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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Práticas Funerárias na Era Vitoriana

Grandioso não é uma palavra suficientemente forte para descrever o modo como era conduzido um funeral vitoriano. A sociedade moderna se desligou completamente daquela pompa. Parte disso se justifica pelo fato de que a maioria das pessoas tem aversão por discutir a morte, cemitérios e cadáveres, quando, de fato, funerais e lutos sejam acontecimentos comuns e quase cotidianos. As cremações têm se tornado cada vez mais comuns devido à falta de espaço. Contudo, durante a Era Vitoriana (caracterizada como o período de reinado da Rainha Vitória sobre a Grã-Bretanha e Irlanda entre 1837 e 1901), não se poupavam despesas para um funeral adequado.

Muitas pessoas das classes baixas planejavam e poupavam dinheiro para o funeral dos filhos, porque a taxa de mortalidade era elevadíssima. Queriam assegurar que, se suas crianças não sobrevivessem, ainda assim poderiam ter um grande funeral. Ao poupar o dinheiro para estes funerais, normalmente as famílias eram privadas de muitas coisas para o seu conforto.

O cortejo fúnebre vitoriano era uma visão extraordinária. Era conduzida por várias pessoas a pé: carregadores de caixões, carruagens e pagens que se vestiam a caráter e carregavam varas. Por permanecerem muito tempo no frio, eles recebiam altas doses de gim, o que não raras vezes terminava numa conduta desordeira. Como você pode imaginar, isso desagradava profundamente a família do morto, que havia contratado o serviço para uma conduta solene.

A primeira figura no cortejo era a carruagem. Era preta, com laterais de vidro, e recebia decoração em ouro e prata. Grandes penas negras recobriam o carro. Lá dentro ficava o caixão. Era brilhante e polido, com alças em metal fino. Às vezes era coberto com tecido preto, púrpura ou verde, preso ao caixão com pregos de bronze ou prata. A carruagem era preenchida com flores. Seis cavalos negros puxavam o carro e também levavam montes de penas negras sobre suas cabeças.

O restante dos carros seguia atrás da carruagem. Os homens vestiam seus trajes de luto, com fitas brocadas ao redor das cartolas. As mulheres trajavam vestidos negros de crepe, com véus e luvas negras. Traziam lenços negros junto ao rosto. Os leques de luto eram feitos de penas negras de avestruz com cabos de casco de tartaruga. Jóias de hematita, então eram usadas.

O cortejo seguia desde a casa do falecido, atravessando várias ruas, até o cemitério. Às vezes um desvio era feito para as áreas mais importantes da cidade, visando exposição máxima. Assim que o cortejo saía da cidade, todos os que estavam a pé embarcavam nos coches e seguia-se a ritmo de trote. Às portas do cemitério, os que estavam a pé desciam novamente e o cortejo reiniciava no cemitério.

O cortejo parava na capela, no centro do cemitério. Os enlutados permaceniam numa postura digna e calma ao entrar. O caixão era carregado até um suporte. No final do serviço fúnebre, o caixão era abaixado através do solo até catacumbas, ou a cerimônia terminava do lado de fora do local de sepultamento. Se a cerimônia terminasse no local de sepultamento, as mulheres se retiravam e apenas os homens permanciam durante o enterro em si.

Um banquete era oferecido na casa do falecido; às vezes após o funeral, mas também antes, com o corpo ainda presente. Presunto, cidra, cerveja, tortas e bolos era servidos. Não só os parentes próximos, mas também os distantes estariam presentes. Enviavam-se cartões para amigos, sócios e conhecidos para convidá-los ao funeral.

Cartões de pêsames eram outra tradicão, providos pelo agente funerário. Eram impressos em preto e prata sobre branco e adornados com os símbolos tradicionais do luto, como a tocha invertida, o salso chorão, uma urna em um altar ou carpideiras ajoelhadas. Estes cartões se transformavam em um ornamento memorial. Eles eram concebidos como lembranças do morto, pois o recipiente estaria pronto para receber preces pela alma do falecido. O cartão continha o nome e idade do morto, assim como a data e olocal do enterro.

Muitos cemitérios britânicos do século XIX foram inspirados pelo famoso Pere-la-Chaise de Paris. Até então só se viam cemitérios pequenos, ao redor de igrejas. A população estava crescendo e estes cemitérios se tornaram tão pequenos que corpos parcialmente decompostos eram desenterrados para abrir espaço para os novos. Era comum visitar cemitérios e ver corpos sendo desenterrados. Os vitorianos queriam cemitérios novos e grandes fora das cidades, para prover um lugar mais digno e higiênico para os mortos. Esses cemitérios foram concebidos para serem lugares belos, onde os visitantes poderiam passar as tardes em caminhadas ou à sombra de suas árvores.

Havia uma bela variedade de monumentos funerários nos cemitérios vitorianos. Urnas tradicionais, colunas quebradas, bustos do falecidos e anjos poderiam ser encontrados ao lado de obeliscos em estilo egípcios e pirâmides. Puras e clássicas lápides ao lado de fantasias góticas. As catacumbas eram construídas abaixo das capelas, enquanto grandes mausoléus familiares se erguiam acima deles. Os pobres, contudo, ficavam restritos às tumbas comuns.

Após o sepultamento, o período de luto dependia das relações que a pessoa tinha com o morto. O luto por um cônjuge, pai ou filho durava 12 meses. Para avós, irmãos ou irmãs, seis meses eram suficientes e para tios e tias, apenas dois meses. Durante esse período a viúva deveria vestir-se completamente em crepe preto por um ano interior, e na maioria dos casos, os parentes vestiam-se de preto por aproximadamente 2/3 do luto. Após isso, a seda negra era permitida em lugar do crepe como uma lembrança do luto. O traje preto é comumente associado com o medo do retorno dos mortos. Quando cobertos de preto, pensava-se que os vivos eram invisíveis aos mortos.

Os vitorianos foram a última sociedade a verdadeiramente celebrar a morte, como fizeram os egípcios e outras culturas antes deles. Muitos cemitérios vitorianos tem sido destruídos para dar lugar a estacionamentos ou casas. Os monumentos funerários já não são tão grandes e ornamentados como antes. Um número significativo de pessoas hoje tem pouco ou nenhum contato com o cadáver devido ao crescimento das cremações. Infelizmente, ao tentar diminuir o papel da morte na nossa sociedade, damos menos valor à vida.

Fonte: Spectrum Gothic

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