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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Em Ribeirão Preto, USP, com projeto pioneiro de reflorestamento, transformou fazenda de café em área verde

Projeto de reflorestamento resultou em banco genético e mais de 28% da área do campus em reservas ecológicas


Entre 1870 e 1940, o espaço onde hoje está instalada a USP em Ribeirão Preto abrigou uma fazenda de café chamada Monte Alegre – o primeiro local da cidade a receber luz elétrica. Em 1945, a região foi desapropriada pelo governo do Estado para a construção da Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas, mas alguns anos depois, em 1952, o terreno e o prédio passariam a ser propriedade da Universidade. O objetivo era a instalação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), a primeira unidade do novo campus.

Grande parte da Mata Atlântica no entorno havia sido derrubada, o que se manteve até 1968, pois a terra era arrendada para o plantio de cana-de-açúcar. Em 1981, o professor José Eduardo Dutra instalou a Coordenadoria e Conselho do Campus em Ribeirão Preto e, entre as medidas tomadas para melhoria das áreas verdes, estava a elaboração do primeiro projeto de reflorestamento do campus pelo Fundo de Construção da USP.

Assim, quando o contrato de arrendamento para fazendas canavieiras foi encerrado em 1986, uma comissão multidisciplinar formada na Prefeitura do campus decidiu começar o plano de reflorestamento. A partir de então, novas medidas foram sendo adotadas, como a formação de uma brigada de incêndio florestal, a colocação de cercas nas áreas limítrofes e limpeza em volta das árvores.

Em 1997, o projeto foi reformulado com a criação de uma Comissão de Reflorestamento e a implantação foi dividida em duas etapas. A primeira delas, iniciada no ano seguinte, abrangeu uma área de 30 mil metros quadrados, onde foram plantadas 116 mil árvores de 70 espécies nativas das bacias do Rio Pardo e do Rio Mogi-Guaçu – ela foi denominada Área de Recomposição.



A segunda etapa foi implantada entre 2000 e 2004 e foi responsável pela fundação do chamado Banco Genético da Floresta da USP, que ocupa 45 hectares. Nessa área, mais 90 mil mudas de 45 diferentes espécies foram plantadas, provenientes de mais de 3,3 mil árvores-mãe (25 para cada espécie em três repetições), cujas sementes foram coletadas em mais de 400 fragmentos remanescentes de mata nativa das duas bacias.

A floresta da USP em Ribeirão Preto é um projeto pioneiro de reflorestamento, com implantação aliada a conceitos de sucessão ecológica, plantio matematicamente planejado e a formação de um banco genético que representa uma fonte de sementes de alta qualidade genética para a propagação para outras áreas degradadas da região. A área já foi tema de diversos trabalhos científicos e projetos.

A iniciativa também contribuiu para um aumento de 20% da cobertura vegetal da área urbana do município de Ribeirão Preto e para o retorno da fauna nativa. Também é notável o aumento da vazão das minas existentes no campus e o surgimento de uma nova nascente d´água. Espécies nativas bastante populares como ipê-branco, ipê-amarelo, jequitibá-rosa, quaresmeira, paineira, jacarandá, jenipapo e embaúba, já produzindo flores e frutos, podem ser vistas no campus.

No total, a USP em Ribeirão Preto possui 168,95 hectares (1,6 milhão de metros quadrados) de reservas ecológicas, segundo número da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP, o que corresponde a 28,82% da área total do campus.

O Banco Genético in vivo

O Banco Genético da Floresta da USP é dividido em três módulos e apresenta uma grande variabilidade dentro das 45 espécies de árvores que ocupam o local. O professor Tomas Ferreira Domingues, coordenador do Centro de Estudos e Extensão Florestal (CEEFLOR) da USP, explica que a diversidade genética é importante para aumentar a capacidade das espécies de sobreviver diante de distúrbios que ocorrem na natureza, como o ataques de pragas ou eventos extremos, a exemplo de períodos de seca ou geadas.

A área já passou por dificuldades, por conta de alguns incêndios que atingiram o local.

Nesse tipo de mata, incêndios são pouco usuais, por isso, eles foram muito danosos. Poucas espécies possuíram a capacidade de se recuperar após o caso e houve uma mortalidade bastante acentuada em algumas áreas do Banco Genético. O nosso trabalho, agora, é fazer justamente o levantamento das espécies e das áreas que foram afetadas, para construir uma estratégia de recomposição e o enriquecimento desse banco genético.

Tomas Ferreira Domingues, coordenador do CEEFLOR da USP

Hoje, há um monitoramento das áreas, com câmeras instaladas em torres. Elas tornam possível à Guarda Universitária acompanhar, em tempo real, tudo que acontece na mata. Caso seja detectado algum sinal de fumaça, ações são tomadas imediatamente para impedir o alastramento do fogo.

O professor também explicou que há um grande interesse dos alunos em explorar o banco. Eles desenvolvem trabalhos sobre a área da floresta, envolvendo pesquisas com árvores, insetos, entre outros, contemplando características biológicas das espécies, como também as comunidades de mamíferos e aves.

As pesquisas com abelhas

Um ponto interessante na fauna do campus em Ribeirão Preto são as diversas pesquisas sobre abelhas. Elas começaram em 1964, quando os professores Warwick Estevam Kerr e Ronaldo Zucchi, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, foram trabalhar na USP. O primeiro docente já estudava a genética de abelhas e o segundo pesquisava o comportamento delas. Assim, foi criado um grupo de pesquisadores no campus para explorar os mais diversos conceitos envolvendo esses insetos.

O grupo foi crescendo com o tempo e, em 1971, com a abertura dos programas de pós-graduação na Faculdade de Medicina, alguns pesquisadores de renome internacional de universidades como a de Hokkaido, no Japão, e de Buenos Aires, na Argentina, foram convidados para ministrar disciplinas e orientar pós-graduandos.

O número de alunos pesquisando abelhas aumentou ainda mais com o início do Programa de Pós-Graduação em Entomologia no Departamento de Biologia da Universidade, em 1980. Atualmente, o campus é mundialmente reconhecido por suas pesquisas com abelhas africanizadas e possui a maior coleção de abelhas sociais sem ferrão (Meliponini) do mundo, além de desenvolver atividades como o Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto, principal evento científico sobre pesquisas com abelhas no Brasil.

Fonte: EcoDebate

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