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sexta-feira, 3 de março de 2017

Previsão climática do MCTIC estima que seca no semiárido nordestino deve se agravar até maio

Período considerado chuvoso terá precipitações abaixo da média histórica do extremo norte da Bahia até o leste do Piauí, piorando níveis dos reservatórios de água da região. Além de comprometer o abastecimento de água para a população, estiagem prejudica a atividade econômica do semiárido. Previsão também indica cheia em rios da Amazônia.


Com chuvas abaixo da média histórica, a seca no semiárido deve se agravar até maio. A informação é do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Segundo documento divulgado nesta quarta-feira (1º), do extremo norte da Bahia até o leste do Piauí, passando pelos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, a previsão é de poucas chuvas entre março e maio. A situação é ainda mais preocupante porque este é o trimestre mais chuvoso na região semiárida.

“A situação é muito complicada. Os níveis dos reservatórios já estão muito baixos, e muitos estão com menos de 5% do volume total. Se chover como deveria, dentro da média histórica, já seria um problema grave, especialmente nas cidades grandes. Mas a situação meteorológica atual não indica que haverá melhora nos próximos meses”, afirma o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo.

De acordo com os cálculos do grupo de previsão climática, seriam necessárias precipitações pelo menos 30% acima da normal climatológica para melhorar a situação dos reservatórios. Além do consumo humano, a agricultura e a pecuária da região também ficarão comprometidas pela escassez de água.

“Isso gera um impacto grande na atividade econômica do semiárido. Criadores de animais e produtores rurais estão tendo muitas dificuldades para produzir sem água, e isso vai piorando com o passar do tempo e da falta de chuvas”, acrescenta Marengo.

Cheias

Na região Norte, por outro lado, a previsão é de muita chuva no próximo trimestre, com possibilidade de cheia nos principais rios da região amazônica. Três deles – Negro, Tapajós e Amazonas – já estão com os níveis próximos às máximas históricas. Segundo a previsão climática do MCTIC, o volume de água deve continuar “em acentuada elevação”.

O quadro representa uma grande mudança climática na região, especialmente no Acre, que enfrentou uma intensa estiagem até o final de 2016. “O Acre tem sido o estado-chave na questão de extremos. É o estado que tem reação mais rápida às condições climáticas. O quadro se reverteu completamente em poucos meses”, destaca José Marengo.

Participam do grupo de previsão climática do MCTIC especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além do Cemaden.

Fonte: EcoDebate

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