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terça-feira, 21 de junho de 2016

Inovações Sustentáveis, artigo de Roberto Naime

Ricardo Abramovay assevera que precisamos de inovações sustentáveis.


Crítico do alarmismo, o professor Ricardo Abramovay defende divulgação de boas práticas ambientais para sensibilizar população. Em entrevista a Renato Grandelle afirma que “em qualquer setor, as empresas precisam conversar cada vez mais com os cientistas e ser sensíveis às mudanças das preferências dos consumidores”

Parece impossível discutir o futuro do planeta sem cair no pessimismo. As mudanças climáticas são tão flagrantes que teriam provocado o início de um novo período geológico.
A indústria ainda não consegue adaptar toda a sua cadeia de produção a práticas sustentáveis. O economista Ricardo Abramovay, da Universidade de São Paulo (USP) prefere não olhar para o abismo.

Existem estudos mostrando que até 80% do noticiário relacionado às mudanças climáticas é alarmista. Não é culpa dos meios de comunicação porque, quando alguém abre o jornal, as catástrofes chamam mais atenção. Então, é natural que ganhem mais ênfase.

É importante ressaltar que as ameaças não são inventadas. De fato vivemos uma situação preocupante. No entanto, acredito que, se quisermos sensibilizar a população, é importante expor exemplos e conquistas que permitam dizer que, apesar dos problemas, há condições de organizar a vida.

Indagado sobre quais são as consequências da comunicação baseada em catástrofes, arguiu, “se as pessoas têm a expectativa de que a vida vai piorar, elas acreditam que é melhor aproveitar enquanto há tempo. Você sabe o que está acontecendo, mas nada faz a respeito, porque não haverá um prejuízo imediato. Acredito que, se os gases de efeito estufa tivessem cor, nunca chegaríamos a esta situação. As pessoas se revoltariam contra a poluição. Infelizmente a destruição do sistema climático não é visível”.

Indagado porque tantos relatórios científicos também adotam um tom alarmista, mas ainda não convenceram os governos a estabelecer um acordo global assevera “a capacidade de comunicação da ciência é muito pequena. Aliás, ela parece avessa à comunicação. O discurso é hermético. Os relatórios são difíceis de compreender”.

Perguntado sobre onde os ambientalistas erram em seu discurso, manifesta que “um exemplo é o setor de transportes, hoje baseado em carros particulares, movidos a combustíveis fósseis. O discurso ambientalista convencional é “você não pode ter o automóvel que tanto almeja, porque ele é poluente”. Isso induz a uma reação, “como assim? Agora que eu quero (e posso), você me vem com esta história?”. O ideal é dizer: “Este carro não vai trazer o bem-estar que você quer”. Enquanto isso, devemos investir seriamente no transporte coletivo”.

Provocado a se manifestar sobre o setor energético, onde também há exagero quando se fala sobre a possibilidade de racionamentos no futuro, argumentou “nos Estados Unidos, alguns anos atrás, achava-se que seria necessário reduzir o uso de equipamentos elétricos e eletrônicos que são indispensáveis. O uso de tecnologias como a energia solar por um preço cada vez mais barato muda completamente este negócio. Mostra que a redução das emissões derivadas do consumo de energia não se traduz em mal-estar para as pessoas. Temos técnicas para assegurar que as mudanças exigidas à sociedade pelo aquecimento global sejam menos traumáticas do que pensávamos recentemente”.

Perguntado se acreditava que a crise hídrica tivesse sido uma lição para a sociedade sobre a fragilidade do fornecimento de energia, aduziu “a ocorrência dos eventos climáticos extremos coloca a sociedade em um clima de incerteza totalmente inédito. Não podemos dizer que fenômenos como este ocorrerão, por exemplo, a cada dez anos. Não há uma frequência correta. Falta uma campanha para mostrar à população que economizar energia continua sendo muito importante, mesmo com os avanços tecnológicos”.

O senhor também inclui o setor alimentício no rol daqueles que mais demandam mudanças radicais no relacionamento entre clima, empresas e consumidores. Manifestou convicto que “a indústria alimentícia é altamente dependente de insumos químicos.

Ao mesmo tempo, a explosão da epidemia de obesidade está fazendo com que as grandes empresas do setor agro-alimentar revejam os seus modelos de negócio.

Então, a forma de vender alimentos é cada vez mais contestada, tanto por organismos médicos como também pela opinião pública. Em qualquer setor, as empresas precisam conversar cada vez mais com os cientistas e ser sensíveis às mudanças das preferências dos consumidores. Do contrário, elas perdem sua legitimidade social, o que afeta seus lucros”.

Inquirido se as empresas estão preparadas para este diálogo, desenvolveu manifestações de que “ainda não. As empresas do século XXI são aquelas que conseguirão se organizar diante da preferência dos clientes, da rede de fornecedores, de políticas públicas e da concorrência. Elas sofrem pressões e devem reagir a elas. Já não investem mais em pesquisas que negam as mudanças climáticas, como faziam aquelas que exploram combustíveis fósseis”.

Em continuidade na entrevista, diante da questão que o senhor já escreveu artigos sobre o Antropoceno, um novo período geológico, o primeiro provocado pelo homem. Como nossa intervenção sobre o planeta tornou-se tão importante?

Respondeu que “cerca de 10 mil anos atrás, na Revolução Neolítica, o homem tornou-se uma força biológica, porque alterou ecossistemas com o surgimento da agricultura. Desde então, a temperatura do planeta não sofreu grandes alterações, oscilava cerca de 1 grau Celsius. Isso mudou a partir da Revolução Industrial, no fim do século XVIII, quando começamos a usar combustíveis fósseis.

O ser humano, em vez de força biológica, converteu-se em uma força geológica. Em tão pouco tempo, a temperatura já aumentou 0,8 grau Celsius. Além disso, vivemos uma explosão populacional. Durante o século XX, passamos de 1,6 bilhão para 6,1 bilhões de pessoas. Pela primeira vez, causamos a chegada de um novo período geológico. Este é o Antropoceno”.

Finalizando, diante do questionamento sobre o que pode ser feito a partir de agora, conclui “o Antropoceno não significa o fim do mundo. A questão é: como transformar o limão em limonada? Levando em consideração as transformações que provocamos sobre a Terra, o que significa uma vida digna? Precisamos aumentar a cooperação das pessoas, mudar a relação com o mundo natural.

Isso deve ser apoiado em revoluções tecnológicas. Precisamos de inovações sustentáveis, porque já é certo que as temperaturas globais aumentarão de 3 a 6 graus Celsius até o fim do século. O sistema produtivo precisa ser modificado”.

Aqui isto frequentemente tem sido denominado nova autopoiese sistêmica, na interpretação livre da semântica das acepções de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, para um novo arranjo civilizatório.

Nada foi mais nefasto na civilização humana do que as hecatombes ambientais produzidas pela falta de liberdade e práticas ambientalmente condenáveis geradas pela auto-suficiência de ditadores socialistas.

Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.

Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica. Nada foi mais deletério em causar a maior catástrofe ambiental do planeta do que a falta de liberdade e imprensa livre dos ditos regimes socialistas.

Mas esta é a concepção resultante de convicções muito pessoais e personalizadas.

Referência:


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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