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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Espécie que ameaça moluscos é localizada no litoral brasileiro

Uma minhoca marinha que se locomove pelos mares do litoral brasileiro ameaça a produção nacional de ostras, vieiras e mexilhões. A espécie também foi localizada em Santa Catarina.
O anelídeo da classe Polychaeta, chamado Polydora hoplura, é um invasor natural do oceano Pacífico e foi encontrado em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, distante 533 quilômetros de Florianópolis. Por enquanto não se sabe quais seriam as espécies de Polydora em águas catarinenses e os possíveis impactos, mas a presença foi confirmada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O alerta de Ilhabela partiu dos biólogos Álvaro Migotto, do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP), e Vasily I. Radashevsky, especialista mundial em poliquetas, do A.V. Zhirmunsky Institute of Marine Biology, de Vladivostok, da Rússia.

Migotto sugere cautela. Pelo menos até que pesquisas revelem as possibilidades do impacto sobre a produção catarinense. Mas, ainda que não seja alarmista, a preocupação faz sentido. 


SC é o maior produtor nacional de ostras, mexilhões e vieiras. Cerca de 22 mil toneladas, 98% dos moluscos coletados e consumidos em todo o país, são extraídas de águas catarinenses. O dado é da Pesquisa da Pecuária Municipal, conforme divulgou o IBGE, em 2015. A maior produção é dos municípios de Florianópolis e de Palhoça. No topo dos 10 maiores produtores, nove catarinenses despontam no ranking nacional. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) calcula que a atividade cresça entre 10% e 15% ao ano.

No periódico Marine Biodiversity, os pesquisadores Migotto e Radashevsky explicam que essa é a primeira vez que se constata a presença da espécie no Atlântico Sul. Segundo os especialistas, a presença de P. hoplura é fator de desequilíbrio no desenvolvimento e na saúde dos moluscos.

Por exemplo, se eles tiveram uma casca muito fina, a minhoca pode atingir o interior mole. Neste caso, o exemplar irá gastar mais energia na produção de material calcário para cobrir e isolar o buraquinho feito pelo invasor. A energia gasta é desviada de funções vitais, como alimentação e reprodução.

Em uma infestação generalizada, a proliferação de P. hoplura pode fazer com que uma única ostra seja perfurada várias vezes. Isso vai fazer o molusco despender toda a sua energia para se proteger. O resultado é a morte ou redução no tamanho considerado ideal para o consumo e comercialização.

Confira abaixo entrevista com Álvaro Migotto, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da USP:

Como a Polydora chegou ao litoral brasileiro?

É provável que tenha chegado ao Brasil dentro de matrizes da ostra-do-pacífico (crassostrea gigas), a espécie natural do mar do Japão que é cultivada ao redor do planeta.

Há risco para o consumidor? 

Não. O potencial de risco é para a ostra, por exemplo, que pode gastar muito energia ao se defender e com isso não alcançar o tamanho ideal. Até mesmo morrer.

Então essa atividade é um risco?

As matrizes de ostra-do-pacífico são importadas para formar a operação de cultivo e também manter a diversidade genética e a saúde do plantel.

De que forma a presença da minhoca ameaça nossas ostras? 

Trata-se de um perfurador de conchas, que escava pequenos canais nas conchas para ali se instalar e viver. 

Há exemplos de prejuízos onde a minhoca foi encontrada?

Sim. Nos países onde há infestação de Polydora e outras poliquetas, a produção de ostras é muito afetada, havendo casos específicos na Nova Zelândia e na África do Sul. 

Onde mais estaria presente?

Já é conhecida a presença de poliquetas invasoras nas águas da Califórnia e do Maine, na costa Oeste e Leste dos EUA, e no Chile.

Estamos diante de um risco?

Não acho que devemos ser alarmistas, pois é preciso entender o comportamento dessa presença. Achamos poliquetas da espécie P. hoplura em conchas e moluscos nativos do litoral de São Paulo. Se elas vieram dentro das matrizes de ostra-do-pacífico, podemos considerar que a espécie invasora já se espalhou pelo litoral sul do Brasil.

Fonte: Diário Catarinense

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