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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Governo de Santa Catarina libera duas áreas de cultivo de moluscos

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca liberou no fim da tarde desta quarta-feira a extração e venda de ostras, mariscos, berbigões e vieiras em duas das 23 áreas de produção no litoral catarinense.
Após quatro semanas de interdição, os maricultores da Enseada do Brito e da Barra do Aririú, ambas em Palhoça, já podem voltar a comercializar os moluscos. Nas outras 21 áreas produtoras do Estado, continua a proibição. A expectativa é de que novas liberações aconteçam nos próximos dias.

A interdição é por causa da presença em grande número da alga Dinophysis. Como os moluscos são seres filtradores, eles acabam por produzir uma toxina diarreica, que pode causar intoxicação alimentar horas após o consumo. De acordo com o secretário-adjunto da Agricultura e Pesca, Airton Spies, a tendência é que as liberações ocorram em áreas do litoral no sentido sul-norte. Dessa forma, portanto, é provável que áreas próximas do Paraná demorem mais tempo para voltar a vender os frutos do mar.

— Estamos fazendo o possível para que o tempo de interdição seja o mínimo necessário. Mas é bom lembrar que o maricultor não perde a ostra ou marisco. Assim que diluir a presença da alga, ele pode voltar a coletar os moluscos — afirma Spies.

Esta é quarta interdição na produção dos moluscos no litoral catarinense nos últimos 10 anos. As outras ocorreram em 2007, 2008 e 2014. Mas nenhuma delas durou tanto tempo e causou tantos prejuízos. Segundo o presidente da Federação das Empresas de Aquicultura de Santa Catarina (Feaq), as perdas alcançam chegam a R$ 6 milhões.

Reuniões no Centro Administrativo

A tarde foi de reuniões para discutir o assunto no Centro Administrativo. Na primeira delas, técnicos da Cidasc e oceanógrafos da laboratório Lacqua, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), recomendaram a liberação das duas áreas em Palhoça. Logo em seguida, o secretário-adjunto Spies recebeu representantes do setor, que pediam a liberação da produção de ostras em mais lugares.

— Saímos muito preocupados com o futuro do setor e desgostosos com essa decisão do governo — afirma Brognoli, que produz ostras há 16 anos na Fazenda Atlântico Sul, no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis.

O governo contesta os questionamentos dos produtores e afirma que as liberações ocorrem após testes com animais em laboratório. Camundongos de são alimentados com mariscos das diferentes áreas produtoras. Quando dois de três ratos morrem, o cultivo é interditado. Para a liberação, são necessárias duas análises positivas consecutivas. As amostras são coletadas quinzenalmente.

— A interdição é importante para proteger a saúde do consumidor e do próprio maricultor. Precisamos manter a reputação de que a maricultura de Santa Catarina é segura. Os consumidores podem estar certos que o produto vai estar muito saudável — diz Spies.

O secretário-adjunto disse ainda que o governo criou um grupo de trabalho para analisar futuras compensações financeiras aos produtores em caso de novas interdições. Umas das opções é uma espécie de seguro-defeso, pago a pescadores nas épocas de reprodução dos peixes. 

Restaurantes optam por pratos diferentes

Enquanto o consumo não é liberado por completo no Estado, os restaurantes especializados em frutos do mar sofrem as consequências. Proprietário do Ostradamus, no Ribeirão da Ilha, Jaime Barcelos conta que houve uma pequena queda no movimento na primeira semana de interdição, mas se estabilizou.

— Tivemos que usar a criatividade para driblar o momento, que já era de crise. Notamos que a maioria das pessoas que ia ao restaurante estava desinformada. Com isso, passamos a oferecer principalmente camarão, lula e polvo — conta Barcelos.

O empresário relata que a preocupação maior é com o futuro, já que leva tempo até as pessoas se conscientizarem de que o produto é seguro. A opinião é a mesma do produtor Fábio Brognoli:

— Quando retomar a venda, vai ter problema até voltar ao pico do consumo. Não é só o que deixou de vender. É todo mal que que está fazendo à imagem do produto — diz Brognoli.

Entenda o problema

A proibição da extração, venda  e consumo dos moluscos em todo o litoral catarinense foi determinada em 26 de maio. A explicação é a presença em grande número da alga Dinophysis, que pode causar intoxicação alimentar. Segundo o oceanógrafo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Leonardo Rörig, houve um desequilíbrio do ecossistema marinho.

Ele explica que a água do litoral catarinense está carregada de muitos nutrientes, como fósforo e nitrogênio, vindos tanto da Bacia do Rio da Prata quanto da Lagoa dos Patos. Isso facilita a proliferação de algas nocivas, fenômeno popularmente conhecido como maré vermelha (embora nem sempre haja mudança na coloração da água). Aliado a isso, as correntes marítimas estavam fracas e a água circulou pouco nas baías litorâneas, dificultando a dissipação dos microrganismos.

Dessa forma, os moluscos acabaram filtrando as algas e produzindo uma toxina que pode causar diarreia, náusea e vômito em caso de consumo humano. Rörig acredita que o fenômeno desse ano pode ter sido causado por questões meteorológicas.

— No ano passado, mal tivemos inverno por causa do El Niño, enquanto neste ano o frio veio forte e cedo. Isso pode ter interferido na ecologia da água e favorecido a proliferação desses organismos tóxicos — diz.

Maior produtor do país

 Segundo dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 98% da produção nacional de mexilhões, vieiras e ostras saem de Santa Catarina. Palhoça, na Grande Florianópolis, é o destaque, com 60,8% da produção estadual e 59,6% da nacional. Outras oito cidades catarinenses apareceram no ranking das 10 com a maior produção do país.

Fonte: Diário Catarinense

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