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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Descarbonização orienta nova geopolítica do desenvolvimento, diz Izabella

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta terça-feira que ainda não se definiu uma data para a divulgação da meta que o governo brasileiro vai apresentar à Conferência do Clima, a COP21, prevista para dezembro em Paris.  
A ministra não informou prazo, mas confirmou que prosseguem as consultas à sociedade, desde organizações ambientalistas e entidades ligadas às questões urbanas até “a Coalizão Brasil Clima, que conversou também no Ministério da Fazenda”, e vários outros stakeholders. “Estamos fazendo interlocuções com vários setores para entender e consolidar as informações dentro do governo. Vamos tomar a decisão e então ver como a presidente Dilma quer encaminhar essa decisão à sociedade.” Como parte desse diálogo, ela apresentou o andamento das negociações – tanto locais quanto internacionais – em reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Izabella informou também que a visita oficial da chanceler alemã Angela Merkel ao Brasil, dias 19 e 20 de agosto, é uma das etapas a ser cumprida antes da divulgação da INDC brasileira – a sigla em inglês para a “Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada”. A vinda da poderosa governante alemã, segundo ela, integra a série de consultas bilaterais que já produziram compromissos diplomáticos com a China e os Estados Unidos, em torno dos esforços comuns para a descarbonização das economias nacionais visando a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.

Em palestra aos empresários, a ministra afirmou que, junto com alemães e americanos, os anfitriões franceses “estão muito dedicados em construir uma solução” para o financiamento da implementação das decisões da Conferência de dezembro. Tendo participado de uma reunião de ministros do Meio Ambiente em Paris há duas semanas, a ministra que é veterana em participação nas COPs se disse impressionada com o esforço realizado desta vez para buscar um acordo consistente e factível, envolvendo a grande maioria dos países signatários da Convenção do Clima em reuniões de caráter político. “Estamos discutindo a geopolítica do desenvolvimento” – definiu. “A agenda do clima está olhando os interesses, discutindo como os países vão ficar mais ou menos competitivos, como mantêm os ganhos na erradicação de pobreza, quais os impactos da produção de alimentos, os impactos da geração de energia. Todos estão querendo assegurar sua agenda de desenvolvimento de modo compatível com a descarbonização da economia.”

Izabella contou também que, diferentemente de outras COPs, a diplomacia francesa está sinalizando que a reunião dos chefes de Estado e de governo poderá ser no primeiro dia da Conferência, atribuindo maior peso político às negociações que prosseguirão nos dias seguintes. “O Brasil deverá realizar em Paris um evento associado a florestas, à agricultura de baixo carbono”, explicou a ministra, ao convidar os empresários a avaliar a participação em eventos que entidades empresariais do mundo todo preparam em paralelo à Conferência.

Apesar do otimismo manifestado pela ministra, o presidente do Conselho do Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini, disse à Envolverde que ainda preocupa a “lentidão das decisões e a inação dos governos” diante do avanço das mudanças climáticas. “O que se tem feito é insuficiente face à gravidade do assunto; é evidente que nós reconhecemos as dificuldades dessas negociações, mas o que está em jogo agora é a qualidade de vida para toda a Humanidade.”

Fonte: Envolverde

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