atrai turistas ao Mont Blanc, na França

Os turistas que visitam o Mar de Gelo, no Mont Blanc, só precisam descer uma escadaria de 420 degraus para ver os efeitos do aquecimento global e confirmar o derretimento do maior glaciar da França.

Da estação de Montenvers, a 1.913 metros de altitude, primeiro é necessário um teleférico para descer ao nível onde a geleira estava em 1946. A partir desta data, a caverna do Mar de Gelo se abre a cada ano, uma atração com sons, luzes e esculturas de gelo que atrai 350 mil turistas anualmente.

“É um fenômeno novo. As pessoas vêm aqui para ver os efeitos do aquecimento”, revelou Jean-Marie Claret, que dirige o local desde 1971.

Na saída do teleférico, uma escada longa percorre todo o comprimento do rochedo de granito. No fim de alguns degraus, um sinal indica “nível da geleira em 1985″. Então é preciso fazer um esforço para perceber o gelo, a poucas centenas de metros mais abaixo, quase invisível sob a pilha de pedras cinzentas que aumenta a cada ano.

O contraste é surpreendente e é possível vê-lo nas fotos dos anos 1960, quando as ondas de gelo azul turquesa chegavam quase a lamber o pilar do teleférico.

Desde que o último pôster foi feito, em 2010, é preciso ainda descer 70 degraus até conseguir colocar os pés no gelo. “Houve uma época em que acrescentávamos entre 15 e 20 degraus por ano”, contou Jean-Marie Claret.

O gelo diminuiu 2 km desde 1850 – Maior glaciar do Mont Blanc com uma área de 32 km2, o Mar do Gelo diminuiu na parte da frente entre 4 e 5 metros por ano entre 2003 e 2012, de acordo com um estudo recente do Laboratório de Glaciologia de Grenoble (LGGE) do Laboratório de Estudos em Geofísica e Oceanografia Espaciais (LEGOS) de Toulouse.

O degelo começou realmente em 1983. Desde então, o mar do gelo viu diminuir sua massa a cada ano, salvo em raras exceções.

“O derretimento aumentou muito porque nos últimos 30 anos, as temperaturas do verão aumentaram 1,5°C” no Mont Blanc, explica Christian Vincent, um glaciologista do LGGE.

Em 2.200 metros de altitude, os fluxos de gelo foram reduzidos pela metade em 30 anos e a parte da frente da geleira ainda vai diminuir 1,2 km até 2040, tal como estimado pelo LGGE, com uma margem de erro de mais ou menos 200 metros.

“Não haverá mais glaciares na frente da estação de Montenvers”, inaugurada em 1909, prevê Christian Vincent.

Um projeto de teleféricos está sendo estudado para permitir aos visitantes subir além do glaciar, num local onde o gelo ainda deve durar por mais 30 anos.

Um grande centro de aprendizagem do clima e geleiras de 400 m² deverá ser inaugurado perto da estação de Montenvers para 2018-2019.

Fonte: G1

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