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sábado, 21 de setembro de 2013

"Abriu a barra do rio"


Ana Echevenguá


“Os efeitos das chuvas fortes do final de semana de 22 e 23 de janeiro de 2013 prejudicaram os turistas no Norte da Capital. A qualidade da água do mar em Canasvieiras também acabou afetada com a presença de coliformes fecais. (...) 

O técnico da FATMA conta que (...), o balneário sofreu o rompimento da barra do Rio do Braz, próximo ao trapiche, ponto 22 do monitoramento realizado pela FATMA. O técnico destaca que este rio normalmente permanece com seu contato ao mar fechado, só rompendo em fortes chuvas e ação da maré. 

O técnico observa que o rio vem da antiga Colônia Penal, permeando por entre o bairro e recebendo provavelmente direta ou indiretamente contribuições de esgoto tendo inclusive próximo à foz a presença de Estação Elevatória de Esgoto que quando apresenta problemas extravasa para o rio o esgoto que deveria recalcar. De acordo com Marlon, nas avaliações que o rio do Braz sofreu por diversas oportunidades, sempre apresentou valores significativos de contaminação fecal, ou seja, ele serve como depósito de águas contaminadas...”


A leitura da notícia acima, para os moradores e usuários da Baía de Canasvieiras – um dos mais belos recantos de Florianópolis-SC, nada mais é do que a repetição do óbvio, uma tragédia anunciada aos quatro cantos do Planeta.

A Baía de Canasvieiras está impactada negativamente, faz tempo, pelo esgoto despejado na areia e nas águas.



É de conhecimento público que a empresa contratada pela administração pública do município é ineficiente, inoperante, imperita, imprudente...

Hoje, dia 21 de setembro de 2013, mais uma vez, a “barra do rio do Braz abriu” – expressão corriqueira por essas bandas... ou como bem falou o técnico da FATMA (órgão fiscalizador estadual): o balneário sofreu o rompimento da barra do Rio do Braz, próximo ao trapiche, ponto 22 do monitoramento realizado pela FATMA.

Traduzindo em miúdos: o rio encheu por causa da  constante chuva que cai na Ilha da Magia, misturada ao esgoto lançado no Rio, ultrapassou a faixa de areia que o segurava e chegou ao mar.

Agora, o mar está poluído, com excesso de coliformes fecais. Escuro e fétido.



E a culpa é de quem? Ora, da chuva, dos moradores que não ligam sua rede de esgoto à rede coletora deste, ...

Em momento algum, aventa-se a possibilidade de falhas no sistema de tratamento pelo qual pagamos regiamente, mês a mês.

O crime ambiental acontece; mas o silêncio é geral. Conivência por conveniência.

Psiuuu! Este é um tema complexo para ser exposto. Não se pode falar da praia poluída sob pena de espantarmos o turista, uma das principais fontes de renda da Ilha da Hipocrisia.

O melhor a fazer é rezar pra parar a chuva e juntar dinheiro pra pagar a conta de água e esgoto que chega às nossas casas todo mês.



Ana Echevenguá, advogada, OAB/SC 17.413, presidente do Instituto Eco&Ação, e-mail: ana@ecoeacao.com.br.

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