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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Slow Food: ‘Não reconhecer a importância da relação entre alimento e clima é uma falha grave’

Dentro de poucos dias, os governos do mundo inteiro se reunirão em Paris para falar sobre mudanças climáticas. Depois de mais de 20 anos de debates, negociações e fóruns fracassados, a conferência de Paris (COP 21) tentará concluir, pela primeira vez, um acordo vinculante e universal.


Nas 54 páginas do texto das negociações (http://unfccc.int/resource/docs/2015/adp2/eng/11infnot.pdf), porém, o termo “agricultura” está totalmente ausente, embora o tema da segurança alimentar seja mencionado muitas vezes. Uma lacuna gravíssima, segundo o Slow Food.

A ausência dessa palavra significa relegar às margens do debate uma questão que, ao contrário, é fundamental: a relação entre alimentos e clima. Dependendo do sistema de referência, a agricultura, a pecuária e a produção de alimentos podem representar várias coisas: de um lado, uma das principais causas das mudanças climáticas; de outro, uma das vítimas; de outro ainda, uma das soluções possíveis. O fato da atenção estar voltada para os segmentos de energia, indústria pesada e transportes significa não reconhecer o papel-chave da agricultura. 

Por isso, o Slow Food lança aos representantes dos países e das instituições internacionais reunidos em Paris, o apelo “Deixemos de carcomer o clima”, para que a agricultura seja posta no centro do debate.

Este apelo nasceu da necessidade de ressaltar o fato de que somente através de uma mudança radical de paradigma no atual sistema de produção, processamento, distribuição, consumo e eliminação dos alimentos, será possível mitigar as mudanças climáticas. 

Ao mesmo tempo, à luz dos ataques terroristas em Paris e com a decisão das autoridades de segurança pública para cancelar a Marcha pelas Mudanças Climáticas prevista para 29 de novembro, o Slow Food, com o respaldo do Presidente Internacional Carlo Petrini, apóia o pedido da sociedade civilpara não ceder ao medo e expressar com a mobilização de pessoas nas ruas a necessidade de lutar contra a injustiça, a pobreza, a desigualdade e o desastre ecológico causados também pelas consequências das alterações climáticas objeto de discussão na Cop21.

É cada vez mais urgente restituir o valor do alimento, reduzindo o desperdício, promovendo práticas agroecológicas, favorecendo as cadeias curtas de produção.

Se, ao contrário, continuar prevalecendo o modelo agroalimentar industrial moderno – baseado no uso crescente de derivados do petróleo, produção de grande escala e exploração indiscriminada de recursos naturais – não só não será possível inverter a tendência, mas a influência sobre a temperatura média, que segundo o Quinto Relatório do IPCC já registrou um aumento de 0,85°C nos últimos cem anos, será cada vez mais negativa.

O modelo agroalimentar industrial moderno fundamenta-se na ideia de crescimento infinito, mas os recursos do nosso planeta são finitos. Harmonizar essa consciência com os números da população mundial, que devem chegar a 9 bilhões até 2050, é um dos desafios mais importantes que temos pela frente. Por isso, através do apelo que o Slow Food convida todos a assinar, pedimos que os países e as instituições reunidas em Paris promovam políticas internacionais eficazes, visando mudar radicalmente o atual sistema alimentar.



Fonte: EcoDebate

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