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terça-feira, 31 de maio de 2016

Macacos têm papel fundamental para a dispersão de sementes

Extinção dos primatas pode levar a alterações na Mata Atlântica

Estudante do curso de Ciências Biológicas do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Felipe Soares Bufalo, fez uma revisão crítica sobre um assunto pouco estudados pelos pesquisadores: a dispersão de sementes por primatas na Mata Atlântica e seu papel na restauração florestal. Artigo foi publicado na revista International Journal of Primatology.

Principal autor do artigo, Bufalo explica que os primatas possuem um papel fundamental na dispersão de sementes, particularmente em florestas tropicais. No entanto, em razão dos fatores como constante fragmentação e defaunação, diversas espécies de primatas vêm sendo localmente extintas. “Neste cenário, reforça-se a importância de que este importante grupo seja compreendido quanto à sua efetiva dispersão de sementes”, diz.

No artigo, os pesquisadores apresentam uma sistemática revisão acerca de estudos de dispersão de sementes por primatas em um hotspot (Região biogeográfica com altas taxas de endemismo e ameaçada) de biodiversidade, a Mata Atlântica. A intenção é ressaltar lacunas no conhecimento atual; determinar a riqueza e a proporção de espécies de sementes dispersas; testar a relação entre tamanho corporal e o tamanho das espécies de sementes dispersas.

A revisão encontrou 79 estudos abordando a dieta de seis eco-espécies – Callithrix (saguis), Leontopithecus (micos-leões), Callicebus – (sauás), Sapajus (macacos-prego), Alouatta (bugios), Brachyteles (muriquis) -, entre os quais, apenas 20 abordam dispersão de sementes, nenhum deles sobre Callithrix ou Callicebus.

A distribuição de espécies e áreas de estudos mostra-se desequilibrada, sendo que a maioria dos estudos está concentrada na região sudeste do Brasil. Todas as eco-espécies dispersaram uma grande proporção das espécies de sementes manipuladas (72.1, 93.6%). Brachyteles foram responsáveis pela dispersão da maior diversidade de plantas (N=73), seguidos por Sapajus (N=66), Leontopithecus (N=49), e Alouatta (N=26).

Os autores concluem que, apesar de não ter sido encontrada uma relação significativa entre tamanho corporal dos primatas e o tamanho das sementes dispersas, Brachyteles dispersaram uma maior diversidade de espécies de sementes grandes do que primatas menores.

“Os resultados sugerem que a extinção local de grandes espécies pode levar a muitas alterações na comunidade vegetal, uma vez que várias espécies vegetais com grandes sementes podem ser inacessíveis a fugívoros arborícolas menores”, diz o artigo.

Pesquisas futuras

São ainda propostas no estudo orientações para futuros estudos acerca da dispersão de sementes por primatas com o intuito de possibilitar a avaliação da efetividade da dispersão de sementes e aprimorar o entendimento do fundamental papel de primatas neste processo ecossistêmico.

Segundo o pesquisador, por meio da realização desta revisão é possível constatar que estudos acerca da dispersão de sementes por primatas atualmente são escassos e mal distribuídos pela Mata Atlântica, com a maioria encontrada na região sudeste do Brasil. Ainda, Estados como Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná permanecem não estudados quanto a este processo ecossistêmico. “Chama a atenção o fato de 58% das espécies de primatas encontradas no bioma permanecerem desconhecidas quanto à dispersão de sementes”, comenta Bufalo.

Foram registradas 64 famílias vegetais dispersas: 50% das espécies vegetais dispersas correspondem a apenas 10 famílias, o que pode indicar que os primatas representem uma importância fundamental para sua reprodução. Dentre as famílias vegetais com maior número de espécies dispersas encontram-se Myrtaceae (24), Fabaceae (16) e Moraceae (14).

Também foram registradas 647 espécies vegetais consumidas por primatas na Mata Atlântica. Por meio dos índices de dispersão obtidos, pode-se observar que uma média de 84.5% das espécies de sementes manipuladas pelas eco-espécies de primatas tendem a ser dispersas. Se extrapolado este valor, poderia ser esperada a dispersão de 547 das 647 espécies vegetais registradas em estudos de dieta. Entretanto, foi registrada a dispersão de apenas 234 espécies vegetais, o que corresponde a apenas 36.2% do total das espécies consumidas na Mata Atlântica, onde 75.4% (N=1728) são dispersas por animais (Almeida-Neto et al.  2008).

De acordo com os dados obtidos, todas as eco-espécies de primatas interagem com todas as classes de tamanho de sementes, de forma que não foi encontrada relação significativa entre tamanho do primata e o tamanho da semente dispersa. No entanto, primatas de maior tamanho corpóreo dispersam sementes grandes com uma maior frequência, reforçando a importância de Brachyteles e Alouatta para a regeneração de fragmentos florestais.

“Chama também a atenção, apesar do pequeno tamanho corporal, a capacidade de Leontopithecus de dispersar sementes grandes, mesmo que em baixas frequências. A dispersão de sementes grandes por Leontopithecus e Sapajus reforça a importância destes primatas para a regeneração de florestas uma vez que, devido ao menor tamanho corporal, requerem menores fragmentos para sobreviver. Sementes grandes tendem a pertencer a formações florestais maduras, frequentemente correspondendo a árvores de grande porte e com grande capacidade de sequestro de carbono”, aponta Bufalo.

“Baseados na importância que primatas representam para a conservação e regeneração de florestas tropicais e nas altas taxas com que estes ecossistemas vêm sendo comprometidos, é de extrema importância que estudos futuros incorporem informações quantitativas e qualitativas acerca dos componentes relacionados à efetividade da dispersão de sementes, possibilitando um entendimento mais consistente a respeito do papel de primatas em processos ecossistêmicos”, conclui o estudante do IB.

O artigo é assinado ainda pela orientadora da pesquisa, Laurence Culot, do Departamento de Zoologia do IB, e por Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da mesma instituição. Acesse o artigo: http://link.springer.com/article/10.1007/s10764-016-9903-3

Fonte: EcoDebate

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