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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Comunidade europeia e os lobbies do xisto, artigo de Roberto Naime

Notícia divulgada no site Carta Maior, manifesta que a Europa está sendo influenciada por ações de grupos de interesse favoráveis à extração de gás proveniente de xisto. Inicialmente uma informação. Xisto é a denominação científica de um tipo de rocha metamórfica. No caso se trata da extração de gás produzido por um tipo de rocha sedimentar denominada folhelho betuminoso.


Similar ao que a Petrobrás processa na unidade de São Mateus do Sul no Paraná, utilizando uma tecnologia denominada leito fluidizado para beneficiamento da rocha. Mas na Europa, o interesse parece ser a extração exclusivamente do gás “in situ”. Nota informa que praticamente todos os especialistas convocados para consultas pela Comissão Europeia, para reunir informações sobre a exploração de gás de xisto são ligados à indústria do gás. Até este ponto, nada de anormal.

Quando ocorre extração de gás ou óleo em profundidade dos interstícios das rochas sedimentares que são hospedeiras, não fica espaço nenhum vazio em profundidade. As rochas originalmente são sustentadas pelas justaposições de seus grãos de arcabouço. Mas o mecanismo de extração do fluido, seja gás ou óleo, é a injeção de outro fluido, rico em água e em geral de maior densidade, para propiciar a expulsão e coleta deste óleo ou gás em poços tubulares especialmente planejados com esta finalidade.

Esta injeção de fluido nas rochas sedimentares do tipo psamíticas, tem gerado uma movimentação similar a um movimento de terremoto, desta vez induzido por ação antrópica, os chamados “frackings” ou fissuramentos hidráulicos que são gerados em rochas.

Utilização de “fracking” acaba por liberar gás e petróleo que se encontram armazenados em rochas sedimentares psamíticas, injetando uma combinação de água, químicos e areia na rocha. O subproduto tóxico do fracking depois de injetado no solo, são os poços descartáveis preenchidos pelas substâncias, que acabam gerando fraturamento hidráulico que acabam causando tremores ditos induzidos, porque não são causados pela geodinâmica do “sea floor spreading”.

Matéria traduzida por Clarisse Meireles assinala que apesar de mobilizar a oposição da maior parte dos cidadãos europeus, a Comissão Europeia avança na direção oposta em relação ao gás de xisto. Após isentar esta atividade de estudos de impacto ambiental específicos, ela cria agora uma “rede” de especialistas majoritariamente influenciada pela indústria produtora de gás, e pelos governos favoráveis ao gás de xisto.

Na comunidade europeia, existe uma denominada “Rede científica e tecnológica europeia sobre extração dos hidrocarbonetos não convencionais” cuja denominação oficial é “European Science and Technology Network on Unconventional Hydrocarbon Extraction”. Este grupo tem como finalidade específica a coleta de informações sobre o histórico do gás de xisto na Europa e avaliação das tecnologias utilizadas para sua extração e utilização. Estes especialistas estarão encarregados de estudar os métodos de fraturamento hidráulico e suas eventuais alternativas que por enquanto ainda inexistem ou são desconhecidas.

A Comissão Europeia é alvo de críticas por criar grupos de especialistas dominados por interesses industriais. Isto já aconteceu em relação a transgênicos, perturbadores endócrinos, regulação das finanças, ou critérios de poluição do ar, entre outros temas. As críticas não a impedem que hoje sejam empregados métodos análogos para avaliação da extração e utilização de gás de xisto a partir do fraturamento hidráulica dos terrenos, chamado “fracking” e que comprovadamente é responsável pela indução sismológica de natureza antrópica nos Estados Unidos.

Isto mostra que a questão nem é ser contra ou a favor da metodologia empregada para extração e aproveitamento do bem mineral natural. A questão é que sempre que entram em debates poderosos ou nem tanto, interesses econômicos, as discussões ficam comprometidas por interesses dissimulados ou nem tão escondidos assim.

A civilização humana parece não conseguir conciliar lucidez e bom senso. Ninguém é contra qualquer atividade apenas porque propicia retorno econômico. Assim como não se deve ser favorável apenas por isso. E da mesma forma o contrário. Não se deve ser contra transgenia ou extração de gás de folhelhos betuminosos apenas por preconceitos.

Ainda vai chegar a maturidade da civilização humana, quando autopoieses sistêmicas não mais serão definidas apenas por interesses econômicos ou mobilização e precauções ou prevenções cautelares. Se vai poder avaliar as situações, sem o viés ideológico, os interesses econômicos dominantes, ou preconceituação que atenda a algum tipo de interesse.

Não é uma projeção ingênua de boas intenções. Ou a civilização humana avança e atinge este paradigma, ou próprio futuro da humanidade estará extremamente comprometido por qualquer dos elementos já explicitados e citados. A evolução humana até o momento nunca foi comprometida em sua continuidade por ideologias, preconceitos e interesses econômicos.

Já se registraram episódios terríveis como o nazismo ou o holocausto de judeus, mas a civilização sempre renasceu com melhores práticas, instituições mais representativas e perspectivas realistas, mas tingidas por cores de maior exuberância e magnificência.



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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